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	<title>Jornal Diário Algarve Express &#187; entrevista</title>
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		<title>“Não era minha intenção ir para deputada, foi o partido que me convidou”</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Jul 2019 09:40:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Porque razão aceitou ir em lugar elegível na lista do PS para as Legislativas quando ainda tinha a possibilidade de fazer mais mandato e meio à frente da Câmara? Cansou-se da vida autárquica? Não me cansei da vida autárquica, de maneira nenhuma, mas achei o convite interessante e aliciante nesta fase da minha vida. A [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Porque razão aceitou ir em lugar elegível na lista do PS para as Legislativas quando ainda tinha a possibilidade de fazer mais mandato e meio à frente da Câmara? Cansou-se da vida autárquica?</strong></p>
<p>Não me cansei da vida autárquica, de maneira nenhuma, mas achei o convite interessante e aliciante nesta fase da minha vida.</p>
<p><strong>A possibilidade de integrar a lista foi colocada em cima da mesa por si ou pelo partido?<br />
</strong><br />
Não era minha intenção ir para deputada, foi o partido que me convidou. Aceitei com gosto este desafio e darei o meu melhor nessas novas funções, tal como tenho feito enquanto autarca.</p>
<p><strong>Genericamente, que balanço faz da sua passagem pela presidência da Câmara de Lagos?<br />
</strong><br />
Acho que fizemos um bom trabalho. Destaco, sobretudo, que todos os projetos, estratégias e opções foram decididos em equipa e, por isso, saio tranquila porque deixo um grupo preparado para levar por diante o projeto que apresentámos aos lacobrigenses.</p>
<p>A nossa primeira prioridade foi resolver a situação financeira da Câmara, o que foi conseguido, pelo que hoje temos uma situação estável.</p>
<p>Só assim foi possível avançar depois com projetos e concretizar intervenções importantes, ao nível da recuperação do património cultural e histórico e de obras, umas já concluídas, outras que irão ser lançadas, que contribuem para melhorar a vida das pessoas e tornar o concelho de Lagos mais competitivo, enquanto destino turístico de qualidade.</p>
<p><strong>Hugo Pereira tem condições para ser um bom presidente de Câmara?<br />
</strong><br />
É uma pessoa que esteve na Assembleia, tem, agora, seis anos de experiência de Câmara, é economista, é líder do PS/Lagos, e portanto, alia os conhecimentos técnicos aos políticos, o que é importante neste cargo, e, portanto, tem condições para, juntamente com a sua equipa, continuar este projeto.</p>
<p>(Cortesia <a href="http://www.algarvemarafado.com" target="_blank">algarvemarafado.com</a>)</p>
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		<title>Apesar do reforço da maioria absoluta, não vai haver “sonolência política” em Lagos</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Mar 2018 04:01:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É já com bastante traquejo político em cima que Joaquina Matos começa a desbravar os labirintos deste seu segundo mandato como Presidente da Câmara de Lagos. Além da experiência que traz já no seu lastro de vida, uma maioria absoluta reforçada dá-lhe poder para decidir, para perspectivar, para gerir e para, sem empecilhos, tentar, à [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>É já com bastante traquejo político em cima que Joaquina Matos começa a desbravar os labirintos deste seu segundo mandato como Presidente da Câmara de Lagos.<span id="more-16878"></span></p>
<p>Além da experiência que traz já no seu lastro de vida, uma maioria absoluta reforçada dá-lhe poder para decidir, para perspectivar, para gerir e para, sem empecilhos, tentar, à sua maneira, projectar o futuro do concelho de Lagos. Com esta liberdade que a votação lhe proporcionou, começou já, a nível interno, a mexer nas chefias dos serviços da Câmara.</p>
<p>A nível externo, outros desafios terá de enfrentar para dar resposta aos anseios e às exigências de uma população cada vez mais inconformada, mais reivindicativa e mais interventiva. A prova temo-la em todo o movimento que se criou de oposição e contestação à intervenção na Ponta da Piedade. O mesmo poderemos dizer em torno do inconformismo e da manifestação à forma pouco eficiente como o ambiente, traduzido na higiene e limpeza da cidade, tem sido tratado. E esta forma activa e participativa estendeu-se à petição que começou a correr pela construção de um novo hospital de Lagos.</p>
<p>Dando expressão a estas manifestações bem como à necessidade de habitação a preços compatíveis com os rendimentos de quem é menos abastado e a muitos outros problemas do concelho, fomos ao encontro da Presidente da Câmara. E a conversa foi alargada.</p>
<p>Foi uma entrevista fluente, expressiva, suficientemente interessante e com toda essa actualidade que a leva a ser lida na sua totalidade.</p>
<p>Mas devido à sua extensão, começamos com a publicação da 1ª parte. E aqui os problemas políticos vêm ao de cima. Seguem-se-lhe os relacionados com a Ponta da Piedade, com o hotel Golfinho, o São Cristovão e até a Adega Cooperativa. São tudo temas, como o do futuro do espaço do ex-Ciclo Preparatório, a não perder.</strong></p>
<p><strong>Algarve Marafado (AM) – Com uma maioria absoluta ainda mais reforçada, sente-se mais confortável para desenvolver os projectos que tem entre mãos e gerir a Câmara com mais à vontade ou, para si, a situação não é muito distinta da que já dispunha no mandato anterior?</strong></p>
<p>Joaquina Matos (JM) – A situação é basicamente a mesma, apesar de ver reforçada a maioria de que dispunha no mandato anterior. Mas é natural que, com o reforço conseguido, quer na Câmara, quer na Assembleia Municipal, a situação seja mais confortável, sobretudo em termos das expectativas que temos na aprovação das nossas propostas.</p>
<p>De qualquer forma, a nossa maneira de estar é basicamente a mesma: tentar decidir o melhor possível, fazer bem e exercer com responsabilidade e sentido de missão esta nobre tarefa que nos foi confiada pelos nossos concidadãos. Um bom resultado eleitoral como o que obtivemos se, por um lado, reflecte a confiança que a população em nós depositou, por outro, traz-nos mais responsabilidade e é um desafio a respondermos cada vez mais e melhor aos seus anseios.</p>
<p><strong>AM – Vai ter em conta os contributos da oposição ou não sente necessidade de contar com essa colaboração?<br />
</strong><br />
JM – Quando as contribuições e as propostas são boas, naturalmente que serão tidas em consideração. A colaboração de todos é sempre importante e, diria até, é indispensável.</p>
<ul>
“Uma coisa é o trabalho político. Outra é o espaço da justiça. São duas realidades que não se devem misturar. Mas, infelizmente, algumas práticas políticas confundem estas duas realidades”</ul>
<p><strong>AM – No entanto, tem-se confrontado com sucessivas participações ao Ministério Público, por parte de algumas forças da oposição, devido à sua actuação como Presidente da Câmara. Quer dizer, então, que se está a transportar trabalho de âmbito político para o foro judicial?<br />
</strong><br />
JM – Completamente. Uma coisa é o trabalho político e outra coisa é o espaço da justiça. Estas duas dimensões não se devem misturar, mas, infelizmente, algumas  práticas políticas têm sido de confundir essas duas realidades. E, como consequência, têm lançado uma suspeição sistemática sobre as decisões da Presidente da Câmara. Temos respondido às questões que têm sido levantadas com a lisura e a transparência que são inerentes a tudo o que fazemos.</p>
<p><strong>AM – No anterior mandato, um membro da Assembleia Municipal, dissidente, primeiro do PS e, depois, do CDS, deu-lhe muitas vezes a mão quando havia necessidade de aprovar o Plano e Orçamento. Havia algum entendimento prévio ou tudo acontecia naturalmente?<br />
</strong><br />
JM – Esse elemento da Assembleia Municipal não nos deu a mão. Votou favoravelmente os documentos e as propostas com que concordava e votou contra noutras circunstâncias. Agiu no pleno direito da sua liberdade. Não nos deu a mão nem nós lhe demos o que quer que fosse. Conversámos com ele como conversámos com os restantes elementos e forças políticas da oposição. Muitas vezes veio ao encontro das nossas propostas, aprovando-as sem qualquer contrapartida, outras vezes não. Tratou-se de um trabalho normal no interior da Assembleia Municipal.</p>
<p><strong>AM – Com esta maioria alargada nos órgão autárquicas e com concelhia do PS liderada pelo seu vice-presidente, não se correrá o risco, daqui em diante, de um certo comodismo e de alguma sonolência política ao longo deste mandato, a nível local?<br />
</strong><br />
JM – Na Assembleia Municipal estão representadas todas as forças e tendência políticas. Vai haver debate e a vida política fará o seu percurso normal. Da nossa parte, também não nos acomodaremos nem nos deixaremos embalar por nenhuma sonolência política. Vamos continuar a apresentar as nossas propostas e a trabalhar com as demais forças políticas pelo bem estar da população e pelo desenvolvimento do concelho.</p>
<ul>
“Estamos em fase de adjudicação de um novo concurso para a limpeza urbana e a delinear um programa de reforço para contratação de outros trabalhos para que este sector decorra o melhor possível”</ul>
<p><strong>AM – Apesar de ter conquistado uma maioria tão confortável, a verdade é que se fizeram ouvir, ao longo do mandato anterior, vários focos de contestação em relação à actuação da Câmara, sobretudo ao nível da limpeza urbana. Neste mandato, estão a redobrar esforços e a tomar algumas iniciativas suplementares para resolver esse tipo de problemas?<br />
</strong><br />
JM – É verdade que tivemos algumas dificuldades a esse nível, sobretudo durante a época balnear. Estamos, agora, na fase de adjudicação de um novo concurso para escolher a empresa que vai ser responsável pela limpeza. E estamos também a delinear um programa de reforço com a contratação de outros trabalhos com o intuito de que a limpeza decorra da melhor maneira.</p>
<p><strong>AM – Uma parte da responsabilidade, sobretudo da recolha de resíduos, é da empresa multimunicipal Algar. E têm surgido bastantes queixas em vários municípios no que diz respeito aos meios que utiliza para efectuar esse serviço. Tem tido contactos com a Algar para se garantir que, no Verão, vão reforçar esses meios em Lagos?<br />
</strong><br />
JM – É um assunto várias vezes apresentado e debatido nas reuniões da Associação de Municípios do Algarve, com representantes da Algar. E esta empresa multimunicipal terá de se reforçar com os meios indispensáveis à prestação de um serviço de qualidade aos municípios.</p>
<p><strong>AM – Da parte da autarquia de Lagos, também tem havido algum investimento, nomeadamente ao nível da compra de veículos de recolha de lixo para melhorar este serviço?<br />
</strong><br />
JM – Temos feito investimentos neste sector para se melhorar cada vez mais este serviço na nossa cidade e em todo o concelho. Adquirimos dois carros novos, contratámos mais pessoal para esta área – cantoneiro de limpeza –  e estamos a estudar a possibilidade de reforçar ainda mais todo o serviço de limpeza.</p>
<p><a href="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/03/Joaquina_Matos2-.jpg" rel="shadowbox[sbpost-16878];player=img;"><img src="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/03/Joaquina_Matos2--246x300.jpg" alt="Joaquina_Matos2-" width="246" height="300" class="alignright size-medium wp-image-16859" /></a><strong>AM – Os preços dos imóveis em Lagos são dos mais altos do país, o que coloca problemas às pessoas de classe média e baixa de se instalarem no concelho. A Câmara dispõe de algum plano de fomento da construção de habitação a preços mais económicos?<br />
</strong></p>
<p>JM – O facto dos preços estarem elevados reflecte a qualidade do território de Lagos e da própria construção. Mas, naturalmente, estamos atentos à situação de famílias mais vulneráveis e de todos os que têm dificuldade em aceder a habitação.</p>
<p>Temos, por isso, vindo a preparar um programa de habitação municipal. E, através desse programa, iremos ajudar a construir um conjunto de fogos. Outros seremos nós a construi-los. Procuramos, deste modo, dar resposta à necessidade de habitação de muitas famílias que não conseguem, de facto, chegar a preços de mercado tão elevados.</p>
<p>Trata-se de um programa com várias frentes. Em andamento, temos já projectos para a construção de fogos municipais nas povoações do Sargaçal e de Bensafrim, em dois lotes municipais, num total de cerca de duas dezenas de fogos.</p>
<p>Vamos também preparar um conjunto de lotes para auto-construção, mesmo a nível da cidade. Iremos, para esse efeito, destinar um espaço dentro da malha urbana de Lagos. Pretendemos ainda adquirir um terreno de dimensões consideráveis que nos permita avançar com outro projecto de habitação municipal.</p>
<p>É importante criar condições para todas as famílias que têm dificuldade de aceder a habitação e fixar no concelho as famílias que vêm para cá trabalhar. Só assim, como é nosso desejo, poderemos ter um município equilibrado em termos sociais.</p>
<p><strong>AM – Ao longo do mandato, quantos fogos está a pensar construir?<br />
</strong><br />
JM – Todos os que pudermos. E de certeza que não serão demasiados para se dar resposta às necessidades já existentes. Há muita procura.</p>
<p><strong>AM – O Museu Municipal vai ser sujeito a obras de remodelação. Que tipo de intervenção é que aí vai ter lugar?<br />
</strong><br />
JM – As obras do Museu Municipal vão arrancar no decurso deste mês de Março. Trata-se de uma profunda remodelação com implicações em quase todas as componentes do seu espaço, sejam elas pavimentos, paredes, tectos, vãos, instalações especiais ou mesmo equipamento e material expositivo. Será, igualmente, intervencionada a cobertura do edifício.</p>
<p>Com a intervenção em causa, o edifício ficará dotado de condições de acessibilidade para pessoas que tenham mobilidade condicionada. O preço desta empreitada é de 651.525,06€. Para as preparar, encerrámos o Museu ao público já no decurso do mês de Setembro. Mas a Igreja de Santo António, que já foi objecto de recuperação, permanecerá aberta.</p>
<p><strong>AM – Estas obras vão cingir-se apenas ao edifício do Museu ou também abranger o edifício em frente que era da PSP?<br />
</strong><br />
JM – Para já, cingimo-nos apenas à primeira fase. E esta abarca o actual edifício do Museu Municipal. A segunda fase vem depois. E essa, sim, vai ter lugar no ex-edifício da PSP, situado mesmo em frente do actual Museu. Logo que esta segunda fase esteja concluída, albergará o núcleo de arqueologia.</p>
<p><a href="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/03/Joaquina_Matos3.jpg" rel="shadowbox[sbpost-16878];player=img;"><img src="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/03/Joaquina_Matos3.jpg" alt="Joaquina_Matos3" width="800" height="445" class="aligncenter size-full wp-image-16869" /></a></p>
<ul>
“A intervenção na Ponta da Piedade é essencial para preservar e dar ainda mais realce à beleza de um espaço tão emblemático como aquele”</ul>
<p><strong>AM – Uma questão que tem motivado muitas críticas e polémicas é a da intervenção na Ponta da Piedade. É sensível a alguns dos argumentos das pessoas que contestam esta obra?<br />
</strong><br />
JM – Temos perfeita noção de que a Ponta da Piedade constitui um dos mais importantes locais do Algarve, quer pelos seus valores naturais, quer pelos seus valores histórico-culturais. Não é por acaso que é um dos locais mais visitados de toda a região.</p>
<p>Mas, no que à intervenção diz respeito, é essencial preservar para dar ainda mais realce à beleza de um espaço tão emblemático como aquele. É por isso importante dizer que este processo tem um percurso com alguns anos em cima. É uma preocupação que já vem de longe. E nele estão implicadas várias entidades.</p>
<p>Começou em 2009/2010, promovido pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), entidade com competência sobre a área do domínio público marítimo, em parceria com o Município de Lagos e a Espaço Dois Mil e Duzentos, Sociedade Imobiliária S.A., anterior proprietária dos terrenos abrangidos por esta intervenção. E, como não poderia deixar de ser, contou com o acordo da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região do Algarve (CCDR). Teve por base estudos como os de geologia, de fauna e flora.</p>
<p>E, por motivos de ordem financeira, este processo esteve parado alguns anos. Quando, em 2016, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) propôs que fôssemos nós a apresentar a candidatura do projecto da 1ª fase, após ter obtido parecer favorável por  parte de todas as entidades, aceitámos esse desafio. E aceitámo-lo com satisfação, primeiro, por termos consciência de que a Ponta da Piedade não pode continuar sem se valorizar e, segundo, porque a APA não tinha condições de garantir o financiamento.</p>
<p>Lançámos, por isso, aquela empreitada que tem como principal objectivo ordenar a passagem das pessoas por aquela zona, proceder a alguma renaturalização da própria vegetação e proteger as pessoas em relação àquela arriba. O projecto provocou, desde logo, alguma controvérsia. É sinal de que as pessoas estão atentas e querem participar em questões com um simbolismo tão grande como o é a Ponta da Piedade. Vi como um factor positivo esse poder de intervenção e de exercício de cidadania. Se pudesse voltar atrás, tê-lo-ia apresentado e explicado à população. Mas, por se tratar de um projecto já com alguns anos, considerámos que era uma ideia já perfeitamente consensual e consolidada dentro da comunidade lacobrigense.</p>
<p>Em face de tudo isto, avançámos com a obra e penso que, hoje, já muitas pessoas que contestaram e manifestaram a sua discordância dizem que afinal é um projecto interessante e que resolve a questão do ordenamento do percurso pedonal e ciclável. Na altura, uma das críticas mais divulgadas dizia que se deveria fazer passadiços. Mas optou-se por não os utilizar por terem de assentar em estacarias que têm por suporte sapatas de betão. E esta seria uma solução que não mereceria aceitação por parte da CCDR. Como as rochas são frágeis, esta não seria a solução ideal ou sequer aceitável.</p>
