Autárquicas

A proliferação das candidaturas independentes em Lagos

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Uma democracia consistente e já com história não se pode limitar aos partidos que estruturam a sua matriz e que acabam por a sustentar. A sua maturidade também se acaba por manifestar em muitas outras formas de participação que a sociedade civil tem para oferecer e que acabam por a todos enriquecer. Mas, conforme se pode constatar ao longo das últimas décadas, as estruturas políticas vigentes são avessas a qualquer forma de participação que não estejam sob a sua influência ou escapem à sua tutela. Basta ver a desconfiança com que olham para tudo o que, sem ser debaixo de si, ouse aparecer em praça pública. Com esta ânsia de domínio e de absorção, pouco ou nenhum espaço deixam a outras formas de participação.

Um dos exemplos mais elucidativos desta sofreguidão de não se deixar espaço para estruturas autónomas ou que não dependam de si está na criação de candidaturas independentes ou outros organismos que mostrem apetência para serem auto-suficientes. As dificuldades que um grupo de cidadãos enfrenta para se poder candidatar a umas eleições autárquicas é a demonstração do caminho que tem de percorrer quem não se quiser submeter à esfera política do mundo dos nossos partidos. Mas se este exemplo é o mais sintomático devido ao período pré-eleitoral que vivemos, em qualquer outra época do calendário político a dificuldade de organizar diferentes formas de participação é uma realidade.

Perante o quadro que temos pela frente, a exigência dos cidadãos tem que se revestir de uma maior responsabilidade e de dar mostras de apostas feitas de credibilidade. E o que vemos no terreno não abona em favor de candidaturas independentes já que a maioria são de rejeitados ou dos que estão à beira de ser desempregados de diversos cargos autárquicos. É um panorama que se vê pelo país adiante com relativa extensão e do qual Lagos não é excepção. De acordo com as informações postas a circular e de outras que conseguimos confirmar, há já quem se apresse a entregar o cartão partidário por não ter espaço para o lugar almejado e por, desta feita, ter encontrado um novo espaço para dar resposta às suas ambições e não para servir as populações.

Mas, independentemente das motivações, em Lagos apressam-se a anunciar três candidaturas independentes e estão já a angariar algumas assinaturas. Há, no entanto, a considerar que as suas origens, as suas motivações e o percurso que estão a efectuar levantam algumas interrogações e criam mesmo a sensação que poderão morrer ainda antes de aparecer. Umas começaram-se por encostar ao CDS-PP que viu neste expediente uma forma de angariar mais uns poucos de votos para além do punhado com que, em Lagos, habitualmente é contemplado. Outras, com ligação ao Partido da Terra, haveriam de se afastar e nem sequer da sua estrutura quiseram beneficiar. E vá lá saber-se porquê!

Agora, as três estão no terreno, pelo menos em intenção, e não é muito fiável que qualquer delas consiga enfrentar as próximas eleições autárquicas, em Lagos. Mas independentemente do que venha a acontecer, as movimentações e os nomes que se fazem anunciar já estão a mexer com a pré-campanha para as autárquicas. A primeira fase foi quando os partidos se começaram a estruturar e a organizar as suas listas. E, como é bom de ver, os amuos, as obstruções e todas as movimentações dos que ficaram de fora fizeram-se sentir e continuam a agitar algumas estruturas internas. Mas com tudo a acalmar, há os que se conseguem conformar e os que estrebucham e ameaçam protagonizar uma qualquer candidatura independente.

Para já, o que está a animar o panorama político local é a situação das candidaturas dos deserdados, dos que estão prestes a ficar desempregados e de muitos outros que querem ter uma palavra a dizer no decurso destas eleições autárquicas. Mas, independentemente de todas as motivações, estas aparições são um sinal de vitalidade e um alerta para a sociedade em geral. Limitarmo-nos apenas aos partidos é um sintoma de uma democracia fossilizada nos seus aspectos formais e sem capacidade para se abrir e para se enriquecer com outras contribuições da sociedade civil. Por isso, estas candidaturas são bem vindas ao seio da sociedade de Lagos. E se tiverem força para irem por diante, dão a sua contribuição para uma democracia com vitalidade e onde a liberdade não se limita ao quadro da nossa estrutura partidária.

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