<p>Estive em várias reuniões com a CCDR, com a APA, com o arquitecto paisagista responsável por este trabalho e estou absolutamente convicta que este é o projecto indicado para aquela parte do nosso território. Proporciona um percurso pedestre e ciclável, feito de material 100% poroso, muito discreto, que disciplina o acesso, que dá segurança às pessoas e proporciona uma óptima observação daquela paisagem através dos dois miradouros de madeira.</p>
<p>Entretanto, o projecto foi também sofrendo algumas alterações. Por exemplo, foi implantada uma pequena ponte de madeira sobre uma linha de água. Em determinadas zonas iremos também avançar com uma solução mais leve de passadiços, de dimensão reduzida, de forma a não causar os problemas e possíveis impactos que os passadiços, digamos, normais, poderiam criar. Plantámos ainda 460 pinheiros. Penso, assim, que a solução encontrada protege aquele belíssimo espaço do nosso território. E esta, poderemos dizer, é a nossa preocupação essencial.</p>
<ul>
“A 2ª fase da intervenção na Ponta da Piedade vai ligar esta jóia do nosso território à praia do Pinhão”</ul>
<p><strong>AM – Que intervenção teve o Cascade neste projecto?<br />
</strong><br />
JM – Na altura, o projecto também foi consensualizado com o Cascade por a área abrangida integrar algum terreno deste empreendimento e por ser também um dos financiadores da obra.</p>
<p><strong>AM – Esta é a 1ª fase de um projecto mais abrangente. Quando é que a avança a 2ª fase?<br />
</strong><br />
JM – Esta fase estará concluída em Abril ou Maio. A 2ª fase vai ligar a Ponta da Piedade ao Pinhão. Está contratado, para lhe dar prossecução, o arquitecto que, desde a primeira hora, acompanhou todo este processo. Vamos ter que dar resposta ao estacionamento, à circulação, à defesa das arribas e a muitos outros problemas que se estendem ao longo da Costa´Doiro.</p>
<p>Trata-se de um grande desafio a que queremos deitar mãos. E logo que tivermos o programa e o projecto dessa intervenção, dá-los-emos a conhecer à população. Como Sophia de Mello Breyner era uma apaixonada por Lagos e por aquela costa, que serviu de pano de fundo a algumas das suas obras, lançámos um repto ao arquitecto para inserir no projecto alguma referência a esta escritora do nosso universo cultural e sentimental.</p>
<p>Esta 2ª fase tem muitos outros desafios a ultrapassar como o de passar por vários terrenos privados.</p>
<p><strong>AM – Quando é que o projecto desta 2ª fase estará concluído?<br />
</strong><br />
JM – Conto que esteja pronto até final deste ano. Estamos empenhadíssimos em que a requalificação da Ponta da Piedade se faça e lhe traga outra qualidade e outra preservação. Quem lá vai, sobretudo no Verão, fica com a consciência que aquela situação não se pode prolongar por muito mais tempo. Há muita gente a percorrer aquele espaço sem qualquer ordenamento e até sem a segurança devida.</p>
<p><a href="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/03/Joaquina_Matos4.jpg" rel="shadowbox[sbpost-16878];player=img;"><img src="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/03/Joaquina_Matos4-254x300.jpg" alt="Joaquina_Matos4" width="254" height="300" class="alignright size-medium wp-image-16871" /></a><strong>AM – O Hotel Golfinho há anos que se encontra em total estado de degradação. Vai apanhar a boleia da recuperação e preservação da Costa´Doiro ou vamos continuar a assistir à sua ruína contínua?<br />
</strong><br />
JM – Temos informação de que foi transacionado e está agora na posse de uma cadeia internacional de hotelaria. A Câmara recebeu a informação de que irão avançar com trabalhos de limpeza.</p>
<p><strong>AM – A ideia do grupo é recuperar o edifício ou deitá-lo abaixo e construir um novo?<br />
</strong><br />
JM – Todas as questões técnicas relacionadas com a obra terão o devido acompanhamento técnico municipal. De qualquer forma, reafirmo que foi com enorme satisfação que recebemos a notícia da possível recuperação do Hotel.</p>
<p><strong>AM – E as torres da Torraltinha vão prolongar por mais algumas décadas o seu estado de agonia?<br />
</strong><br />
JM – Foi-nos pedida uma informação prévia por parte de um grupo. Estamos a avaliar a situação bem como o que lá poderá vir a ser feito. Quer num, quer noutro caso, faremos o que nos for possível de forma a contribuir para que sejam encontradas as melhores soluções para os edifícios em causa. Esta é mais uma situação que estamos a acompanhar com entusiasmo, a da sua possível resolução.</p>
<p><strong>AM – Que tipo de projecto foi aprovado para o espaço onde funcionou o Hotel S. Cristóvão e a Adega Cooperativa?<br />
</strong><br />
JM – No lugar do edifício onde funcionou o Hotel S. Cristóvão há projecto para a construção de uma nova unidade hoteleira. No espaço da adega e de outros imóveis adjacentes, será feito um condomínio habitacional.</p>
<p><strong>AM – E quanto ao espaço do ex-Ciclo Preparatório?<br />
</strong><br />
JM – É nossa intenção demolir o que resta da antiga escola preparatória e construir naquele espaço uma nova escola EB 2,3. Embora a nossa população escolar não tenha aumentado tanto quanto desejaríamos, entendemos ser necessária mais uma EB 2,3 para dar resposta às necessidades educativas do concelho. Se, naquele espaço, não for construída uma nova escola, o terreno servirá para acolher qualquer outro equipamento público.</p>
<p><a href="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/03/Joaquina_Matos5.jpg" rel="shadowbox[sbpost-16878];player=img;"><img src="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/03/Joaquina_Matos5.jpg" alt="Joaquina_Matos5" width="720" height="407" class="aligncenter size-full wp-image-16873" /></a></p>
<ul>
&#8220;É urgente a relocalização do Hospital de Lagos&#8221;</ul>
<p><strong>AM – A Câmara tomou, já há algum tempo, posições críticas sobre algumas situações deixadas pelas obras na Estrada Nacional (EN) 125. Tem tido contactos com a Infraestruturas de Portugal para que as correcções pretendidas possam vir a ser executadas?<br />
</strong><br />
JM – Tivemos, recentemente, uma reunião com esse objectivo. E, no seu decorrer, tanto eu como o Sr. Vice-Presidente, acompanhados pelos técnicos desta área, apresentámos diversas situações que, em nosso entendimento, precisam de ser revistas. E, nessa sequência, esperamos que algumas intervenções e correcções ainda venham a ser executadas.</p>
<ul>
Em concreto, apresentámos a reivindicação de construção de duas rotundas: uma a nascente e outra a poente de Odeáxere. A variante de Odeáxere também foi uma das nossas reivindicações. E continuaremos a bater-nos pela sua construção.
</ul>
<p><strong>AM – Os traços contínuos em série vão ficar como estão ou também vão sofrer alguma correcção?<br />
</strong><br />
JM – Os responsáveis pela Infraestruturas de Portugal fazem questão de os manter tal como estão. E, para isso, alegam questões de segurança.</p>
<p><strong>AM – A Câmara vai levar a cabo uma intervenção de alguma dimensão física e financeira para reabilitar a antiga estrada da Luz. Há mais algumas intervenções equiparadas a esta a avançar nos próximos tempos?<br />
</strong><br />
JM – Para já, é o único projecto do género que temos e vai avançar muito rapidamente. Trata-se de uma obra que implica um investimento de cerca de 1.250.000€. Estamos perante uma obra essencial para aquele percurso. Com ela dar-se-á mais segurança, quer aos peões, quer aos automobilistas. Além da melhoria no pavimento viário, os trabalhos vão também incidir sobre a rede pluvial, iluminação pública, remodelação da rede de distribuição em baixa tensão e rede de telecomunicações.</p>
<p>Iremos intervir, na sua continuação, também na estrada de ligação a Burgau.</p>
<ul>
&#8220;Nova Unidade de Saúde Familiar veio permitir que mais 9 ou 10 mil cidadãos tenham médico de família&#8221;</ul>
<p><strong>AM – Foi lançada uma petição a favor da construção de um novo hospital em Lagos. Esta é, para si, uma ideia que tem mesmo pernas para andar?<br />
</strong><br />
JM – As petições e reivindicações pela relocalização do Hospital de Lagos têm já  longos anos em cima. É uma pretensão da qual nunca se desistiu. E, este ano, mais uma vez, o tema veio ao de cima.</p>
<p>De facto, a sua necessidade é mais do que urgente, estamos empenhadíssimos em resolver este problema. Para o efeito, temos, inclusivamente, espaço junto do Centro de Saúde. Sentimos a necessidade urgente de dotar o Hospital de Lagos das condições indispensáveis para poder proporcionar aos seus utentes os níveis de qualidade e conforto que o Serviço Nacional de Saúde deve proporcionar.</p>
<p>E esta é uma causa que engloba os concelhos de Lagos, Aljezur e Vila do Bispo. A ela se juntam também as suas populações e todos os que querem ver, entre nós, a saúde mais dignificada e mais bem servida.</p>
<p><strong>AM – Que avaliação faz, então, da forma como são prestados os cuidados de saúde em Lagos?<br />
</strong><br />
JM – Agora, estamos bem melhor. Desde que foi criada uma nova Unidade de Saúde Familiar, que veio permitir que mais 9 ou 10 mil cidadãos tenham médico de família, a situação sofreu uma franca melhoria. E está prestes a melhorar ainda mais com a criação de uma outra Unidade de Saúde Familiar.</p>
<p>Lagos era dos piores concelhos do Algarve em termos de cuidados primários de saúde. Mas, felizmente, com a criação desta Unidade de Saúde Familiar as coisas melhoraram. Mas para que essa melhoria prossiga, o passo a dar a seguir é o da construção do novo Parque de Saúde de Lagos.</p>
<p><strong>AM – Tem havido ligação entre os municípios de Lagos, Vila do Bispo e Aljezur, no âmbito da Associação Terras do Infante?<br />
</strong><br />
JM – Temos vindo a realizar um trabalho de conjunto muito válido em vários domínios. Até no campo da saúde.</p>
<p>Mas onde a Associação tem trabalhado muito, e desde início, é na protecção da floresta, um tema que, agora, está muito na ordem do dia. E mesmo quando não se falava tanto, esse trabalho conjunto e sistemático seguia o seu caminho. Agora, quando se olha para as Terras do Infante e se analisa o trabalho que aqui tem sido desenvolvido, considera-se mesmo que se trata de um bom trabalho.</p>
<p>Para se ficar com uma ideia de que já tem uma longa história neste domínio, diria que, logo em 2003, a Associação apresentou o primeiro plano de intervenção na floresta. Candidatou-se depois ao programa Agris em 2006/7. E, para lhe dar sequência, fez-se um investimento de 2,2 milhões de euros. Foi, então, feita uma faixa primária de gestão do combustível e continuou-se a trabalhar no terreno, todos os dias, com os nossos sapadores florestais, que têm desempenhado um trabalho muito bom.</p>
<p>“Estamos em guerra com os fogos”</p>
<p><strong>AM – A obrigatoriedade, determinada pelo Governo, de os proprietários limparem uma faixa de 50 metros à volta das casas, veio responsabilizar também as câmaras  municipais, que terão de avançar com esse trabalho caso os proprietários não o façam. Também é da opinião, expressa por muitos colegas seus, que o Governo está a atirar a “batata quente” para cima das câmaras municipais?<br />
</strong><br />
JM – De facto, a batata é quente demais, disso não temos a menor dúvida. E recai também sobre as câmaras municipais.</p>
<p>No âmbito da Associação de Municípios Terras do Infante, estamos a fazer aquilo que achamos que devemos fazer.</p>
<p>Lançámos no terreno uma campanha de sensibilização dos proprietários através de outdoors, de distribuição de panfletos e já preparámos um concurso público para, no caso de haver proprietários que não consigam limpar essa faixa de 50 metros à volta das suas casas, sermos nós a substituí-los nessa tarefa e no cumprimento da lei agora em vigor. A valorização da floresta e o reforço na prevenção dos fogos é, desde 2006, uma prioridade nos três Municípios da Associação.</p>
<p><strong>AM – As regras que estabelecem essa limpeza, numa área de 50 metros à volta das casas, parecem muito confusas. Devido a essa confusão, as pessoas, à cautela, não irão, dentro desse perímetro, abater árvores de fruto, sobreiros e outras árvores protegidas?<br />
</strong><br />
JM – Depois do que aconteceu em 2017, teremos de dizer que estamos em guerra contra o fogo. E em tempo de guerra não se limpam armas. Por isso, reforçámos a informação de forma a prevenir e acautelar que não são feitas leituras erradas.</p>
<p>É verdade que algumas medidas, devido à habituação que se criou, até podem ser difíceis de aceitar. Mas, depois de tudo o que aconteceu e com tantas vidas perdidas, alguma coisa teria de ser feita. Não se poderia cair no risco de deixar tudo como estava.</p>
<p>AM – As obras de consolidação e renovação da Ponte de D. Maria ficaram a marcar o mandato anterior. Qual ou quais são as que vão ficar a marcar o presente mandato?</p>
<p>JM – Muitas delas têm já sido abordadas ao longo desta entrevista. Acabamos, por exemplo, de falar na intervenção da primeira e segunda fase para requalificar e modernizar o Museu Municipal.</p>
<p>Também a primeira fase da requalificação e preservação da Ponta da Piedade constitui uma grande obra. Esta tem lugar entre o Canavial e esta nossa jóia costeira. A que vem a seguir, entre a Ponta da Piedade e o Pinhão, é uma obra de grande dimensão.</p>
<p>Gostaria também de frisar a 3ª fase do anel verde a que vamos deitar mão. Vem melhorar as nossas acessibilidades ao centro histórico e completar o embelezamento da frente poente das nossas muralhas. A nossa intervenção na rede viária, como na antiga estrada da Luz, é uma preocupação do nosso dia-a-dia. E teremos que voltar a referir o amplo programa de habitação que estamos a desenhar para proporcionar possibilidades a quem não tem facilidade de aceder aos preços de mercado.</p>
<p>A par destas obras e destes projectos que vão, em parte, melhorar a face do nosso concelho, está a nossa preocupação com um maior investimento na higiene e limpeza, no ambiente, em áreas sociais e na promoção das nossas actividades económicas com particular destaque para o turismo.</p>
<p>Continuaremos a trabalhar, através de grandes e pequenas realizações, para afirmar Lagos como Município onde apeteça viver, trabalhar, visitar e investir.</p>
<p><strong>Entrevista conduzida por Guedes de Oliveira e Jorge Eusébio<br />
concedida ao site Algarve Marafado<br />
e publicada na íntegra num só post pelo Algarve Express sob autorização dos seus autores</strong></p>
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		<title>Apesar do reforço da maioria absoluta, não vai haver “sonolência política” em Lagos</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Mar 2018 04:01:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Rodrigues</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Joaquina Matos]]></category>
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		<description><![CDATA[É já com bastante traquejo político em cima que Joaquina Matos começa a desbravar os labirintos deste seu segundo mandato como Presidente da Câmara de Lagos. Além da experiência que traz já no seu lastro de vida, uma maioria absoluta reforçada dá-lhe poder para decidir, para perspectivar, para gerir e para, sem empecilhos, tentar, à [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>É já com bastante traquejo político em cima que Joaquina Matos começa a desbravar os labirintos deste seu segundo mandato como Presidente da Câmara de Lagos.<span id="more-16852"></span></p>
<p>Além da experiência que traz já no seu lastro de vida, uma maioria absoluta reforçada dá-lhe poder para decidir, para perspectivar, para gerir e para, sem empecilhos, tentar, à sua maneira, projectar o futuro do concelho de Lagos. Com esta liberdade que a votação lhe proporcionou, começou já, a nível interno, a mexer nas chefias dos serviços da Câmara.</p>
<p>A nível externo, outros desafios terá de enfrentar para dar resposta aos anseios e às exigências de uma população cada vez mais inconformada, mais reivindicativa e mais interventiva. A prova temo-la em todo o movimento que se criou de oposição e contestação à intervenção na Ponta da Piedade. O mesmo poderemos dizer em torno do inconformismo e da manifestação à forma pouco eficiente como o ambiente, traduzido na higiene e limpeza da cidade, tem sido tratado. E esta forma activa e participativa estendeu-se à petição que começou a correr pela construção de um novo hospital de Lagos.</p>
<p>Dando expressão a estas manifestações bem como à necessidade de habitação a preços compatíveis com os rendimentos de quem é menos abastado e a muitos outros problemas do concelho, fomos ao encontro da Presidente da Câmara. E a conversa foi alargada.</p>
<p>Foi uma entrevista fluente, expressiva, suficientemente interessante e com toda essa actualidade que a leva a ser lida na sua totalidade.</p>
<p>Mas devido à sua extensão, começamos com a publicação da 1ª parte. E aqui os problemas políticos vêm ao de cima. Seguem-se-lhe os relacionados com a Ponta da Piedade, com o hotel Golfinho, o São Cristovão e até a Adega Cooperativa. São tudo temas, como o do futuro do espaço do ex-Ciclo Preparatório, a não perder.</strong></p>
<p><strong>Algarve Marafado (AM) – Com uma maioria absoluta ainda mais reforçada, sente-se mais confortável para desenvolver os projectos que tem entre mãos e gerir a Câmara com mais à vontade ou, para si, a situação não é muito distinta da que já dispunha no mandato anterior?</strong></p>
<p>Joaquina Matos (JM) – A situação é basicamente a mesma, apesar de ver reforçada a maioria de que dispunha no mandato anterior. Mas é natural que, com o reforço conseguido, quer na Câmara, quer na Assembleia Municipal, a situação seja mais confortável, sobretudo em termos das expectativas que temos na aprovação das nossas propostas.</p>
<p>De qualquer forma, a nossa maneira de estar é basicamente a mesma: tentar decidir o melhor possível, fazer bem e exercer com responsabilidade e sentido de missão esta nobre tarefa que nos foi confiada pelos nossos concidadãos. Um bom resultado eleitoral como o que obtivemos se, por um lado, reflecte a confiança que a população em nós depositou, por outro, traz-nos mais responsabilidade e é um desafio a respondermos cada vez mais e melhor aos seus anseios.</p>
<p><strong>AM – Vai ter em conta os contributos da oposição ou não sente necessidade de contar com essa colaboração?<br />
</strong><br />
JM – Quando as contribuições e as propostas são boas, naturalmente que serão tidas em consideração. A colaboração de todos é sempre importante e, diria até, é indispensável.</p>
<ul>
“Uma coisa é o trabalho político. Outra é o espaço da justiça. São duas realidades que não se devem misturar. Mas, infelizmente, algumas práticas políticas confundem estas duas realidades”</ul>
<p><strong>AM – No entanto, tem-se confrontado com sucessivas participações ao Ministério Público, por parte de algumas forças da oposição, devido à sua actuação como Presidente da Câmara. Quer dizer, então, que se está a transportar trabalho de âmbito político para o foro judicial?<br />
</strong><br />
JM – Completamente. Uma coisa é o trabalho político e outra coisa é o espaço da justiça. Estas duas dimensões não se devem misturar, mas, infelizmente, algumas  práticas políticas têm sido de confundir essas duas realidades. E, como consequência, têm lançado uma suspeição sistemática sobre as decisões da Presidente da Câmara. Temos respondido às questões que têm sido levantadas com a lisura e a transparência que são inerentes a tudo o que fazemos.</p>
<p><strong>AM – No anterior mandato, um membro da Assembleia Municipal, dissidente, primeiro do PS e, depois, do CDS, deu-lhe muitas vezes a mão quando havia necessidade de aprovar o Plano e Orçamento. Havia algum entendimento prévio ou tudo acontecia naturalmente?<br />
</strong><br />
JM – Esse elemento da Assembleia Municipal não nos deu a mão. Votou favoravelmente os documentos e as propostas com que concordava e votou contra noutras circunstâncias. Agiu no pleno direito da sua liberdade. Não nos deu a mão nem nós lhe demos o que quer que fosse. Conversámos com ele como conversámos com os restantes elementos e forças políticas da oposição. Muitas vezes veio ao encontro das nossas propostas, aprovando-as sem qualquer contrapartida, outras vezes não. Tratou-se de um trabalho normal no interior da Assembleia Municipal.</p>
<p><strong>AM – Com esta maioria alargada nos órgão autárquicas e com concelhia do PS liderada pelo seu vice-presidente, não se correrá o risco, daqui em diante, de um certo comodismo e de alguma sonolência política ao longo deste mandato, a nível local?<br />
</strong><br />
JM – Na Assembleia Municipal estão representadas todas as forças e tendência políticas. Vai haver debate e a vida política fará o seu percurso normal. Da nossa parte, também não nos acomodaremos nem nos deixaremos embalar por nenhuma sonolência política. Vamos continuar a apresentar as nossas propostas e a trabalhar com as demais forças políticas pelo bem estar da população e pelo desenvolvimento do concelho.</p>
<ul>
“Estamos em fase de adjudicação de um novo concurso para a limpeza urbana e a delinear um programa de reforço para contratação de outros trabalhos para que este sector decorra o melhor possível”</ul>
<p><strong>AM – Apesar de ter conquistado uma maioria tão confortável, a verdade é que se fizeram ouvir, ao longo do mandato anterior, vários focos de contestação em relação à actuação da Câmara, sobretudo ao nível da limpeza urbana. Neste mandato, estão a redobrar esforços e a tomar algumas iniciativas suplementares para resolver esse tipo de problemas?<br />
</strong><br />
JM – É verdade que tivemos algumas dificuldades a esse nível, sobretudo durante a época balnear. Estamos, agora, na fase de adjudicação de um novo concurso para escolher a empresa que vai ser responsável pela limpeza. E estamos também a delinear um programa de reforço com a contratação de outros trabalhos com o intuito de que a limpeza decorra da melhor maneira.</p>
<p><strong>AM – Uma parte da responsabilidade, sobretudo da recolha de resíduos, é da empresa multimunicipal Algar. E têm surgido bastantes queixas em vários municípios no que diz respeito aos meios que utiliza para efectuar esse serviço. Tem tido contactos com a Algar para se garantir que, no Verão, vão reforçar esses meios em Lagos?<br />
</strong><br />
JM – É um assunto várias vezes apresentado e debatido nas reuniões da Associação de Municípios do Algarve, com representantes da Algar. E esta empresa multimunicipal terá de se reforçar com os meios indispensáveis à prestação de um serviço de qualidade aos municípios.</p>
<p><strong>AM – Da parte da autarquia de Lagos, também tem havido algum investimento, nomeadamente ao nível da compra de veículos de recolha de lixo para melhorar este serviço?<br />
</strong><br />
JM – Temos feito investimentos neste sector para se melhorar cada vez mais este serviço na nossa cidade e em todo o concelho. Adquirimos dois carros novos, contratámos mais pessoal para esta área – cantoneiro de limpeza –  e estamos a estudar a possibilidade de reforçar ainda mais todo o serviço de limpeza.</p>
<p><a href="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/03/Joaquina_Matos2-.jpg" rel="shadowbox[sbpost-16852];player=img;"><img src="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/03/Joaquina_Matos2--246x300.jpg" alt="Joaquina_Matos2-" width="246" height="300" class="alignright size-medium wp-image-16859" /></a><strong>AM – Os preços dos imóveis em Lagos são dos mais altos do país, o que coloca problemas às pessoas de classe média e baixa de se instalarem no concelho. A Câmara dispõe de algum plano de fomento da construção de habitação a preços mais económicos?<br />
</strong></p>
<p>JM – O facto dos preços estarem elevados reflecte a qualidade do território de Lagos e da própria construção. Mas, naturalmente, estamos atentos à situação de famílias mais vulneráveis e de todos os que têm dificuldade em aceder a habitação.</p>
<p>Temos, por isso, vindo a preparar um programa de habitação municipal. E, através desse programa, iremos ajudar a construir um conjunto de fogos. Outros seremos nós a construi-los. Procuramos, deste modo, dar resposta à necessidade de habitação de muitas famílias que não conseguem, de facto, chegar a preços de mercado tão elevados.</p>
<p>Trata-se de um programa com várias frentes. Em andamento, temos já projectos para a construção de fogos municipais nas povoações do Sargaçal e de Bensafrim, em dois lotes municipais, num total de cerca de duas dezenas de fogos.</p>
<p>Vamos também preparar um conjunto de lotes para auto-construção, mesmo a nível da cidade. Iremos, para esse efeito, destinar um espaço dentro da malha urbana de Lagos. Pretendemos ainda adquirir um terreno de dimensões consideráveis que nos permita avançar com outro projecto de habitação municipal.</p>
<p>É importante criar condições para todas as famílias que têm dificuldade de aceder a habitação e fixar no concelho as famílias que vêm para cá trabalhar. Só assim, como é nosso desejo, poderemos ter um município equilibrado em termos sociais.</p>
<p><strong>AM – Ao longo do mandato, quantos fogos está a pensar construir?<br />
</strong><br />
JM – Todos os que pudermos. E de certeza que não serão demasiados para se dar resposta às necessidades já existentes. Há muita procura.</p>
<p><strong>AM – O Museu Municipal vai ser sujeito a obras de remodelação. Que tipo de intervenção é que aí vai ter lugar?<br />
</strong><br />
JM – As obras do Museu Municipal vão arrancar no decurso deste mês de Março. Trata-se de uma profunda remodelação com implicações em quase todas as componentes do seu espaço, sejam elas pavimentos, paredes, tectos, vãos, instalações especiais ou mesmo equipamento e material expositivo. Será, igualmente, intervencionada a cobertura do edifício.</p>
<p>Com a intervenção em causa, o edifício ficará dotado de condições de acessibilidade para pessoas que tenham mobilidade condicionada. O preço desta empreitada é de 651.525,06€. Para as preparar, encerrámos o Museu ao público já no decurso do mês de Setembro. Mas a Igreja de Santo António, que já foi objecto de recuperação, permanecerá aberta.</p>
<p><strong>AM – Estas obras vão cingir-se apenas ao edifício do Museu ou também abranger o edifício em frente que era da PSP?<br />
</strong><br />
JM – Para já, cingimo-nos apenas à primeira fase. E esta abarca o actual edifício do Museu Municipal. A segunda fase vem depois. E essa, sim, vai ter lugar no ex-edifício da PSP, situado mesmo em frente do actual Museu. Logo que esta segunda fase esteja concluída, albergará o núcleo de arqueologia.</p>
<p><a href="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/03/Joaquina_Matos3.jpg" rel="shadowbox[sbpost-16852];player=img;"><img src="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/03/Joaquina_Matos3.jpg" alt="Joaquina_Matos3" width="800" height="445" class="aligncenter size-full wp-image-16869" /></a></p>
<ul>
“A intervenção na Ponta da Piedade é essencial para preservar e dar ainda mais realce à beleza de um espaço tão emblemático como aquele”</ul>
<p><strong>AM – Uma questão que tem motivado muitas críticas e polémicas é a da intervenção na Ponta da Piedade. É sensível a alguns dos argumentos das pessoas que contestam esta obra?<br />
</strong><br />
JM – Temos perfeita noção de que a Ponta da Piedade constitui um dos mais importantes locais do Algarve, quer pelos seus valores naturais, quer pelos seus valores histórico-culturais. Não é por acaso que é um dos locais mais visitados de toda a região.</p>
<p>Mas, no que à intervenção diz respeito, é essencial preservar para dar ainda mais realce à beleza de um espaço tão emblemático como aquele. É por isso importante dizer que este processo tem um percurso com alguns anos em cima. É uma preocupação que já vem de longe. E nele estão implicadas várias entidades.</p>
<p>Começou em 2009/2010, promovido pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), entidade com competência sobre a área do domínio público marítimo, em parceria com o Município de Lagos e a Espaço Dois Mil e Duzentos, Sociedade Imobiliária S.A., anterior proprietária dos terrenos abrangidos por esta intervenção. E, como não poderia deixar de ser, contou com o acordo da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região do Algarve (CCDR). Teve por base estudos como os de geologia, de fauna e flora.</p>
<p>E, por motivos de ordem financeira, este processo esteve parado alguns anos. Quando, em 2016, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) propôs que fôssemos nós a apresentar a candidatura do projecto da 1ª fase, após ter obtido parecer favorável por  parte de todas as entidades, aceitámos esse desafio. E aceitámo-lo com satisfação, primeiro, por termos consciência de que a Ponta da Piedade não pode continuar sem se valorizar e, segundo, porque a APA não tinha condições de garantir o financiamento.</p>
<p>Lançámos, por isso, aquela empreitada que tem como principal objectivo ordenar a passagem das pessoas por aquela zona, proceder a alguma renaturalização da própria vegetação e proteger as pessoas em relação àquela arriba. O projecto provocou, desde logo, alguma controvérsia. É sinal de que as pessoas estão atentas e querem participar em questões com um simbolismo tão grande como o é a Ponta da Piedade. Vi como um factor positivo esse poder de intervenção e de exercício de cidadania. Se pudesse voltar atrás, tê-lo-ia apresentado e explicado à população. Mas, por se tratar de um projecto já com alguns anos, considerámos que era uma ideia já perfeitamente consensual e consolidada dentro da comunidade lacobrigense.</p>
<p>Em face de tudo isto, avançámos com a obra e penso que, hoje, já muitas pessoas que contestaram e manifestaram a sua discordância dizem que afinal é um projecto interessante e que resolve a questão do ordenamento do percurso pedonal e ciclável. Na altura, uma das críticas mais divulgadas dizia que se deveria fazer passadiços. Mas optou-se por não os utilizar por terem de assentar em estacarias que têm por suporte sapatas de betão. E esta seria uma solução que não mereceria aceitação por parte da CCDR. Como as rochas são frágeis, esta não seria a solução ideal ou sequer aceitável.</p>
<p>Estive em várias reuniões com a CCDR, com a APA, com o arquitecto paisagista responsável por este trabalho e estou absolutamente convicta que este é o projecto indicado para aquela parte do nosso território. Proporciona um percurso pedestre e ciclável, feito de material 100% poroso, muito discreto, que disciplina o acesso, que dá segurança às pessoas e proporciona uma óptima observação daquela paisagem através dos dois miradouros de madeira.</p>
<p>Entretanto, o projecto foi também sofrendo algumas alterações. Por exemplo, foi implantada uma pequena ponte de madeira sobre uma linha de água. Em determinadas zonas iremos também avançar com uma solução mais leve de passadiços, de dimensão reduzida, de forma a não causar os problemas e possíveis impactos que os passadiços, digamos, normais, poderiam criar. Plantámos ainda 460 pinheiros. Penso, assim, que a solução encontrada protege aquele belíssimo espaço do nosso território. E esta, poderemos dizer, é a nossa preocupação essencial.</p>
<ul>
“A 2ª fase da intervenção na Ponta da Piedade vai ligar esta jóia do nosso território à praia do Pinhão”</ul>
<p><strong>AM – Que intervenção teve o Cascade neste projecto?<br />
</strong><br />
JM – Na altura, o projecto também foi consensualizado com o Cascade por a área abrangida integrar algum terreno deste empreendimento e por ser também um dos financiadores da obra.</p>
<p><strong>AM – Esta é a 1ª fase de um projecto mais abrangente. Quando é que a avança a 2ª fase?<br />
</strong><br />
JM – Esta fase estará concluída em Abril ou Maio. A 2ª fase vai ligar a Ponta da Piedade ao Pinhão. Está contratado, para lhe dar prossecução, o arquitecto que, desde a primeira hora, acompanhou todo este processo. Vamos ter que dar resposta ao estacionamento, à circulação, à defesa das arribas e a muitos outros problemas que se estendem ao longo da Costa´Doiro.</p>
<p>Trata-se de um grande desafio a que queremos deitar mãos. E logo que tivermos o programa e o projecto dessa intervenção, dá-los-emos a conhecer à população. Como Sophia de Mello Breyner era uma apaixonada por Lagos e por aquela costa, que serviu de pano de fundo a algumas das suas obras, lançámos um repto ao arquitecto para inserir no projecto alguma referência a esta escritora do nosso universo cultural e sentimental.</p>
<p>Esta 2ª fase tem muitos outros desafios a ultrapassar como o de passar por vários terrenos privados.</p>
<p><strong>AM – Quando é que o projecto desta 2ª fase estará concluído?<br />
</strong><br />
JM – Conto que esteja pronto até final deste ano. Estamos empenhadíssimos em que a requalificação da Ponta da Piedade se faça e lhe traga outra qualidade e outra preservação. Quem lá vai, sobretudo no Verão, fica com a consciência que aquela situação não se pode prolongar por muito mais tempo. Há muita gente a percorrer aquele espaço sem qualquer ordenamento e até sem a segurança devida.</p>
<p><a href="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/03/Joaquina_Matos4.jpg" rel="shadowbox[sbpost-16852];player=img;"><img src="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/03/Joaquina_Matos4-254x300.jpg" alt="Joaquina_Matos4" width="254" height="300" class="alignright size-medium wp-image-16871" /></a><strong>AM – O Hotel Golfinho há anos que se encontra em total estado de degradação. Vai apanhar a boleia da recuperação e preservação da Costa´Doiro ou vamos continuar a assistir à sua ruína contínua?<br />
</strong><br />
JM – Temos informação de que foi transacionado e está agora na posse de uma cadeia internacional de hotelaria. A Câmara recebeu a informação de que irão avançar com trabalhos de limpeza.</p>
<p><strong>AM – A ideia do grupo é recuperar o edifício ou deitá-lo abaixo e construir um novo?<br />
</strong><br />
JM – Todas as questões técnicas relacionadas com a obra terão o devido acompanhamento técnico municipal. De qualquer forma, reafirmo que foi com enorme satisfação que recebemos a notícia da possível recuperação do Hotel.</p>
<p><strong>AM – E as torres da Torraltinha vão prolongar por mais algumas décadas o seu estado de agonia?<br />
</strong><br />
JM – Foi-nos pedida uma informação prévia por parte de um grupo. Estamos a avaliar a situação bem como o que lá poderá vir a ser feito. Quer num, quer noutro caso, faremos o que nos for possível de forma a contribuir para que sejam encontradas as melhores soluções para os edifícios em causa. Esta é mais uma situação que estamos a acompanhar com entusiasmo, a da sua possível resolução.</p>
<p><strong>AM – Que tipo de projecto foi aprovado para o espaço onde funcionou o Hotel S. Cristóvão e a Adega Cooperativa?<br />
</strong><br />
JM – No lugar do edifício onde funcionou o Hotel S. Cristóvão há projecto para a construção de uma nova unidade hoteleira. No espaço da adega e de outros imóveis adjacentes, será feito um condomínio habitacional.</p>
<p><strong>AM – E quanto ao espaço do ex-Ciclo Preparatório?<br />
</strong><br />
JM – É nossa intenção demolir o que resta da antiga escola preparatória e construir naquele espaço uma nova escola EB 2,3. Embora a nossa população escolar não tenha aumentado tanto quanto desejaríamos, entendemos ser necessária mais uma EB 2,3 para dar resposta às necessidades educativas do concelho. Se, naquele espaço, não for construída uma nova escola, o terreno servirá para acolher qualquer outro equipamento público.</p>
<p><a href="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/03/Joaquina_Matos5.jpg" rel="shadowbox[sbpost-16852];player=img;"><img src="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/03/Joaquina_Matos5.jpg" alt="Joaquina_Matos5" width="720" height="407" class="aligncenter size-full wp-image-16873" /></a></p>
<ul>
&#8220;É urgente a relocalização do Hospital de Lagos&#8221;</ul>
<p><strong>AM – A Câmara tomou, já há algum tempo, posições críticas sobre algumas situações deixadas pelas obras na Estrada Nacional (EN) 125. Tem tido contactos com a Infraestruturas de Portugal para que as correcções pretendidas possam vir a ser executadas?<br />
</strong><br />
JM – Tivemos, recentemente, uma reunião com esse objectivo. E, no seu decorrer, tanto eu como o Sr. Vice-Presidente, acompanhados pelos técnicos desta área, apresentámos diversas situações que, em nosso entendimento, precisam de ser revistas. E, nessa sequência, esperamos que algumas intervenções e correcções ainda venham a ser executadas.</p>
<ul>
Em concreto, apresentámos a reivindicação de construção de duas rotundas: uma a nascente e outra a poente de Odeáxere. A variante de Odeáxere também foi uma das nossas reivindicações. E continuaremos a bater-nos pela sua construção.
</ul>
<p><strong>AM – Os traços contínuos em série vão ficar como estão ou também vão sofrer alguma correcção?<br />
</strong><br />
JM – Os responsáveis pela Infraestruturas de Portugal fazem questão de os manter tal como estão. E, para isso, alegam questões de segurança.</p>
<p><strong>AM – A Câmara vai levar a cabo uma intervenção de alguma dimensão física e financeira para reabilitar a antiga estrada da Luz. Há mais algumas intervenções equiparadas a esta a avançar nos próximos tempos?<br />
</strong><br />
JM – Para já, é o único projecto do género que temos e vai avançar muito rapidamente. Trata-se de uma obra que implica um investimento de cerca de 1.250.000€. Estamos perante uma obra essencial para aquele percurso. Com ela dar-se-á mais segurança, quer aos peões, quer aos automobilistas. Além da melhoria no pavimento viário, os trabalhos vão também incidir sobre a rede pluvial, iluminação pública, remodelação da rede de distribuição em baixa tensão e rede de telecomunicações.</p>
<p>Iremos intervir, na sua continuação, também na estrada de ligação a Burgau.</p>
<ul>
&#8220;Nova Unidade de Saúde Familiar veio permitir que mais 9 ou 10 mil cidadãos tenham médico de família&#8221;</ul>
<p><strong>AM – Foi lançada uma petição a favor da construção de um novo hospital em Lagos. Esta é, para si, uma ideia que tem mesmo pernas para andar?<br />
</strong><br />
JM – As petições e reivindicações pela relocalização do Hospital de Lagos têm já  longos anos em cima. É uma pretensão da qual nunca se desistiu. E, este ano, mais uma vez, o tema veio ao de cima.</p>
<p>De facto, a sua necessidade é mais do que urgente, estamos empenhadíssimos em resolver este problema. Para o efeito, temos, inclusivamente, espaço junto do Centro de Saúde. Sentimos a necessidade urgente de dotar o Hospital de Lagos das condições indispensáveis para poder proporcionar aos seus utentes os níveis de qualidade e conforto que o Serviço Nacional de Saúde deve proporcionar.</p>
<p>E esta é uma causa que engloba os concelhos de Lagos, Aljezur e Vila do Bispo. A ela se juntam também as suas populações e todos os que querem ver, entre nós, a saúde mais dignificada e mais bem servida.</p>
<p><strong>AM – Que avaliação faz, então, da forma como são prestados os cuidados de saúde em Lagos?<br />
</strong><br />
JM – Agora, estamos bem melhor. Desde que foi criada uma nova Unidade de Saúde Familiar, que veio permitir que mais 9 ou 10 mil cidadãos tenham médico de família, a situação sofreu uma franca melhoria. E está prestes a melhorar ainda mais com a criação de uma outra Unidade de Saúde Familiar.</p>
<p>Lagos era dos piores concelhos do Algarve em termos de cuidados primários de saúde. Mas, felizmente, com a criação desta Unidade de Saúde Familiar as coisas melhoraram. Mas para que essa melhoria prossiga, o passo a dar a seguir é o da construção do novo Parque de Saúde de Lagos.</p>
<p><strong>AM – Tem havido ligação entre os municípios de Lagos, Vila do Bispo e Aljezur, no âmbito da Associação Terras do Infante?<br />
</strong><br />
JM – Temos vindo a realizar um trabalho de conjunto muito válido em vários domínios. Até no campo da saúde.</p>
<p>Mas onde a Associação tem trabalhado muito, e desde início, é na protecção da floresta, um tema que, agora, está muito na ordem do dia. E mesmo quando não se falava tanto, esse trabalho conjunto e sistemático seguia o seu caminho. Agora, quando se olha para as Terras do Infante e se analisa o trabalho que aqui tem sido desenvolvido, considera-se mesmo que se trata de um bom trabalho.</p>
<p>Para se ficar com uma ideia de que já tem uma longa história neste domínio, diria que, logo em 2003, a Associação apresentou o primeiro plano de intervenção na floresta. Candidatou-se depois ao programa Agris em 2006/7. E, para lhe dar sequência, fez-se um investimento de 2,2 milhões de euros. Foi, então, feita uma faixa primária de gestão do combustível e continuou-se a trabalhar no terreno, todos os dias, com os nossos sapadores florestais, que têm desempenhado um trabalho muito bom.</p>
<p>“Estamos em guerra com os fogos”</p>
<p><strong>AM – A obrigatoriedade, determinada pelo Governo, de os proprietários limparem uma faixa de 50 metros à volta das casas, veio responsabilizar também as câmaras  municipais, que terão de avançar com esse trabalho caso os proprietários não o façam. Também é da opinião, expressa por muitos colegas seus, que o Governo está a atirar a “batata quente” para cima das câmaras municipais?<br />
</strong><br />
JM – De facto, a batata é quente demais, disso não temos a menor dúvida. E recai também sobre as câmaras municipais.</p>
<p>No âmbito da Associação de Municípios Terras do Infante, estamos a fazer aquilo que achamos que devemos fazer.</p>
<p>Lançámos no terreno uma campanha de sensibilização dos proprietários através de outdoors, de distribuição de panfletos e já preparámos um concurso público para, no caso de haver proprietários que não consigam limpar essa faixa de 50 metros à volta das suas casas, sermos nós a substituí-los nessa tarefa e no cumprimento da lei agora em vigor. A valorização da floresta e o reforço na prevenção dos fogos é, desde 2006, uma prioridade nos três Municípios da Associação.</p>
<p><strong>AM – As regras que estabelecem essa limpeza, numa área de 50 metros à volta das casas, parecem muito confusas. Devido a essa confusão, as pessoas, à cautela, não irão, dentro desse perímetro, abater árvores de fruto, sobreiros e outras árvores protegidas?<br />
</strong><br />
JM – Depois do que aconteceu em 2017, teremos de dizer que estamos em guerra contra o fogo. E em tempo de guerra não se limpam armas. Por isso, reforçámos a informação de forma a prevenir e acautelar que não são feitas leituras erradas.</p>
<p>É verdade que algumas medidas, devido à habituação que se criou, até podem ser difíceis de aceitar. Mas, depois de tudo o que aconteceu e com tantas vidas perdidas, alguma coisa teria de ser feita. Não se poderia cair no risco de deixar tudo como estava.</p>
<p>AM – As obras de consolidação e renovação da Ponte de D. Maria ficaram a marcar o mandato anterior. Qual ou quais são as que vão ficar a marcar o presente mandato?</p>
<p>JM – Muitas delas têm já sido abordadas ao longo desta entrevista. Acabamos, por exemplo, de falar na intervenção da primeira e segunda fase para requalificar e modernizar o Museu Municipal.</p>
<p>Também a primeira fase da requalificação e preservação da Ponta da Piedade constitui uma grande obra. Esta tem lugar entre o Canavial e esta nossa jóia costeira. A que vem a seguir, entre a Ponta da Piedade e o Pinhão, é uma obra de grande dimensão.</p>
<p>Gostaria também de frisar a 3ª fase do anel verde a que vamos deitar mão. Vem melhorar as nossas acessibilidades ao centro histórico e completar o embelezamento da frente poente das nossas muralhas. A nossa intervenção na rede viária, como na antiga estrada da Luz, é uma preocupação do nosso dia-a-dia. E teremos que voltar a referir o amplo programa de habitação que estamos a desenhar para proporcionar possibilidades a quem não tem facilidade de aceder aos preços de mercado.</p>
<p>A par destas obras e destes projectos que vão, em parte, melhorar a face do nosso concelho, está a nossa preocupação com um maior investimento na higiene e limpeza, no ambiente, em áreas sociais e na promoção das nossas actividades económicas com particular destaque para o turismo.</p>
<p>Continuaremos a trabalhar, através de grandes e pequenas realizações, para afirmar Lagos como Município onde apeteça viver, trabalhar, visitar e investir.</p>
<p><strong>Entrevista conduzida por Guedes de Oliveira e Jorge Eusébio<br />
concedida ao site Algarve Marafado<br />
e publicada na íntegra num só post pelo Algarve Express sob autorização dos seus autores</strong></p>
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		<title>“Este vai ser o mandato mais difícil”</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Feb 2018 22:30:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Temas]]></category>
		<category><![CDATA[Adelino Soares]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Vila do Bispo]]></category>

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		<description><![CDATA[Leia aqui a entrevista ao presidente da Câmara de Vila do Bispo, Adelino Soares, em que se abordam temáticas de âmbito político. Algarve Marafado (AM) – A vitória tão expressiva que conseguiu nas autárquicas surpreendeu muita gente. Também o surpreendeu a si? Adelino Soares (AS) – Para ser sincero, não me surpreendeu porque trabalhámos para [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Leia aqui a entrevista ao presidente da Câmara de Vila do Bispo, Adelino Soares, em que se abordam temáticas de âmbito político.<span id="more-16842"></span></p>
<p><strong>Algarve Marafado (AM) – A vitória tão expressiva que conseguiu nas autárquicas surpreendeu muita gente. Também o surpreendeu a si?</strong></p>
<p><strong>Adelino Soares (AS) – </strong>Para ser sincero, não me surpreendeu porque trabalhámos para isso, embora saibamos que nunca tinha acontecido uma vitória tão esmagadora (4 eleitos para a Câmara num universo de 5). É o culminar de uma série de anos de trabalho que teve o reconhecimento das pessoas do concelho.</p>
<p><strong>AM – Essa vitória ficou mais a dever-se à personalidade do Adelino Soares, à obra realizada ou a algum demérito dos seus adversários?</strong></p>
<p><strong>AS –</strong> Quando se ganha, se calhar é um bocadinho de tudo, mas acima de tudo tem a ver com a forma honesta como temos vindo a trabalhar, mesmo sem fazer grandes obras físicas, as pessoas reconhecem o quanto nos empenhamos.</p>
<p><strong>AM – Os conflitos que teve no mandato passado com pessoas que eram seus apoiantes tiveram a ver com questões políticas ou incompatibilidade pessoais?</strong></p>
<p><strong>AS – </strong>Quando há conflitos também é um bocadinho de tudo. Houve pessoas que, numa determinada altura, se concluiu que não não se reviam no nosso projecto que visa, essencialmente, o apoio à comunidade.</p>
<p><strong>AM – Agora, com maioria absoluta, vai contar com o contributo da oposição ou impor as suas posições?<br />
</strong><br />
<strong>AS – </strong>Vamos continuar a fazer como até aqui. Continuaremos a acolher tudo o que sejam projectos interessantes, embora tenhamos alguma dificuldade em perceber que projectos interessantes a oposição tem, uma vez que desconheço qualquer programa eleitoral, exceptuando o nosso.</p>
<p><strong>AM &#8211; O facto de ter agora maioria absoluta nos órgão autárquicos é uma situação confortável para si ou até já é tranquilidade a mais a que não está habituado, tendo em conta os conflitos e as dificuldades políticas que enfrentou nos mandatos anteriores?</strong></p>
<p><strong>AS – </strong>Para mim vai ser o mandato mais difícil de todos porque é o último, porque vem na sequência de algum destaque que tivemos a nível nacional, com prémios atribuídos. Somos dos melhores municípios do país em termos do índice de transparência, somos dos melhores municípios do país a nível informático, temos respondido muito bem às necessidades dos cidadãos e isso só nos dá mais responsabilidades neste mandato.</p>
<p>Isto é quase aquele tipo de situação de que quando se está no topo, a tendência é de queda, não queremos que isso aconteça e quem quer sair a bem, com uma governação marcante, não pode alguma vez pensar que isto está tudo ganho, que já não há mais nada a fazer.</p>
<p>Sabendo que reduzimos muita dívida e havendo agora liquidez para investir e a oportunidade de aproveitar este novo quadro comunitário de apoio, é nossa ideia agarrar essas oportunidades…  este será o mandato mais difícil, mas provavelmente o de maior visibilidade. Tivemos, no início, algumas dificuldades a nível financeiro, hoje isso não acontece, mas a responsabilidade é a mesma.</p>
<p><strong>AM – Foi difícil convencer o PS, a nível nacional, a apoiá-lo contra os elementos que, na altura, estavam à frente da comissão política local?<br />
</strong><br />
<strong>AS –</strong> A nível local não me quiseram, a nível regional também foi assumido que apoiavam a estrutura que liderava a concelhia e a decisão veio de Lisboa. Fiquei satisfeito, trabalhei para que isso acontecesse, mas se não tivesse acontecido teria sido candidato na mesma.</p>
<p><strong>AM – Ficou magoado com a Federação do PS por não o ter apoiado? Como é que está o seu relacionamento com os órgãos regionais do PS?<br />
</strong><br />
<strong>AS –</strong> Na minha vida não costumo guardar mágoas. Defino aquilo que são as prioridades para mim, para o município – e por isso disse sempre que iria ser candidato, independentemente de ter ou não o apoio do partido, porque tinha esse compromisso com a população – e acabei por ter o apoio do PS, a nível nacional, que é quem tem a última palavra.</p>
<p>Não há mágoa nenhuma, houve diferentes visões políticas e quem tomou a decisão [a nível regional] será responsabilizado por isso na altura em que, eventualmente, for chamado a eleições no próprio partido. Aliás, as eleições a nível regional vão ter lugar brevemente e já decidi apoiar o Luís Graça, que foi uma pessoa que sempre esteve ao meu lado.</p>
<p><strong>
<ul> &#8220;Ser deputado? Porque não? Já vi muitos com menos capacidade do que eu ocuparem esse cargo.&#8221; </ul>
<p></strong></p>
<p><a href="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/02/Adelino_Soares2.jpg" rel="shadowbox[sbpost-16842];player=img;"><img src="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/02/Adelino_Soares2.jpg" alt="Adelino_Soares2" width="720" height="406" class="aligncenter size-full wp-image-16832" /></a></p>
<p><strong>AM – Algumas concelhias do PS foram a votos em Janeiro, outras, como a de Vila do Bispo, ainda não foram, creio que isso vai acontecer em Março. Consta que vai avançar para a presidência da concelhia. Confirma isso?</strong></p>
<p><strong>AS –</strong> Confirmo, vou concorrer. Não sou muito defensor de que quem é presidente de Câmara seja também presidente da estrutura partidária local, mas tendo em conta o que aconteceu nos últimos anos em que assumi esse princípio e não me dei muito bem, acho que é a melhor decisão, até porque não vou decidir nada para mim no futuro, uma vez que já não posso ser candidato à presidência da Câmara. Mas quero criar condições para que haja estabilidade partidária e para que ela se mantenha quando eu sair. Portanto, vou envolver-me a nível partidário, vou concorrer e se ganhar vou trabalhar para que o processo de candidaturas aos próximos órgãos autárquicos decorra de forma tranquila.</p>
<p><strong>AM – A nível nacional, como é que vê a governação socialista apoiada por PCP e Bloco, uma realidade nova na política nacional?<br />
</strong><br />
<strong>AS – </strong>Quem, como eu, governou a fazer negociações e a ultrapassar dificuldades, sabe que não é uma situação fácil, seria melhor que o PS tivesse maioria para implementar determinadas políticas.</p>
<p>Pessoalmente, faço uma avaliação muito positiva, o país está melhor, tem vindo a crescer, tem-se restituído alguns direitos aos trabalhadores e aos próprios município.</p>
<p>É certo que parte dessa melhoria depende da conjuntura internacional, mas há muito mérito da parte do Governo e sobretudo do 1º ministro, que tem sabido ultrapassar situações complicadas, tem um grande poder negocial, tem sido um excelente governante e um grande estratega político.</p>
<p><strong>AM – Pensa que Rui Rio vai ser um adversário mais ou menos difícil do que Passos Coelho para António Costa?<br />
</strong><br />
<strong>AS –</strong> Acho que isso vai ter a ver sobretudo com o mérito ou demérito do Governo e de António Costa. Se continuar a governar assim, ganhará por mérito, independentemente de quem for o adversário. Acho que o PS vai merecer, novamente, a confiança dos portugueses devido ao excelente trabalho que está a fazer.</p>
<p><strong>AM – Está a cumprir o seu último mandato. Já pensou o que vai fazer depois?<br />
</strong><br />
<strong>AS – </strong>Não sei se irei ou não cumprir os 4 anos do mandato. Mas, independentemente disso acontecer ou não, é legítimo que queira ter outro cargo, a fazer algo  que me motive e me faça sentir realizado, dentro da política ou no sector privado. Quanto melhor for o meu mandato, quanto mais empenhado aqui estiver, mais possibilidades terei de que isso aconteça.</p>
<p><strong>AM – Vê com bons olhos, por exemplo, a possibilidade de ser deputado?<br />
</strong><br />
<strong>AS – </strong>Porque não? Já vi muitos com menos capacidade do que eu ocuparem esse cargo. Mas se não for no plano político será no privado, porque acredito nas minhas capacidades, no trabalho que tenho vindo a fazer num território que não é fácil. Uma coisa é ser presidente de Câmara de uma capital  de distrito ou de um município com grandes capacidades financeiras e com grande visibilidade, outra coisa é ser presidente de um território com dificuldades económicas, com muito menos visibilidade e conseguir fazer com que seja reconhecido em todo o país… acho que isso deve-se também a alguma capacidade autárquica.</p>
<ul>
“Nunca houve, não há e dificilmente haverá qualquer tipo de conflito com Sousa Cintra”
</ul>
<p><strong>AM – Sousa Cintra é um empresário de relevo do concelho, que o apoiou e ajudou a chegar à presidência da Câmara. Contudo, ultimamente, parece haver um certo virar de costas. A que se deve esse distanciamento?<br />
</strong><br />
AS – Não há distanciamento nenhum. Como existe uma relação pessoal, também existe uma institucional, nem sempre as partes concordam com tudo, muito embora a minha perspectiva de governar seja que a melhor situação é a que satisfaz ambas as partes.</p>
<p>Quando isso não acontece, cada uma delas – seja da parte do senhor Sousa Cintra, seja da parte do município – manifesta esse descontentamento e defende o que considera serem os seus interesses. Agora, nunca houve, não há e dificilmente haverá qualquer tipo de conflito com Sousa Cintra.</p>
<p><strong>AM – Ele está ligado à prospecção de petróleo, actividade que não é muito popular no Algarve. Isso não lhe poderá trazer a si alguns problemas de índole política?<br />
</strong><br />
AS – Não. Ele, como empresário, optou por um determinado investimento, ganhou essa concessão e deve lutar pelos seus interesses.</p>
<p>Do ponto de vista político do município e até da própria região do Algarve, somos oposição a esse tipo de exploração, até porque o mundo está muito mais virado para as energias verdes, é completamente despropositado, nesta altura, quando a aposta do Governo é ir no sentido da descarbonização, estar a fazer precisamente o contrário.</p>
<p>Agora, ele, evidentemente, lutará por aquilo que são os seus interesses e eu, como autarca, luto contra a prospecção e exploração de hidrocarbonetos porque acho que é prejudicial para a região e para o turismo.</p>
<p><strong>AM – O Parque Natural da Costa Vicentina (PNCV) estava sempre no vocabulário do seu antecessor, que o via como como um travão ao desenvolvimento do concelho de Vila do Bispo. Para si, é uma mais-valia ou também acha que coloca em causa o desenvolvimento?</strong></p>
<p>AS – O que acho é que há regras do Parque Natural que devem adaptar-se um bocadinho ao que são as necessidades da população. Pensa-se na fauna e na flora, pensa-se  no território e, muitas vezes, esquece-se o ser humano e não serve de nada ter um Parque Natural se ele não estiver, também, ao serviço do homem.</p>
<p>Nesta altura está a decorrer um processo de alteração ao Plano de Ordenamento, que vai passar para Plano Especial. Espero que isso seja aproveitado para eliminar erros e corrigir  algumas incongruências que existem.</p>
<p><strong>AM – É seu objectivo preservar os valores ambientais e o actual modelo turístico e de desenvolvimento do concelho, que tem ido em sentido diferente da generalidade da região?<br />
</strong><br />
AS – Este é um concelho com características diferentes e o que é importante para nós é saber explorar essas diferenças e as nossas potencialidades ao máximo, a bem da população.</p>
<p>Hoje, o turismo de natureza é algo que acrescenta valor e, nesse âmbito, temos sabido explorar muito bem o território, salvaguardando, claro está, a sua natureza e todo o seu património cultural e natural, isso é importante e é essa estratégia que vamos continuar a desenvolver.</p>
<ol>
Investimento na ‘obra humana’
</ol>
<p><a href="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/02/Adelino_Soares3.jpg" rel="shadowbox[sbpost-16842];player=img;"><img src="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/02/Adelino_Soares3.jpg" alt="Adelino_Soares3" width="720" height="400" class="aligncenter size-full wp-image-16847" /></a><strong>AM – Quais foram as obras mais importantes que ficaram dos mandatos anteriores?<br />
</strong><br />
AS – A grande obra, se calhar, é a obra humana. Temos apoiado muitas famílias com dificuldades económicas, a vários níveis, e ficamos satisfeitos por saber que estamos num território onde não existe pobreza, onde não existe fome, onde não existe ninguém que esteja a viver na rua, onde qualquer família que tenha dificuldades económicas pode ter o apoio do Município, essa é a maior obra.</p>
<p>Isso não nos impediu de fazermos algumas obras físicas. Posso fala, por exemplo, da construção de uma nova escola em Budens, pela importância que isso tem, ao nível da educação. Trata-se de um edifício escolar que esteve para fechar e hoje está completamente cheio.</p>
<p>Posso falar também, a outro nível, da construção da nova ETAR de Sagres e Vila do Bispo. Durante muitos anos não houve qualquer tipo de tratamento do saneamento básico ao nível do que é exigível e hoje temos esta infra-estrutura, que vem colocar o Município de Vila do Bispo na vanguarda daquilo que são os equipamentos básicos para as populações, preservando, ao mesmo tempo, os valores ambientais.</p>
<p><strong>AM – Foi a aposta na dimensão humana que lhe deu uma vitória retumbante nas eleições?<br />
</strong><br />
AS – Acho que sim. Não só porque os apoios sociais que proporcionámos foram importantes para qualquer um dos cidadãos em causa, mas também porque a obra humana nem sempre é apenas direccionada para as pessoas mais necessitadas, do meu ponto de vista, ela também acontece quando, por exemplo, a autarquia consegue dar respostas em tempo útil que permitam aos empresários verem os seus problemas resolvidos rapidamente.</p>
<p><strong>AM – Quais são as principais obras que vai desenvolver ao longo do mandato?<br />
</strong><br />
AS – Temos algumas intervenções na rede viária. Em Vila do Bispo está, neste momento, a decorrer uma empreitada de mais de meio milhão de euros na rede viária e com esta intervenção vamos deixar de ter arruamentos municipais na zona urbana sem estarem pavimentados, pelo menos, em Vila do Bispo, uma estratégia que iremos estender ao resto do concelho.</p>
<p>Temos a ecovia/ciclovia, que vai ser uma obra marcante ao nível do turismo de natureza e que vai ligar os quatro municípios da Costa Vicentina, e que tem cerca de 90% de financiamento comunitário.</p>
<p>Destaco ainda a sede do Clube Recreativo Infante de Sagres, uma colectividade que tem quase 80 anos, que desenvolve muita actividade e nunca teve um espaço.</p>
<p>Destaco, ainda, a obra dos Celeiros da História, acredito que vai ser a mais marcante das últimas décadas em Vila do Bispo.</p>
<p><strong>AM – Como é que está esse processo?<br />
</strong><br />
AS – A obra física já começou, deverá estar concluída no prazo de um ano, em Janeiro de 2019, e depois vamos ter um período para equipar o interior. Estamos a falar de um equipamento estilo museu.</p>
<p>A obra foi consignada por perto de um milhão e meio de euros, vamos gastar mais 70 mil euros em projecto, poderemos gastar 200 ou 300 mil euros no interior, portanto, deverá ser uma obra que custará à volta de 2 milhões de euros.</p>
<p><strong>AM – Uma vez concluído, que mais-valia fundamental acha que vai trazer para o concelho?<br />
</strong><br />
AS – Para já, vai ser diferente daquilo que é habitual daquilo que é o conceito de museu, de espaço expositivo. Aqui, a ideia é como se fosse um grande posto de turismo onde as pessoas podem tomar contacto com tudo aquilo que são as potencialidades do concelho, desde a geologia, passando pela palonteologia, à própria história dos Descobrimentos, à etnografia, tudo isso poderá ser visitado num único espaço e vai permitir que os visitantes possam, posteriormente, ir a diversos locais do concelho verificar no terreno, mais especificamente, cada uma das áreas que lhes interessa.</p>
<p><strong>AM – Será, também, imagino eu, uma forma de trazer mais pessoas à sede da freguesia, uma vez que, como se sabe, a esmagadora maioria das pessoas que vem ao concelho é para visitar Sagres?<br />
</strong><br />
AS – Sim. Um turista que venha ao nosso concelho, sabendo deste equipamento, pode visitá-lo e ficar com a noção daquilo que são as realidades locais, mas aquele também será um espaço para ser visitado pela população local, que desconhece muito daquilo que são as nossas potencialidades, embora tenhamos feito um trabalho enorme em termos de divulgação.</p>
<p><strong>Entrevista conduzida por Guedes de Oliveira e Jorge Eusébio<br />
concedida ao site Algarve Marafado<br />
e publicada pelo Algarve Express sob autorização dos seus autores</strong></p>
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		<title>“Este vai ser o mandato mais difícil”</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Feb 2018 22:30:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Rodrigues</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[Adelino Soares]]></category>
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		<description><![CDATA[Leia aqui a entrevista ao presidente da Câmara de Vila do Bispo, Adelino Soares, em que se abordam temáticas de âmbito político. Algarve Marafado (AM) – A vitória tão expressiva que conseguiu nas autárquicas surpreendeu muita gente. Também o surpreendeu a si? Adelino Soares (AS) – Para ser sincero, não me surpreendeu porque trabalhámos para [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Leia aqui a entrevista ao presidente da Câmara de Vila do Bispo, Adelino Soares, em que se abordam temáticas de âmbito político.<span id="more-16830"></span></p>
<p><strong>Algarve Marafado (AM) – A vitória tão expressiva que conseguiu nas autárquicas surpreendeu muita gente. Também o surpreendeu a si?</strong></p>
<p><strong>Adelino Soares (AS) – </strong>Para ser sincero, não me surpreendeu porque trabalhámos para isso, embora saibamos que nunca tinha acontecido uma vitória tão esmagadora (4 eleitos para a Câmara num universo de 5). É o culminar de uma série de anos de trabalho que teve o reconhecimento das pessoas do concelho.</p>
<p><strong>AM – Essa vitória ficou mais a dever-se à personalidade do Adelino Soares, à obra realizada ou a algum demérito dos seus adversários?</strong></p>
<p><strong>AS –</strong> Quando se ganha, se calhar é um bocadinho de tudo, mas acima de tudo tem a ver com a forma honesta como temos vindo a trabalhar, mesmo sem fazer grandes obras físicas, as pessoas reconhecem o quanto nos empenhamos.</p>
<p><strong>AM – Os conflitos que teve no mandato passado com pessoas que eram seus apoiantes tiveram a ver com questões políticas ou incompatibilidade pessoais?</strong></p>
<p><strong>AS – </strong>Quando há conflitos também é um bocadinho de tudo. Houve pessoas que, numa determinada altura, se concluiu que não não se reviam no nosso projecto que visa, essencialmente, o apoio à comunidade.</p>
<p><strong>AM – Agora, com maioria absoluta, vai contar com o contributo da oposição ou impor as suas posições?<br />
</strong><br />
<strong>AS – </strong>Vamos continuar a fazer como até aqui. Continuaremos a acolher tudo o que sejam projectos interessantes, embora tenhamos alguma dificuldade em perceber que projectos interessantes a oposição tem, uma vez que desconheço qualquer programa eleitoral, exceptuando o nosso.</p>
<p><strong>AM &#8211; O facto de ter agora maioria absoluta nos órgão autárquicos é uma situação confortável para si ou até já é tranquilidade a mais a que não está habituado, tendo em conta os conflitos e as dificuldades políticas que enfrentou nos mandatos anteriores?</strong></p>
<p><strong>AS – </strong>Para mim vai ser o mandato mais difícil de todos porque é o último, porque vem na sequência de algum destaque que tivemos a nível nacional, com prémios atribuídos. Somos dos melhores municípios do país em termos do índice de transparência, somos dos melhores municípios do país a nível informático, temos respondido muito bem às necessidades dos cidadãos e isso só nos dá mais responsabilidades neste mandato.</p>
<p>Isto é quase aquele tipo de situação de que quando se está no topo, a tendência é de queda, não queremos que isso aconteça e quem quer sair a bem, com uma governação marcante, não pode alguma vez pensar que isto está tudo ganho, que já não há mais nada a fazer.</p>
<p>Sabendo que reduzimos muita dívida e havendo agora liquidez para investir e a oportunidade de aproveitar este novo quadro comunitário de apoio, é nossa ideia agarrar essas oportunidades…  este será o mandato mais difícil, mas provavelmente o de maior visibilidade. Tivemos, no início, algumas dificuldades a nível financeiro, hoje isso não acontece, mas a responsabilidade é a mesma.</p>
<p><strong>AM – Foi difícil convencer o PS, a nível nacional, a apoiá-lo contra os elementos que, na altura, estavam à frente da comissão política local?<br />
</strong><br />
<strong>AS –</strong> A nível local não me quiseram, a nível regional também foi assumido que apoiavam a estrutura que liderava a concelhia e a decisão veio de Lisboa. Fiquei satisfeito, trabalhei para que isso acontecesse, mas se não tivesse acontecido teria sido candidato na mesma.</p>
<p><strong>AM – Ficou magoado com a Federação do PS por não o ter apoiado? Como é que está o seu relacionamento com os órgãos regionais do PS?<br />
</strong><br />
<strong>AS –</strong> Na minha vida não costumo guardar mágoas. Defino aquilo que são as prioridades para mim, para o município – e por isso disse sempre que iria ser candidato, independentemente de ter ou não o apoio do partido, porque tinha esse compromisso com a população – e acabei por ter o apoio do PS, a nível nacional, que é quem tem a última palavra.</p>
<p>Não há mágoa nenhuma, houve diferentes visões políticas e quem tomou a decisão [a nível regional] será responsabilizado por isso na altura em que, eventualmente, for chamado a eleições no próprio partido. Aliás, as eleições a nível regional vão ter lugar brevemente e já decidi apoiar o Luís Graça, que foi uma pessoa que sempre esteve ao meu lado.</p>
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<ul> &#8220;Ser deputado? Porque não? Já vi muitos com menos capacidade do que eu ocuparem esse cargo.&#8221; </ul>
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<p><a href="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/02/Adelino_Soares2.jpg" rel="shadowbox[sbpost-16830];player=img;"><img src="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/02/Adelino_Soares2.jpg" alt="Adelino_Soares2" width="720" height="406" class="aligncenter size-full wp-image-16832" /></a></p>
<p><strong>AM – Algumas concelhias do PS foram a votos em Janeiro, outras, como a de Vila do Bispo, ainda não foram, creio que isso vai acontecer em Março. Consta que vai avançar para a presidência da concelhia. Confirma isso?</strong></p>
<p><strong>AS –</strong> Confirmo, vou concorrer. Não sou muito defensor de que quem é presidente de Câmara seja também presidente da estrutura partidária local, mas tendo em conta o que aconteceu nos últimos anos em que assumi esse princípio e não me dei muito bem, acho que é a melhor decisão, até porque não vou decidir nada para mim no futuro, uma vez que já não posso ser candidato à presidência da Câmara. Mas quero criar condições para que haja estabilidade partidária e para que ela se mantenha quando eu sair. Portanto, vou envolver-me a nível partidário, vou concorrer e se ganhar vou trabalhar para que o processo de candidaturas aos próximos órgãos autárquicos decorra de forma tranquila.</p>
<p><strong>AM – A nível nacional, como é que vê a governação socialista apoiada por PCP e Bloco, uma realidade nova na política nacional?<br />
</strong><br />
<strong>AS – </strong>Quem, como eu, governou a fazer negociações e a ultrapassar dificuldades, sabe que não é uma situação fácil, seria melhor que o PS tivesse maioria para implementar determinadas políticas.</p>
<p>Pessoalmente, faço uma avaliação muito positiva, o país está melhor, tem vindo a crescer, tem-se restituído alguns direitos aos trabalhadores e aos próprios município.</p>
<p>É certo que parte dessa melhoria depende da conjuntura internacional, mas há muito mérito da parte do Governo e sobretudo do 1º ministro, que tem sabido ultrapassar situações complicadas, tem um grande poder negocial, tem sido um excelente governante e um grande estratega político.</p>
<p><strong>AM – Pensa que Rui Rio vai ser um adversário mais ou menos difícil do que Passos Coelho para António Costa?<br />
</strong><br />
<strong>AS –</strong> Acho que isso vai ter a ver sobretudo com o mérito ou demérito do Governo e de António Costa. Se continuar a governar assim, ganhará por mérito, independentemente de quem for o adversário. Acho que o PS vai merecer, novamente, a confiança dos portugueses devido ao excelente trabalho que está a fazer.</p>
<p><strong>AM – Está a cumprir o seu último mandato. Já pensou o que vai fazer depois?<br />
</strong><br />
<strong>AS – </strong>Não sei se irei ou não cumprir os 4 anos do mandato. Mas, independentemente disso acontecer ou não, é legítimo que queira ter outro cargo, a fazer algo  que me motive e me faça sentir realizado, dentro da política ou no sector privado. Quanto melhor for o meu mandato, quanto mais empenhado aqui estiver, mais possibilidades terei de que isso aconteça.</p>
<p><strong>AM – Vê com bons olhos, por exemplo, a possibilidade de ser deputado?<br />
</strong><br />
<strong>AS – </strong>Porque não? Já vi muitos com menos capacidade do que eu ocuparem esse cargo. Mas se não for no plano político será no privado, porque acredito nas minhas capacidades, no trabalho que tenho vindo a fazer num território que não é fácil. Uma coisa é ser presidente de Câmara de uma capital  de distrito ou de um município com grandes capacidades financeiras e com grande visibilidade, outra coisa é ser presidente de um território com dificuldades económicas, com muito menos visibilidade e conseguir fazer com que seja reconhecido em todo o país… acho que isso deve-se também a alguma capacidade autárquica.</p>
<ul>
“Nunca houve, não há e dificilmente haverá qualquer tipo de conflito com Sousa Cintra”
</ul>
<p><strong>AM – Sousa Cintra é um empresário de relevo do concelho, que o apoiou e ajudou a chegar à presidência da Câmara. Contudo, ultimamente, parece haver um certo virar de costas. A que se deve esse distanciamento?<br />
</strong><br />
AS – Não há distanciamento nenhum. Como existe uma relação pessoal, também existe uma institucional, nem sempre as partes concordam com tudo, muito embora a minha perspectiva de governar seja que a melhor situação é a que satisfaz ambas as partes.</p>
<p>Quando isso não acontece, cada uma delas – seja da parte do senhor Sousa Cintra, seja da parte do município – manifesta esse descontentamento e defende o que considera serem os seus interesses. Agora, nunca houve, não há e dificilmente haverá qualquer tipo de conflito com Sousa Cintra.</p>
<p><strong>AM – Ele está ligado à prospecção de petróleo, actividade que não é muito popular no Algarve. Isso não lhe poderá trazer a si alguns problemas de índole política?<br />
</strong><br />
AS – Não. Ele, como empresário, optou por um determinado investimento, ganhou essa concessão e deve lutar pelos seus interesses.</p>
<p>Do ponto de vista político do município e até da própria região do Algarve, somos oposição a esse tipo de exploração, até porque o mundo está muito mais virado para as energias verdes, é completamente despropositado, nesta altura, quando a aposta do Governo é ir no sentido da descarbonização, estar a fazer precisamente o contrário.</p>
<p>Agora, ele, evidentemente, lutará por aquilo que são os seus interesses e eu, como autarca, luto contra a prospecção e exploração de hidrocarbonetos porque acho que é prejudicial para a região e para o turismo.</p>
<p><strong>AM – O Parque Natural da Costa Vicentina (PNCV) estava sempre no vocabulário do seu antecessor, que o via como como um travão ao desenvolvimento do concelho de Vila do Bispo. Para si, é uma mais-valia ou também acha que coloca em causa o desenvolvimento?</strong></p>
<p>AS – O que acho é que há regras do Parque Natural que devem adaptar-se um bocadinho ao que são as necessidades da população. Pensa-se na fauna e na flora, pensa-se  no território e, muitas vezes, esquece-se o ser humano e não serve de nada ter um Parque Natural se ele não estiver, também, ao serviço do homem.</p>
<p>Nesta altura está a decorrer um processo de alteração ao Plano de Ordenamento, que vai passar para Plano Especial. Espero que isso seja aproveitado para eliminar erros e corrigir  algumas incongruências que existem.</p>
<p><strong>AM – É seu objectivo preservar os valores ambientais e o actual modelo turístico e de desenvolvimento do concelho, que tem ido em sentido diferente da generalidade da região?<br />
</strong><br />
AS – Este é um concelho com características diferentes e o que é importante para nós é saber explorar essas diferenças e as nossas potencialidades ao máximo, a bem da população.</p>
<p>Hoje, o turismo de natureza é algo que acrescenta valor e, nesse âmbito, temos sabido explorar muito bem o território, salvaguardando, claro está, a sua natureza e todo o seu património cultural e natural, isso é importante e é essa estratégia que vamos continuar a desenvolver.</p>
<ol>
Investimento na ‘obra humana’
</ol>
<p><a href="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/02/Adelino_Soares3.jpg" rel="shadowbox[sbpost-16830];player=img;"><img src="http://www.algarveexpress.pt/wp-content/uploads/2018/02/Adelino_Soares3.jpg" alt="Adelino_Soares3" width="720" height="400" class="aligncenter size-full wp-image-16847" /></a><strong>AM – Quais foram as obras mais importantes que ficaram dos mandatos anteriores?<br />
</strong><br />
AS – A grande obra, se calhar, é a obra humana. Temos apoiado muitas famílias com dificuldades económicas, a vários níveis, e ficamos satisfeitos por saber que estamos num território onde não existe pobreza, onde não existe fome, onde não existe ninguém que esteja a viver na rua, onde qualquer família que tenha dificuldades económicas pode ter o apoio do Município, essa é a maior obra.</p>
<p>Isso não nos impediu de fazermos algumas obras físicas. Posso fala, por exemplo, da construção de uma nova escola em Budens, pela importância que isso tem, ao nível da educação. Trata-se de um edifício escolar que esteve para fechar e hoje está completamente cheio.</p>
<p>Posso falar também, a outro nível, da construção da nova ETAR de Sagres e Vila do Bispo. Durante muitos anos não houve qualquer tipo de tratamento do saneamento básico ao nível do que é exigível e hoje temos esta infra-estrutura, que vem colocar o Município de Vila do Bispo na vanguarda daquilo que são os equipamentos básicos para as populações, preservando, ao mesmo tempo, os valores ambientais.</p>
<p><strong>AM – Foi a aposta na dimensão humana que lhe deu uma vitória retumbante nas eleições?<br />
</strong><br />
AS – Acho que sim. Não só porque os apoios sociais que proporcionámos foram importantes para qualquer um dos cidadãos em causa, mas também porque a obra humana nem sempre é apenas direccionada para as pessoas mais necessitadas, do meu ponto de vista, ela também acontece quando, por exemplo, a autarquia consegue dar respostas em tempo útil que permitam aos empresários verem os seus problemas resolvidos rapidamente.</p>
<p><strong>AM – Quais são as principais obras que vai desenvolver ao longo do mandato?<br />
</strong><br />
AS – Temos algumas intervenções na rede viária. Em Vila do Bispo está, neste momento, a decorrer uma empreitada de mais de meio milhão de euros na rede viária e com esta intervenção vamos deixar de ter arruamentos municipais na zona urbana sem estarem pavimentados, pelo menos, em Vila do Bispo, uma estratégia que iremos estender ao resto do concelho.</p>
<p>Temos a ecovia/ciclovia, que vai ser uma obra marcante ao nível do turismo de natureza e que vai ligar os quatro municípios da Costa Vicentina, e que tem cerca de 90% de financiamento comunitário.</p>
<p>Destaco ainda a sede do Clube Recreativo Infante de Sagres, uma colectividade que tem quase 80 anos, que desenvolve muita actividade e nunca teve um espaço.</p>
<p>Destaco, ainda, a obra dos Celeiros da História, acredito que vai ser a mais marcante das últimas décadas em Vila do Bispo.</p>
<p><strong>AM – Como é que está esse processo?<br />
</strong><br />
AS – A obra física já começou, deverá estar concluída no prazo de um ano, em Janeiro de 2019, e depois vamos ter um período para equipar o interior. Estamos a falar de um equipamento estilo museu.</p>
<p>A obra foi consignada por perto de um milhão e meio de euros, vamos gastar mais 70 mil euros em projecto, poderemos gastar 200 ou 300 mil euros no interior, portanto, deverá ser uma obra que custará à volta de 2 milhões de euros.</p>
<p><strong>AM – Uma vez concluído, que mais-valia fundamental acha que vai trazer para o concelho?<br />
</strong><br />
AS – Para já, vai ser diferente daquilo que é habitual daquilo que é o conceito de museu, de espaço expositivo. Aqui, a ideia é como se fosse um grande posto de turismo onde as pessoas podem tomar contacto com tudo aquilo que são as potencialidades do concelho, desde a geologia, passando pela palonteologia, à própria história dos Descobrimentos, à etnografia, tudo isso poderá ser visitado num único espaço e vai permitir que os visitantes possam, posteriormente, ir a diversos locais do concelho verificar no terreno, mais especificamente, cada uma das áreas que lhes interessa.</p>
<p><strong>AM – Será, também, imagino eu, uma forma de trazer mais pessoas à sede da freguesia, uma vez que, como se sabe, a esmagadora maioria das pessoas que vem ao concelho é para visitar Sagres?<br />
</strong><br />
AS – Sim. Um turista que venha ao nosso concelho, sabendo deste equipamento, pode visitá-lo e ficar com a noção daquilo que são as realidades locais, mas aquele também será um espaço para ser visitado pela população local, que desconhece muito daquilo que são as nossas potencialidades, embora tenhamos feito um trabalho enorme em termos de divulgação.</p>
<p><strong>Entrevista conduzida por Guedes de Oliveira e Jorge Eusébio<br />
concedida ao site Algarve Marafado<br />
e publicada pelo Algarve Express sob autorização dos seus autores</strong></p>
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		<title>“Defender o Hospital de Lagos é defender a saúde das populações de Lagos, Vila do Bispo e Aljezur”</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Nov 2016 17:26:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Joaquina Matos]]></category>
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		<description><![CDATA[Foi há três anos atrás que esta presidência se iniciou e que Joaquina Matos inaugurou, em Lagos, um novo mandato autárquico. Pela primeira vez, uma mulher passava a presidir aos destinos da autarquia com o propósito de se aproximar e de criar um novo relacionamento com todo o tecido social, económico e cultural. A par [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Foi há três anos atrás que esta presidência se iniciou e que Joaquina Matos inaugurou, em Lagos, um novo mandato autárquico. Pela primeira vez, uma mulher passava a presidir aos destinos da autarquia com o propósito de se aproximar e de criar um novo relacionamento com todo o tecido social, económico e cultural. A par destas boas intenções, moravam outras pretensões; as de equilibrar as depauperadas finanças da Câmara.<span id="more-16032"></span></p>
<p>Com o mandato em recta descendente, é altura de o analisar já que o tempo que está por diante começa a ser de uma campanha velada ou assumida por todos os agentes políticos. Com o intuito desse balanço, desafiamos Joaquina Matos a percorrer e a dizer o que fez ou o que ainda tem por fazer nesta etapa que falta percorrer até às eleições que se aproximam a passos bem apressados. E uma pergunta que não poderia faltar é se vai continuar ou se dá já por terminada a sua refrega política.</p>
<p>Mas, para além das questões de política mais caseira, quisemos percorrer os caminhos da saúde, da educação, de monumentos que há que recuperar, do ambiente com a recolha do lixo que nos tem vindo a castigar e o das finanças públicas que se começam a equilibrar. Também algumas obras em curso e as que se pretendem fazer mereceram a nossa atenção bem como outros campos de intervenção.</p>
<p>Foi uma conversa fluida e muito abrangente em que a nossa entrevistada se foi soltando e dando largas ao que fez, ao que pretendia fazer e sem esquecer a equipa que a acompanha e que quer levar para, conforme é sua intenção, inaugurar um segundo mandato à frente da Câmara de Lagos.</p>
<p>Esta 1ª parte da entrevista é dedicada às questões políticas e ao relacionamento com o Governo.</strong></p>
<p><strong>Algarve Marafado (AM) – A sua chegada à presidência da Câmara de Lagos deveu-se mais à famosa lei da paridade ou às suas qualidade políticas?<br />
</strong><br />
Joaquina Matos (JM) – Não é fácil estar a pronunciarmo-nos em causa própria. Mas sempre lhe poderei dizer que a minha chegada à presidência da Câmara de Lagos teve muito a ver com o meu percurso de vida. Como sabe, possuo experiência como autarca. Nesta qualidade, fui membro da Assembleia Municipal, fui vereadora na oposição e, nos últimos dez anos, desempenhei as funções de vice-presidente. Toda a experiência que fui adquirindo foi muito importante para aceder a estas funções que, presentemente, estou a desempenhar à frente dos destinos do município de Lagos.</p>
<p><strong>AM – E como é que tem sido este desafio para si?</strong></p>
<p><strong>JM</strong> – Como se poderá compreender, são funções muito absorventes mas, ao mesmo tempo, também bastante aliciantes. É gratificante saber que estamos a resolver os problemas de muitas pessoas. Quando vemos que o nosso trabalho está a contribuir para o bem-estar de todos, sentimo-nos compensados e incentivados a trabalhar cada vez mais e melhor.</p>
<p><strong>AM – Está a preparar-se para continuar?</strong></p>
<p><strong>JM</strong> – Não direi que estou a preparar-me para continuar, pois a nossa continuação obedecerá a um processo natural. Estamos a desenvolver um trabalho que requer continuidade, mas para isso, o partido terá de nos convidar. Posso, por isso, dizer que, com tudo a correr dentro da normalidade, tudo indica que possamos continuar.</p>
<p><strong>AM – Pensa continuar com a equipa que a acompanha ou tenciona fazer alguma renovação?<br />
</strong><br />
<strong>JM</strong> – Temos desenvolvido um bom trabalho de equipa e de inter-ajuda. À medida que vamos trabalhando, vamo-nos melhor conhecendo e melhorando esse trabalho. Em princípio, é para continuar com as pessoas que estão comigo. Como se costuma dizer, em equipa que ganha não se mexe. E esse é o nosso intuito.</p>
<ul>
“Desconheço qualquer pretensão de integração de António Marreiros num novo grupo, plataforma ou força política”
</ul>
<p><strong>AM – Ao longo do mandato, passou já por alguns ‘sobressaltos’. E um deles foi o da saída da vereadora Maria Fernanda Afonso. O que é que esteve na origem dessa saída: problemas de incompatibilidades, visões diferentes ou concepções divergentes na forma de encarar a gestão dos destinos do município?<br />
</strong><br />
<strong>JM</strong> – A professora Maria Fernanda Afonso foi nossa vereadora integrando a equipa inicial. Desenvolveu o seu trabalho com competência e muita dedicação. Por isso, só temos de lhe estar gratos. A determinada altura tomou outra opção – a de pedir a renúncia ao mandato. Só temos que a respeitar e seguir em frente. Desejamos-lhe tudo de bom e, da nossa parte, continuamos a trabalhar e a fazer o nosso melhor.</p>
<p><strong>AM – É por isso que, caso seja eleita, para evitar outros sobressaltos, vai levar consigo a equipa que a acompanha e que já conhece bem?<br />
</strong><br />
<strong>JM</strong> –  Em relação a este grupo, posso dizer que ganhámos experiência, conhecemo-nos bem e, à medida que trabalhamos, vamos reforçando laços de cumplicidade e amizade. Aprendemos, cada vez mais, a funcionar como equipa, observamos com entusiasmo os bons momentos e sabemos ser solidários para ultrapassar os obstáculos que nos surjam pelo caminho. Encaramos as dificuldades com determinação e com respeito de uns para com os outros.</p>
<p><strong>AM – Consta, nos meios políticos, que há um grupo, uma Plataforma, que pretende concorrer às próximas eleições autárquicas. E que o socialista António Marreiros está a posicionar-se para, por aí, também avançar. O que é que se está a passar no interior do PS para isso acontecer?<br />
</strong><br />
<strong>JM</strong> –  Que eu saiba, o Partido Socialista está bem e recomenda-se. No que se refere ao António Marreiros, desconheço qualquer pretensão de integração num novo grupo, plataforma ou força politica. António Marreiros é militante do Partido Socialista, membro da Assembleia Municipal, e o nosso relacionamento é normal e cordial.</p>
<p><strong>AM – Diz-se que há pessoas oriundas de diversos partidos nessa plataforma. Receia que lhe façam mossa em termos de resultados eleitorais?<br />
</strong><br />
<strong>JM</strong> – O que posso garantir é que, enquanto aqui estivermos, eu e a minha equipa faremos o melhor que pudermos. Quanto ao resto, o PS nunca pensou ir sozinho a eleições. Já temos muita concorrência. Se aparecer mais uma formação política, encaramo-la com a mesma naturalidade com que encaramos as demais. Quanto ao resto, é a democracia funcionar. O povo que decida de acordo com as suas preferências.</p>
<p><strong>AM – É verdade que a Câmara de Lagos está equacionar a possibilidade de convidar, para gerir o Plano Director Municipal (PDM), Nuno Marques, que é um dos nomes de que também se diz que poderá estar ligado à Plataforma?</strong></p>
<p><strong>JM</strong> –Essa é uma hipótese que não foi equacionada. Apenas poderei dizer que Nuno Marques é um técnico de muita competência, na sua área de formação, que é o urbanismo. Se está, ou não, ligado a essa plataforma, é assunto a que só ele poderá responder. Eu desconheço.</p>
<p><strong>AM – O que é que gostava que ficasse a marcar este mandato?</strong></p>
<p><strong>JM</strong> – Gostava que este mandato ficasse marcado por um trabalho de rigor e de competência e, naturalmente, que, apesar das dificuldades, conseguisse responder às necessidades da população. Gostaríamos que, respondendo às necessidades do presente, conseguíssemos criar as condições financeiras necessárias a que se volte a sonhar e a projetcar, com visão e ambição, um Lagos ainda melhor para todos.</p>
<p>Leia também a 2ª parte da entrevista: <a href="http://www.algarveexpress.pt/?p=16007" target="_blank">Os investimentos que vão ser feitos em Lagos</a></p>
<ul>
Mais médicos para o Hospital de Lagos
</ul>
<p><strong>AM – Uma das queixas que os autarcas do PS – em especial, do Barlavento – tinham em relação ao anterior Governo dizia respeito aos cuidados públicos de saúde. Mas parece que, com o actual executivo, nada de relevante mudou. A prova disso está no comunicado bastante duro que a Câmara de Lagos, há muito pouco tempo, deu a conhecer em relação à forma como funciona o Hospital de Lagos.</strong></p>
<p><strong>JM</strong> – Continuamos a manifestar o nosso desagrado com o actual sistema de fusão dos hospitais. Este sistema não veio resolver problema nenhum. Pelo contrário, contribuiu para um agravamento dos problemas de saúde da região.</p>
<p>No que a Lagos diz respeito, continuamos a manifestar o nosso desagrado pelo esquecimento a que o Hospital de Lagos tem sido votado. Os lacobrigenses estão unidos em torno do hospital da cidade. É, por isso, com muito desagrado que tomamos conhecimento que por vezes, nas urgências, há apenas um único médico de serviço.</p>
<p>A nossa luta, junto do Ministério da Saúde, tem a ver com o modelo que foi escolhido, com esta fusão que, mais do que resolver, veio agravar os problemas de saúde entre nós. É por isso que, em relação ao Hospital de Lagos, temos de dar-lhe a atenção que merece. Defendê-lo é defender a saúde das populações de Lagos, Vila do Bispo e Aljezur.</p>
<p><strong>AM – Em concreto, a vossa luta tem apenas a ver com o reforço de meios humanos ou estende-se a outros sectores?</strong></p>
<p><strong>JM</strong> – Tem a ver, sobretudo, com a necessidade de mais meios humanos. É importante que o hospital tenha médicos suficientes para se poder atender e tratar as pessoas que ali chegam.</p>
<p>Em termos de cuidados primários, manifestámos o nosso regozijo e demos todo o nosso apoio à instalação de uma Unidade de Saúde Familiar no Centro de Saúde. Essa instalação permitiu que um número muito interessante de cidadãos, que não tinham médico de família, passassem a tê-lo.</p>
<p>Apesar de tudo, a saúde, no concelho, tem tido respostas positivas através do Hospital S. Gonçalo. Trata-se de um grande equipamento. Mas, não obstante os protocolos existentes que concedem descontos em consultas e exames,  não deixa de ser um hospital privado que não é acessível a todos.</p>
<ul>
Falta construir as rotundas do Chinicato e Sargaçal
</ul>
<p><strong>AM – No que diz respeito às obras na EN 125, o que é que falta fazer no concelho de Lagos?<br />
</strong><br />
<strong>JM</strong> – Esta tem sido também uma outra negociação difícil com o Governo.</p>
<p>A variante de Odiáxere, que é uma antiga pretensão do município de Lagos, e que constava no projecto inicial, foi mais uma vez retirada de agenda, no âmbito da revisão desse projecto. Os atrasos na construção das rotundas, nomeadamente, na rotunda do Chinicato e na construção da rotunda de acesso ao Sargaçal, são obras que urge resolver e pelas quais nos temos batido junto das entidades competentes, nomeadamente, o Governo da Nação.</p>
<p>Temos também manifestado a nossa preocupação e acompanhado a posição dos moradores/residentes no troço entre as Quatro Estradas e Espiche que, embora as questões de segurança tenham que ser salvaguardadas, a mobilidade das pessoas não pode ser prejudicada.</p>
<p>Leia também a 3ª parte da entrevista: <a href="http://www.algarveexpress.pt/?p=16011" target="_blank">A evolução financeira da Câmara de Lagos</a></p>
<p><strong>AM – O Forte de S. Roque, na Meia Praia, está integrado no lote de monumentos que o Estado quer concessionar a privados. Em tempos relativamente recentes, a Câmara tentou que o degradado monumento passasse para o seu domínio. Vai continuar com essa reivindicação ou vê com bons olhos esta solução?<br />
</strong><br />
<strong>JM</strong> – O Forte da Meia Praia foi construído no século XVII e, em determinada altura da sua existência, foi um monumento municipal. Entretanto, o município entregou-o ao Ministério da Defesa para a instalação da Guarda Fiscal, mas com uma cláusula; a de que regressaria ao domínio do município se, ou quando, terminasse essa actividade.</p>
<p>Não regressou. Neste momento, é um imóvel do Estado e está na situação que se vê. Obteve classificação, em 2014, de Monumento de Interesse Público. Recentemente, soube, realmente, que é intenção do Governo incluí-lo no lote de 30 monumentos que vão ser concessionados.</p>
<p>É uma decisão que, naturalmente, não depende da Câmara. Mas entendemos que devemos dar a nossa opinião sobre o destino de um edifício que está numa zona de alguma sensibilidade. Atendendo à nossa situação financeira e ao estado de degradação do imóvel, é possível que a Câmara concorde com esta solução. Mas essa não será uma decisão só minha. Será uma decisão do executivo. O assunto será consensualizado com os órgãos e entidades competentes.</p>
<p><strong>Entrevista: Guedes de Oliveira/Jorge Eusébio<br />
concedida ao site Algarve Marafado<br />
e publicada pelo Algarve Express sob autorização dos seus autores</strong></p>
<p>Leia também: </p>
<p>Entrevista, parte 2: <a href="http://www.algarveexpress.pt/?p=16007" target="_blank">Os investimentos que vão ser feitos em Lagos<br />
</a><br />
Entrevista, parte 3: <a href="http://www.algarveexpress.pt/?p=16011" target="_blank">A evolução financeira da Câmara de Lagos</a></p>
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		<item>
		<title>A evolução financeira da Câmara de Lagos</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Nov 2016 17:23:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Terceira parte da entrevista à presidente da Câmara de Lagos, Joaquina Matos, em que se fala da situação financeira da autarquia e da dissolução da empresa municipal Futurlagos. Leia também a parte 1 e a parte 2 da entrevista AM – A Câmara já aprovou o Orçamento para 2017. Qual é o seu valor e [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Terceira parte da entrevista à presidente da Câmara de Lagos, Joaquina Matos, em que se fala da situação financeira da autarquia e da dissolução da empresa municipal Futurlagos.<br />
</strong><span id="more-16011"></span></p>
<p>Leia também a <a href="http://www.algarveexpress.pt/?p=15996" target="_blank">parte 1</a> e a <a href="http://www.algarveexpress.pt/?p=16007" target="_blank">parte 2</a> da entrevista</p>
<p><strong>AM – A Câmara já aprovou o Orçamento para 2017. Qual é o seu valor e as obras principais que o integram?</strong></p>
<p><strong>JM</strong> – O Orçamento é de 50 milhões de euros. Um dos nossos objectivos principais é manter o equilíbrio da situação financeira da Câmara. Temos intenção de amortizar o valor de 2,5 milhões, com fundos próprios da dívida, contraindo empréstimo a médio/longo prazo, com taxas mais baixas, possibilitando o mesmo um ganho, em termos de juros, para o município.</p>
<p>Este é um Orçamento realista, cauteloso e que garante a estabilidade financeira do município para o futuro. Contamos com receitas que, felizmente, nos últimos anos, têm vindo a subir. Contudo, devemos continuar a ser prudentes.</p>
<p><strong>AM – Em Lagos e, de uma forma geral, em todo o Algarve, em 2015 registou-se um aumento substancial das verbas do IMT, resultantes da venda de imóveis. Este ano, essa tendência tem-se mantido?<br />
</strong><br />
<strong>JM</strong> – Este ano, as coisas também estão a correr muito bem. Tem havido um aumento muito interessante das receitas do IMT e, como tal, esta situação veio permitir-nos algum desafogo financeiro, honrar os nossos compromissos, baixar as dívidas e começar a projectar obras de maior envergadura para o futuro.</p>
<p><strong>AM – Tem-se falado muito no facto do Governo vir a penalizar mais, ao nível do IMI, imóveis que tenham grande exposição solar. Esta medida não poderá vir a afectar a venda do imobiliário no Algarve e, consequentemente, as receitas do IMT?<br />
</strong><br />
<strong>JM</strong> –Trata-se de uma medida que, a ser implementada, depende unicamente da vontade do Governo, não tendo as Câmaras Municipais qualquer acção na mesma. Não obstante a pertinência, ou não, da sua implementação, o que podemos adiantar é que a mesma só encontrará aplicabilidade se o proprietário do imóvel requerer a reavaliação do mesmo. Assim, parece-nos que, pelo menos a curto prazo, esta medida não apresentará um impacto considerável no negócio imobiliário e consequente receita de IMT.</p>
<p><strong>AM – Olhando para as contas da Câmara, vê-se que, pelo menos em 2015, registou uma diminuição da dívida. Contudo, recentemente, a autarquia abriu concurso para a admissão de mais 44 funcionários. Os custos daí decorrentes irão, naturalmente, fazer aumentar as despesas correntes. Era mesmo imprescindível contratar todo esse pessoal?</strong></p>
<p><strong>JM</strong> – A Câmara de Lagos não contrata ninguém desde 2010. Há, por isso, determinados serviços que estão com dificuldades de funcionamento devido à falta de pessoal e, como há necessidade de os reforçar, somos obrigados a contratar mais pessoas.</p>
<p>Uma das situações mais prementes da falta de pessoal, diz respeito às escolas. Nos últimos anos, houve um conjunto muito grande de funcionários que se aposentou. Temo-nos socorrido dos contratos Emprego-Inserção. É também importante reforçar outros serviços mais operacionais como são os carpinteiros, motoristas e outros, para garantir um serviço público de qualidade.</p>
<p><strong>AM – A parte financeira foi a questão mais complicada que encontrou na Câmara?<br />
</strong><br />
<strong>JM</strong> – De facto, encontrámos algumas dificuldades financeiras quando assumimos a presidência da Câmara de Lagos. Poder-se-á mesmo dizer que este foi o principal problema com que nos deparámos quando aqui chegámos mas, felizmente, conseguimos ultrapassá-lo. Em 2014, começámos já a ter algum equilíbrio financeiro e a ter fundos disponíveis. Pouco a pouco, as coisas foram entrando na normalidade.</p>
<p><strong>AM – Como é que está o processo de dissolução da empresa municipal FuturLagos?<br />
</strong><br />
<strong>JM</strong> – Todos os procedimentos necessários foram desenvolvidos e pensamos que, dentro de uns meses, a situação fique resolvida.</p>
<p>A FuturLagos foi criada numa altura em que era preciso desenvolver grandes procedimentos, grandes projectos e acompanhar o Plano de Urbanização de Meia Praia. À medida que o tempo foi passando, esses grandes projectos foram-se concretizando. Refiro, nomeadamente, a construção do actual edifício da Câmara e dos parques de estacionamento. Como a Câmara passou a ter, dentro da sua estrutura, condições para desenvolver todas as obras que vamos lançar, bem como o acompanhamento e gestão do Plano da Meia Praia, não fazia sentido continuar com essa empresa municipal.</p>
<p>Os serviços e funcionários da empresa foram sendo integrados na Câmara e a gestão dos parques de estacionamento passou para a empresa municipal Lagos em Forma.</p>
<p><strong>Entrevista: Guedes de Oliveira/Jorge Eusébio<br />
concedida ao site Algarve Marafado<br />
e publicada pelo Algarve Express sob autorização dos seus autores</strong></p>
<p>Leia também: </p>
<p>Entrevista, parte 1: <a href="http://www.algarveexpress.pt/?p=15996" target="_blank">“Defender o Hospital de Lagos é defender a saúde das populações de Lagos, Vila do Bispo e Aljezur”</a></p>
<p>Entrevista, parte 2: <a href="http://www.algarveexpress.pt/?p=16007" target="_blank">Os investimentos que vão ser feitos em Lagos</a></p>
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		<title>“Defender o Hospital de Lagos é defender a saúde das populações de Lagos, Vila do Bispo e Aljezur”</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Nov 2016 17:20:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Rodrigues</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[Maria Joaquina Matos]]></category>
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		<description><![CDATA[Foi há três anos atrás que esta presidência se iniciou e que Joaquina Matos inaugurou, em Lagos, um novo mandato autárquico. Pela primeira vez, uma mulher passava a presidir aos destinos da autarquia com o propósito de se aproximar e de criar um novo relacionamento com todo o tecido social, económico e cultural. A par [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Foi há três anos atrás que esta presidência se iniciou e que Joaquina Matos inaugurou, em Lagos, um novo mandato autárquico. Pela primeira vez, uma mulher passava a presidir aos destinos da autarquia com o propósito de se aproximar e de criar um novo relacionamento com todo o tecido social, económico e cultural. A par destas boas intenções, moravam outras pretensões; as de equilibrar as depauperadas finanças da Câmara.<span id="more-15996"></span></p>
<p>Com o mandato em recta descendente, é altura de o analisar já que o tempo que está por diante começa a ser de uma campanha velada ou assumida por todos os agentes políticos. Com o intuito desse balanço, desafiamos Joaquina Matos a percorrer e a dizer o que fez ou o que ainda tem por fazer nesta etapa que falta percorrer até às eleições que se aproximam a passos bem apressados. E uma pergunta que não poderia faltar é se vai continuar ou se dá já por terminada a sua refrega política.</p>
<p>Mas, para além das questões de política mais caseira, quisemos percorrer os caminhos da saúde, da educação, de monumentos que há que recuperar, do ambiente com a recolha do lixo que nos tem vindo a castigar e o das finanças públicas que se começam a equilibrar. Também algumas obras em curso e as que se pretendem fazer mereceram a nossa atenção bem como outros campos de intervenção.</p>
<p>Foi uma conversa fluida e muito abrangente em que a nossa entrevistada se foi soltando e dando largas ao que fez, ao que pretendia fazer e sem esquecer a equipa que a acompanha e que quer levar para, conforme é sua intenção, inaugurar um segundo mandato à frente da Câmara de Lagos.</p>
<p>Esta 1ª parte da entrevista é dedicada às questões políticas e ao relacionamento com o Governo.</strong></p>
<p><strong>Algarve Marafado (AM) – A sua chegada à presidência da Câmara de Lagos deveu-se mais à famosa lei da paridade ou às suas qualidade políticas?<br />
</strong><br />
Joaquina Matos (JM) – Não é fácil estar a pronunciarmo-nos em causa própria. Mas sempre lhe poderei dizer que a minha chegada à presidência da Câmara de Lagos teve muito a ver com o meu percurso de vida. Como sabe, possuo experiência como autarca. Nesta qualidade, fui membro da Assembleia Municipal, fui vereadora na oposição e, nos últimos dez anos, desempenhei as funções de vice-presidente. Toda a experiência que fui adquirindo foi muito importante para aceder a estas funções que, presentemente, estou a desempenhar à frente dos destinos do município de Lagos.</p>
<p><strong>AM – E como é que tem sido este desafio para si?</strong></p>
<p><strong>JM</strong> – Como se poderá compreender, são funções muito absorventes mas, ao mesmo tempo, também bastante aliciantes. É gratificante saber que estamos a resolver os problemas de muitas pessoas. Quando vemos que o nosso trabalho está a contribuir para o bem-estar de todos, sentimo-nos compensados e incentivados a trabalhar cada vez mais e melhor.</p>
<p><strong>AM – Está a preparar-se para continuar?</strong></p>
<p><strong>JM</strong> – Não direi que estou a preparar-me para continuar, pois a nossa continuação obedecerá a um processo natural. Estamos a desenvolver um trabalho que requer continuidade, mas para isso, o partido terá de nos convidar. Posso, por isso, dizer que, com tudo a correr dentro da normalidade, tudo indica que possamos continuar.</p>
<p><strong>AM – Pensa continuar com a equipa que a acompanha ou tenciona fazer alguma renovação?<br />
</strong><br />
<strong>JM</strong> – Temos desenvolvido um bom trabalho de equipa e de inter-ajuda. À medida que vamos trabalhando, vamo-nos melhor conhecendo e melhorando esse trabalho. Em princípio, é para continuar com as pessoas que estão comigo. Como se costuma dizer, em equipa que ganha não se mexe. E esse é o nosso intuito.</p>
<ul>
“Desconheço qualquer pretensão de integração de António Marreiros num novo grupo, plataforma ou força política”
</ul>
<p><strong>AM – Ao longo do mandato, passou já por alguns ‘sobressaltos’. E um deles foi o da saída da vereadora Maria Fernanda Afonso. O que é que esteve na origem dessa saída: problemas de incompatibilidades, visões diferentes ou concepções divergentes na forma de encarar a gestão dos destinos do município?<br />
</strong><br />
<strong>JM</strong> – A professora Maria Fernanda Afonso foi nossa vereadora integrando a equipa inicial. Desenvolveu o seu trabalho com competência e muita dedicação. Por isso, só temos de lhe estar gratos. A determinada altura tomou outra opção – a de pedir a renúncia ao mandato. Só temos que a respeitar e seguir em frente. Desejamos-lhe tudo de bom e, da nossa parte, continuamos a trabalhar e a fazer o nosso melhor.</p>
<p><strong>AM – É por isso que, caso seja eleita, para evitar outros sobressaltos, vai levar consigo a equipa que a acompanha e que já conhece bem?<br />
</strong><br />
<strong>JM</strong> –  Em relação a este grupo, posso dizer que ganhámos experiência, conhecemo-nos bem e, à medida que trabalhamos, vamos reforçando laços de cumplicidade e amizade. Aprendemos, cada vez mais, a funcionar como equipa, observamos com entusiasmo os bons momentos e sabemos ser solidários para ultrapassar os obstáculos que nos surjam pelo caminho. Encaramos as dificuldades com determinação e com respeito de uns para com os outros.</p>
<p><strong>AM – Consta, nos meios políticos, que há um grupo, uma Plataforma, que pretende concorrer às próximas eleições autárquicas. E que o socialista António Marreiros está a posicionar-se para, por aí, também avançar. O que é que se está a passar no interior do PS para isso acontecer?<br />
</strong><br />
<strong>JM</strong> –  Que eu saiba, o Partido Socialista está bem e recomenda-se. No que se refere ao António Marreiros, desconheço qualquer pretensão de integração num novo grupo, plataforma ou força politica. António Marreiros é militante do Partido Socialista, membro da Assembleia Municipal, e o nosso relacionamento é normal e cordial.</p>
<p><strong>AM – Diz-se que há pessoas oriundas de diversos partidos nessa plataforma. Receia que lhe façam mossa em termos de resultados eleitorais?<br />
</strong><br />
<strong>JM</strong> – O que posso garantir é que, enquanto aqui estivermos, eu e a minha equipa faremos o melhor que pudermos. Quanto ao resto, o PS nunca pensou ir sozinho a eleições. Já temos muita concorrência. Se aparecer mais uma formação política, encaramo-la com a mesma naturalidade com que encaramos as demais. Quanto ao resto, é a democracia funcionar. O povo que decida de acordo com as suas preferências.</p>
<p><strong>AM – É verdade que a Câmara de Lagos está equacionar a possibilidade de convidar, para gerir o Plano Director Municipal (PDM), Nuno Marques, que é um dos nomes de que também se diz que poderá estar ligado à Plataforma?</strong></p>
<p><strong>JM</strong> –Essa é uma hipótese que não foi equacionada. Apenas poderei dizer que Nuno Marques é um técnico de muita competência, na sua área de formação, que é o urbanismo. Se está, ou não, ligado a essa plataforma, é assunto a que só ele poderá responder. Eu desconheço.</p>
<p><strong>AM – O que é que gostava que ficasse a marcar este mandato?</strong></p>
<p><strong>JM</strong> – Gostava que este mandato ficasse marcado por um trabalho de rigor e de competência e, naturalmente, que, apesar das dificuldades, conseguisse responder às necessidades da população. Gostaríamos que, respondendo às necessidades do presente, conseguíssemos criar as condições financeiras necessárias a que se volte a sonhar e a projetcar, com visão e ambição, um Lagos ainda melhor para todos.</p>
<p>Leia também a 2ª parte da entrevista: <a href="http://www.algarveexpress.pt/?p=16007" target="_blank">Os investimentos que vão ser feitos em Lagos</a></p>
<ul>
Mais médicos para o Hospital de Lagos
</ul>
<p><strong>AM – Uma das queixas que os autarcas do PS – em especial, do Barlavento – tinham em relação ao anterior Governo dizia respeito aos cuidados públicos de saúde. Mas parece que, com o actual executivo, nada de relevante mudou. A prova disso está no comunicado bastante duro que a Câmara de Lagos, há muito pouco tempo, deu a conhecer em relação à forma como funciona o Hospital de Lagos.</strong></p>
<p><strong>JM</strong> – Continuamos a manifestar o nosso desagrado com o actual sistema de fusão dos hospitais. Este sistema não veio resolver problema nenhum. Pelo contrário, contribuiu para um agravamento dos problemas de saúde da região.</p>
<p>No que a Lagos diz respeito, continuamos a manifestar o nosso desagrado pelo esquecimento a que o Hospital de Lagos tem sido votado. Os lacobrigenses estão unidos em torno do hospital da cidade. É, por isso, com muito desagrado que tomamos conhecimento que por vezes, nas urgências, há apenas um único médico de serviço.</p>
<p>A nossa luta, junto do Ministério da Saúde, tem a ver com o modelo que foi escolhido, com esta fusão que, mais do que resolver, veio agravar os problemas de saúde entre nós. É por isso que, em relação ao Hospital de Lagos, temos de dar-lhe a atenção que merece. Defendê-lo é defender a saúde das populações de Lagos, Vila do Bispo e Aljezur.</p>
<p><strong>AM – Em concreto, a vossa luta tem apenas a ver com o reforço de meios humanos ou estende-se a outros sectores?</strong></p>
<p><strong>JM</strong> – Tem a ver, sobretudo, com a necessidade de mais meios humanos. É importante que o hospital tenha médicos suficientes para se poder atender e tratar as pessoas que ali chegam.</p>
<p>Em termos de cuidados primários, manifestámos o nosso regozijo e demos todo o nosso apoio à instalação de uma Unidade de Saúde Familiar no Centro de Saúde. Essa instalação permitiu que um número muito interessante de cidadãos, que não tinham médico de família, passassem a tê-lo.</p>
<p>Apesar de tudo, a saúde, no concelho, tem tido respostas positivas através do Hospital S. Gonçalo. Trata-se de um grande equipamento. Mas, não obstante os protocolos existentes que concedem descontos em consultas e exames,  não deixa de ser um hospital privado que não é acessível a todos.</p>
<ul>
Falta construir as rotundas do Chinicato e Sargaçal
</ul>
<p><strong>AM – No que diz respeito às obras na EN 125, o que é que falta fazer no concelho de Lagos?<br />
</strong><br />
<strong>JM</strong> – Esta tem sido também uma outra negociação difícil com o Governo.</p>
<p>A variante de Odiáxere, que é uma antiga pretensão do município de Lagos, e que constava no projecto inicial, foi mais uma vez retirada de agenda, no âmbito da revisão desse projecto. Os atrasos na construção das rotundas, nomeadamente, na rotunda do Chinicato e na construção da rotunda de acesso ao Sargaçal, são obras que urge resolver e pelas quais nos temos batido junto das entidades competentes, nomeadamente, o Governo da Nação.</p>
<p>Temos também manifestado a nossa preocupação e acompanhado a posição dos moradores/residentes no troço entre as Quatro Estradas e Espiche que, embora as questões de segurança tenham que ser salvaguardadas, a mobilidade das pessoas não pode ser prejudicada.</p>
<p>Leia também a 3ª parte da entrevista: <a href="http://www.algarveexpress.pt/?p=16011" target="_blank">A evolução financeira da Câmara de Lagos</a></p>
<p><strong>AM – O Forte de S. Roque, na Meia Praia, está integrado no lote de monumentos que o Estado quer concessionar a privados. Em tempos relativamente recentes, a Câmara tentou que o degradado monumento passasse para o seu domínio. Vai continuar com essa reivindicação ou vê com bons olhos esta solução?<br />
</strong><br />
<strong>JM</strong> – O Forte da Meia Praia foi construído no século XVII e, em determinada altura da sua existência, foi um monumento municipal. Entretanto, o município entregou-o ao Ministério da Defesa para a instalação da Guarda Fiscal, mas com uma cláusula; a de que regressaria ao domínio do município se, ou quando, terminasse essa actividade.</p>
<p>Não regressou. Neste momento, é um imóvel do Estado e está na situação que se vê. Obteve classificação, em 2014, de Monumento de Interesse Público. Recentemente, soube, realmente, que é intenção do Governo incluí-lo no lote de 30 monumentos que vão ser concessionados.</p>
<p>É uma decisão que, naturalmente, não depende da Câmara. Mas entendemos que devemos dar a nossa opinião sobre o destino de um edifício que está numa zona de alguma sensibilidade. Atendendo à nossa situação financeira e ao estado de degradação do imóvel, é possível que a Câmara concorde com esta solução. Mas essa não será uma decisão só minha. Será uma decisão do executivo. O assunto será consensualizado com os órgãos e entidades competentes.</p>
<p><strong>Entrevista: Guedes de Oliveira/Jorge Eusébio<br />
concedida ao site Algarve Marafado<br />
e publicada pelo Algarve Express sob autorização dos seus autores</strong></p>
<p>Leia também: </p>
<p>Entrevista, parte 2: <a href="http://www.algarveexpress.pt/?p=16007" target="_blank">Os investimentos que vão ser feitos em Lagos<br />
</a><br />
Entrevista, parte 3: <a href="http://www.algarveexpress.pt/?p=16011" target="_blank">A evolução financeira da Câmara de Lagos</a></p>
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		<item>
		<title>Adelino Soares vai recandidatar-se a Vila do Bispo pelo PS… ou por outro partido</title>
		<link>http://www.algarveexpress.pt/?p=15988</link>
		<comments>http://www.algarveexpress.pt/?p=15988#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 20 Nov 2016 18:41:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Rodrigues</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Temas]]></category>
		<category><![CDATA[Adelino Soares]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
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		<description><![CDATA[Algarve Marafado (AM) – Após um breve período de ‘lua de mel’, no seguimento da sua primeira vitória eleitoral, começaram a surgir problemas como adjuntos e vereadores. Eles acabaram por bater com a porta por vontade própria ou foram convidados a sair pela porta pequena? Adelino Soares (AS) – Isso são situações naturais da governação [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Algarve Marafado (AM) – Após um breve período de ‘lua de mel’, no seguimento da sua primeira vitória eleitoral, começaram a surgir problemas como adjuntos e vereadores. Eles acabaram por bater com a porta por vontade própria ou foram convidados a sair pela porta pequena?</strong><span id="more-15988"></span></p>
<p><strong>Adelino Soares (AS)</strong> – Isso são situações naturais da governação autárquica. As pessoas são livres de tomar as suas decisões, mas quem assume responsabilidades políticas tem a obrigação de beneficiar o interesse público e não interesses pessoais. Foi isso que fizemos. Temos um projecto para o nosso território que está acima de qualquer interesse pessoal.</p>
<p><strong>AM – Essas divergências foram mais de carácter pessoal ou de concepção da gestão autárquica?</strong></p>
<p><strong>AS</strong> – Dá-me a entender que têm muito mais a ver com questões pessoais e a prova disso é que não conseguem apontar nada à gestão camarária, mas não é a mim que compete responder a essa questão. </p>
<p>Tenho governado de acordo com o que foi o programa eleitoral apresentado. Havia muitos problemas antigos para serem resolvidos, alguns que se arrastam há décadas. Não se consegue resolvê-los todos em tão pouco tempo, mas, gradualmente, temos conseguido fazer com que isso vá acontecendo.</p>
<p><strong>AM – Mas, já conhecia as pessoas com as quais acabou por se incompatibilizar. Porque é que só depois de estarem na gestão autárquica é que esses problemas vieram à luz do dia?<br />
</strong><br />
<strong>AS</strong> – É natural. Quando alguém é eleito para governar os destinos de um concelho tem que acreditar naquilo que são os seus pontos de vista, os da sua equipa, naquilo que são os desejos de uma comunidade. No decorrer do trabalho, há pessoas que acabam por divergir daquilo que eram as perspectivas iniciais e há que respeitar isso. Eu não alterei em nada esse projecto desde o primeiro dia em que aqui entrei e não alterarei até ao último dia em que aqui estiver. O objectivo continua a ser o mesmo: servir a população.</p>
<p><strong>AM – Os problemas agravaram-se com a retirada da confiança política por parte da concelhia local do PS. Como é que explica esta tomada de posição?<br />
</strong><br />
<strong>AS </strong>– É uma questão de pessoas que não acreditam neste projecto, que não têm este tipo de visão, que não se identificam na forma como estamos a governar. Tendo eles o poder, ao nível do PS local, o que acabaram por dizer é que não concordam com aquilo que está a ser feito, mas essa é uma questão à qual lhes compete a eles responder.</p>
<p>Eu fui eleito por um partido, respeito esse partido, como é evidente, mas as pessoas são eleitas mediante um programa eleitoral e há que o cumprir, independentemente das questões pessoais que cada um dos militantes tenha ou dos desejos que tinham intenção de ver concretizados e que, infelizmente, para eles, não o conseguiram.</p>
<ul>
<strong>“José Valentim é meu amigo, mas não me convidou”</strong></ul>
<p><strong>AM – Como é que tem sido governar a Câmara com todas essas divergências internas?</strong></p>
<p><strong>AS</strong> – É evidente que isso dificulta muito mais a gestão municipal. É muito mais difícil governar quando, sistematicamente, se inviabiliza tudo e mais alguma coisa. É difícil governar quando, ao chegar, encontrei o município com uma dívida enorme. Governar com dinheiro é fácil, mas sem dinheiro só os mais capazes é que o conseguem fazer.</p>
<p>É uma missão mais difícil, mas também dá um certo gozo podermos concretizar muitos dos objectivos a que nos propusemos mesmo com dificuldades em termos financeiros e com dificuldades de gestão criadas por estas oposições internas, sem qualquer fundamento e a prova disso é que as pessoas reconhecem o trabalho que se está a fazer e não se revêm neste tipo de política de terra queimada que algumas pessoas insistem em manter.</p>
<p><strong>AM – Em face dessa situação, diz-se que tem sido aliciado por outras forças políticas e eventuais movimentos independentes para ser o seu cabeça-de-lista. É verdade que, por exemplo, José Valentim o terá sondado para ser candidato pelo PSD à presidência da Câmara, sendo ele candidato à Assembleia Municipal?<br />
</strong><br />
<strong>AS</strong> – O José Valentim é meu amigo, é uma pessoa que considero muito, encontramo-nos regularmente, mas não me convidou para absolutamente nada.</p>
<p><strong>AM – E movimentos independentes?</strong></p>
<p><strong>AS</strong> – Também não. Neste momento, estou concentrado num projecto que tem como objectivo fazer o melhor pelo concelho de Vila do Bispo. Mas é evidente que tenho de pensar no meu futuro e a única garantia que posso dar é que serei candidato, se as coisas não se alterarem até ao acto eleitoral, independentemente do partido ou de qualquer acção que possa ocorrer.</p>
<p><strong>AM – Tudo indica que as estruturas nacionais do PS não o vão deixar fugir, uma vez que aprovaram o princípio do apoio à recandidatura dos actuais presidentes de Câmara que ainda não tenham cumprido 3 mandatos. Se isso acontecer, como é que vai relacionar-se com a concelhia local?</strong></p>
<p><strong>AS</strong> – É evidente que, para aceitar liderar um projecto do PS para o concelho, haverá condições. Nesta altura, ainda não está nada definido e, sendo assim, não posso comprometer-me com nada, vamos esperar que as entidades responsáveis se pronunciem sobre isto. Agora, uma coisa eu sei: pessoas que me criticaram, pessoas que não se revêm naquilo que tem sido a gestão camarária, elas próprias nunca poderão aceitar integrar um projecto que criticaram.</p>
<p>Portanto, espero que, sendo eu indigitado pelo Partido Socialista como candidato à presidência da Câmara Municipal, essas pessoas tenham a coragem de se afastar do processo e, de uma vez por todas, deixem de chatear.</p>
<p><strong>AM – Se for mesmo indicado pelos órgãos nacionais, essas pessoas do PS local terão de o apoiar a contra-gosto?<br />
</strong><br />
<strong>AS</strong> – Isso é algo que a elas diz respeito. O que eu digo é que me vou propor para mais um mandato para resolver os problemas do concelho, como tenho feito até aqui.</p>
<p>Quando há algo de que não gosto, em que não me revejo, afasto-me dessas situações ou tento combatê-las. Penso que são as opções que elas têm: ou se afastam ou tentam combater da forma que acharem mais correcta. Volto a insistir: pessoas que criticam determinado projecto, não podem querer associar-se a ele, como é evidente.</p>
<ul>
<strong>“Não há projecto nenhum que me venha a ser proposto que não envolva a vereadora Rute Silva&#8221;</strong>
</ul>
<p><strong>AM– Como é que explica um convite, alegadamente feito pelo pelo presidente da concelhia local do PS à presidente da Junta de Budens para ser ela a candidata do PS à Câmara?<br />
</strong><br />
<strong>AS </strong>– Não sei nada disso. Se a convidaram, se calhar, foi demasiado cedo. Se não a convidaram, fizeram bem.</p>
<p><strong>AM – Portanto, uma coisa parece certa: vai recandidatar-se à presidência da Câmara nas próximas eleições. Já tem os nomes das pessoas que o vão acompanhar?<br />
</strong><br />
<strong>AS</strong> – O que posso dizer é que não haverá projecto nenhum que me venha a ser proposto que não envolva a vereadora Rute Silva, que me acompanha desde o início. Se não a envolver, não estarei nesse projecto. Na política não vale tudo e alguém que se dedica de corpo e alma, que gosta do concelho, que trata bem as pessoas deve acompanhar-me enquanto eu puder candidatar-me.</p>
<p><strong>AM – Vai mesmo ser candidato, independentemente de ser ou não escolhido pelo PS?<br />
</strong><br />
<strong>AS</strong> – Vou ser candidato. É evidente que, para mim, já que iniciei este projecto com o Partido Socialista, teria todo o gosto e seria um orgulho poder concluí-lo pelo mesmo partido. Se dependesse de mim, assim seria, mas não depende de mim, depende do PS, a nível nacional. Espero que façam a melhor escolha para o partido.</p>
<p><strong>Entrevista: Guedes de Oliveira/Jorge Eusébio<br />
concedida ao site <a href="http://www.algarvemarafado.com/2016/11/05/adelino-soares-vai-recandidatar-se-a-vila-do-bispo-pelo-ps-ou-por-outro-partido/" target="_blank">Algarve Marafado</a><br />
e publicada pelo Algarve Express sob autorização dos seus autores</strong></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Adelino Soares vai recandidatar-se a Vila do Bispo pelo PS… ou por outro partido</title>
		<link>http://www.algarveexpress.pt/?p=15977</link>
		<comments>http://www.algarveexpress.pt/?p=15977#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 20 Nov 2016 18:36:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Adelino Soares]]></category>
		<category><![CDATA[autárquicas 2017]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Vila do Bispo]]></category>

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		<description><![CDATA[Algarve Marafado (AM) – Após um breve período de ‘lua de mel’, no seguimento da sua primeira vitória eleitoral, começaram a surgir problemas como adjuntos e vereadores. Eles acabaram por bater com a porta por vontade própria ou foram convidados a sair pela porta pequena? Adelino Soares (AS) – Isso são situações naturais da governação [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Algarve Marafado (AM) – Após um breve período de ‘lua de mel’, no seguimento da sua primeira vitória eleitoral, começaram a surgir problemas como adjuntos e vereadores. Eles acabaram por bater com a porta por vontade própria ou foram convidados a sair pela porta pequena?</strong></p>
<p><strong>Adelino Soares (AS)</strong> – Isso são situações naturais da governação autárquica. As pessoas são livres de tomar as suas decisões, mas quem assume responsabilidades políticas tem a obrigação de beneficiar o interesse público e não interesses pessoais. Foi isso que fizemos. Temos um projecto para o nosso território que está acima de qualquer interesse pessoal.</p>
<p><strong>AM – Essas divergências foram mais de carácter pessoal ou de concepção da gestão autárquica?</strong></p>
<p><strong>AS</strong> – Dá-me a entender que têm muito mais a ver com questões pessoais e a prova disso é que não conseguem apontar nada à gestão camarária, mas não é a mim que compete responder a essa questão. </p>
<p>Tenho governado de acordo com o que foi o programa eleitoral apresentado. Havia muitos problemas antigos para serem resolvidos, alguns que se arrastam há décadas. Não se consegue resolvê-los todos em tão pouco tempo, mas, gradualmente, temos conseguido fazer com que isso vá acontecendo.</p>
<p><strong>AM – Mas, já conhecia as pessoas com as quais acabou por se incompatibilizar. Porque é que só depois de estarem na gestão autárquica é que esses problemas vieram à luz do dia?<br />
</strong><br />
<strong>AS</strong> – É natural. Quando alguém é eleito para governar os destinos de um concelho tem que acreditar naquilo que são os seus pontos de vista, os da sua equipa, naquilo que são os desejos de uma comunidade. No decorrer do trabalho, há pessoas que acabam por divergir daquilo que eram as perspectivas iniciais e há que respeitar isso. Eu não alterei em nada esse projecto desde o primeiro dia em que aqui entrei e não alterarei até ao último dia em que aqui estiver. O objectivo continua a ser o mesmo: servir a população.</p>
<p><strong>AM – Os problemas agravaram-se com a retirada da confiança política por parte da concelhia local do PS. Como é que explica esta tomada de posição?<br />
</strong><br />
<strong>AS </strong>– É uma questão de pessoas que não acreditam neste projecto, que não têm este tipo de visão, que não se identificam na forma como estamos a governar. Tendo eles o poder, ao nível do PS local, o que acabaram por dizer é que não concordam com aquilo que está a ser feito, mas essa é uma questão à qual lhes compete a eles responder.</p>
<p>Eu fui eleito por um partido, respeito esse partido, como é evidente, mas as pessoas são eleitas mediante um programa eleitoral e há que o cumprir, independentemente das questões pessoais que cada um dos militantes tenha ou dos desejos que tinham intenção de ver concretizados e que, infelizmente, para eles, não o conseguiram.</p>
<ul>
<strong>“José Valentim é meu amigo, mas não me convidou”</strong></ul>
<p><strong>AM – Como é que tem sido governar a Câmara com todas essas divergências internas?</strong></p>
<p><strong>AS</strong> – É evidente que isso dificulta muito mais a gestão municipal. É muito mais difícil governar quando, sistematicamente, se inviabiliza tudo e mais alguma coisa. É difícil governar quando, ao chegar, encontrei o município com uma dívida enorme. Governar com dinheiro é fácil, mas sem dinheiro só os mais capazes é que o conseguem fazer.</p>
<p>É uma missão mais difícil, mas também dá um certo gozo podermos concretizar muitos dos objectivos a que nos propusemos mesmo com dificuldades em termos financeiros e com dificuldades de gestão criadas por estas oposições internas, sem qualquer fundamento e a prova disso é que as pessoas reconhecem o trabalho que se está a fazer e não se revêm neste tipo de política de terra queimada que algumas pessoas insistem em manter.</p>
<p><strong>AM – Em face dessa situação, diz-se que tem sido aliciado por outras forças políticas e eventuais movimentos independentes para ser o seu cabeça-de-lista. É verdade que, por exemplo, José Valentim o terá sondado para ser candidato pelo PSD à presidência da Câmara, sendo ele candidato à Assembleia Municipal?<br />
</strong><br />
<strong>AS</strong> – O José Valentim é meu amigo, é uma pessoa que considero muito, encontramo-nos regularmente, mas não me convidou para absolutamente nada.</p>
<p><strong>AM – E movimentos independentes?</strong></p>
<p><strong>AS</strong> – Também não. Neste momento, estou concentrado num projecto que tem como objectivo fazer o melhor pelo concelho de Vila do Bispo. Mas é evidente que tenho de pensar no meu futuro e a única garantia que posso dar é que serei candidato, se as coisas não se alterarem até ao acto eleitoral, independentemente do partido ou de qualquer acção que possa ocorrer.</p>
<p><strong>AM – Tudo indica que as estruturas nacionais do PS não o vão deixar fugir, uma vez que aprovaram o princípio do apoio à recandidatura dos actuais presidentes de Câmara que ainda não tenham cumprido 3 mandatos. Se isso acontecer, como é que vai relacionar-se com a concelhia local?</strong></p>
<p><strong>AS</strong> – É evidente que, para aceitar liderar um projecto do PS para o concelho, haverá condições. Nesta altura, ainda não está nada definido e, sendo assim, não posso comprometer-me com nada, vamos esperar que as entidades responsáveis se pronunciem sobre isto. Agora, uma coisa eu sei: pessoas que me criticaram, pessoas que não se revêm naquilo que tem sido a gestão camarária, elas próprias nunca poderão aceitar integrar um projecto que criticaram.</p>
<p>Portanto, espero que, sendo eu indigitado pelo Partido Socialista como candidato à presidência da Câmara Municipal, essas pessoas tenham a coragem de se afastar do processo e, de uma vez por todas, deixem de chatear.</p>
<p><strong>AM – Se for mesmo indicado pelos órgãos nacionais, essas pessoas do PS local terão de o apoiar a contra-gosto?<br />
</strong><br />
<strong>AS</strong> – Isso é algo que a elas diz respeito. O que eu digo é que me vou propor para mais um mandato para resolver os problemas do concelho, como tenho feito até aqui.</p>
<p>Quando há algo de que não gosto, em que não me revejo, afasto-me dessas situações ou tento combatê-las. Penso que são as opções que elas têm: ou se afastam ou tentam combater da forma que acharem mais correcta. Volto a insistir: pessoas que criticam determinado projecto, não podem querer associar-se a ele, como é evidente.</p>
<ul>
<strong>“Não há projecto nenhum que me venha a ser proposto que não envolva a vereadora Rute Silva&#8221;</strong>
</ul>
<p><strong>AM– Como é que explica um convite, alegadamente feito pelo pelo presidente da concelhia local do PS à presidente da Junta de Budens para ser ela a candidata do PS à Câmara?<br />
</strong><br />
<strong>AS </strong>– Não sei nada disso. Se a convidaram, se calhar, foi demasiado cedo. Se não a convidaram, fizeram bem.</p>
<p><strong>AM – Portanto, uma coisa parece certa: vai recandidatar-se à presidência da Câmara nas próximas eleições. Já tem os nomes das pessoas que o vão acompanhar?<br />
</strong><br />
<strong>AS</strong> – O que posso dizer é que não haverá projecto nenhum que me venha a ser proposto que não envolva a vereadora Rute Silva, que me acompanha desde o início. Se não a envolver, não estarei nesse projecto. Na política não vale tudo e alguém que se dedica de corpo e alma, que gosta do concelho, que trata bem as pessoas deve acompanhar-me enquanto eu puder candidatar-me.</p>
<p><strong>AM – Vai mesmo ser candidato, independentemente de ser ou não escolhido pelo PS?<br />
</strong><br />
<strong>AS</strong> – Vou ser candidato. É evidente que, para mim, já que iniciei este projecto com o Partido Socialista, teria todo o gosto e seria um orgulho poder concluí-lo pelo mesmo partido. Se dependesse de mim, assim seria, mas não depende de mim, depende do PS, a nível nacional. Espero que façam a melhor escolha para o partido.</p>
<p><strong>Entrevista: Guedes de Oliveira/Jorge Eusébio<br />
concedida ao site <a href="http://www.algarvemarafado.com/2016/11/05/adelino-soares-vai-recandidatar-se-a-vila-do-bispo-pelo-ps-ou-por-outro-partido/" target="_blank">Algarve Marafado</a><br />
e publicada pelo Algarve Express sob autorização dos seus autores</strong></p>
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