O fascínio das paisagens do Minho

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Apesar de Portugal ser um país de pequenas dimensões, apresenta uma variedade e uma riqueza invulgar ao longo deste rectângulo que se estende ao longo de uma vasta frente de mar. Mas também há um interior que se desdobra em múltiplas facetas que vão desde as suas serranias mais altas até aos seus vales profundos ou às suas planícies a findar numa imensa paisagem que, pela frente, nos faz perder na sua linha de horizonte. É todo um país com uma fisionomia que, em cada recanto, ostenta uma magia bem própria. E vale a pena percorrer este território sempre cativante por nos surpreender em tudo o que tem para nos oferecer.

Minho7E um dos recantos que exerce sobre nós uma particular atracção é o desse Minho verdejante com os seus vinhedos em formato de latada, com os seus rios ladeados de vegetação, com os seus monumentos de granito a conjugar sumptuosidade com austeridade e com esse colorido das suas gentes a transbordar de alegria e a mostrar uma beleza bem sua. Mas, para além desse património humano e natural, o Minho surpreende-nos pela variedade da sua costa que tem servido como pólo de atracção e por uma variedade de rios que, ao longo do seu percurso, têm funcionado como ponto de fixação.

Minho2É sempre cativante percorrer a sua paisagem rural com os campos a preencher grande parte do seu território e a misturar-se com o casario para que o quadro seja mais atraente e nos consiga cativar e até convidar a percorrer os seus caminhos. E uma constante é a dessa verdura sempre presente e mais sensitiva quando o verão se começa a anunciar e o calor, em fase mais adiantada, começa a apertar. Esse verde tão característico com que a natureza prendou esta região acaba por funcionar como o seu sinal mais distintivo e exerce ainda mais persuasão pela força do verão. Até as suas serras ou os seus montes mais altos conservam este matiz verdejante e que fascina qualquer visitante.

Minho5Mas, para além dessa paisagem rural tão característica, também a dimensão urbana do Minho exerce o seu fascínio e funciona como ponto de atracção a quem queira conhecer os seus caminhos e penetrar nas suas artérias. Basta percorrer a monumentalidade da sua capital natural como é a antiga Bracara Augusta. A que foi transformada na capital dos arcebispos consegue conjugar a sua antiguidade com uma juventude florescente que a tem vindo a renovar e a dotar de grande vitalidade. A par de Braga, outras cidades se conseguem afirmar como é o caso de Viana do Castelo ou de Guimarães só para mencionar as de maior dimensão. Mas muitas outras, estendidas ao longo da região, dão a sua contribuição para a prosperidade e vitalidade deste pedaço de Portugal.

Minho3Para a observarmos com mais atenção, decidimos percorrer uma parte significante dessa paisagem tão fascinante. A partir do Porto, o comboio haver-nos-ia de levar a desbravar aquelas terras que tanto têm para mostrar. Ao longo da linha do Minho, os campos, com o seu verde tão característico, começaram a dar a conhecer esse mundo tão peculiar e a permitir que fossemos capazes de observar tudo o que têm para oferecer. Esse suceder de estações e apeadeiros levar-nos-iam a atravessar rios como o Cávado, Lima ou Minho. Mas outros de menor dimensão também contribuíam para a beleza da região. E as localidades iam-se mostrando e acenando à nossa passagem. Era o que acontecia com Barcelos, Viana do Castelo, Vila Nova de Cerveira ou Caminha. Mas outras sem a mesma visibilidade também se nos foram mostrando e convidando para a sua beleza. Entre elas há a destacar Vila Praia de Âncora, Lanhelas ou Gondarém com algumas ilhas, em estilo de desafio, plantadas no meio do rio.

Minho4Neste corrupio de terras que se alinhavam ao longo do nosso percurso, eis que Valença se começa a avistar e a nossa viagem aí acaba por terminar. Foi tempo para percorrermos o seu traçado urbano e penetrarmos no interior da sua fortaleza. E deu para observar que aquela fortificação militar ostenta uma beleza invulgar. Para além das suas ruas estreitas e de sabor medieval, o seu comércio, de pendor turístico, dá-lhe uma feição actual. É cativante percorrer essa espécie de labirinto urbano e entrar em algumas das suas Igrejas. Mas o que é mais surpreendente é essa paisagem que, a partir das suas muralhas, temos por diante. Na verdade, pela frente abre-se-nos essa visão luxuriante do rio Minho que nos separa de Tui, já em Espanha. E vale a pena percorrer aquela fortificação e admirar aquele rio que faz de separação do país vizinho a caminho do mar. É tempo para meditar e para os artistas ensaiarem um poema ou retratar aquele quadro numa tela para se perpetuar noutros tempos e em outros espaços.

Minho6Minho8E para um conhecimento maior daquela localidade, decidimos atravessar a velhinha ponte internacional, em fase de restauração, e que, em tempos idos, assistiu a um intenso movimento em torno de si. Agora, continua a ver alguns veículos passar enquanto assiste, mais a jusante, ao movimento da nova ponte que a veio aliviar. Sinais da vitalidade de outrora e da agitação que conseguia concentrar vêem-se nos postos de alfândega desactivados e já meio degradados de ambos os lados. E contra a decadência que se começava a instalar, estão as obras de recuperação dessa ponte secular. Depois de a percorrermos num e noutro sentido e de penetrarmos em algumas ruas de Tui, foi tempo de regressarmos e voltarmos à estação para apanharmos o comboio de regresso. Para trás, deixámos uma localidade que nos soube receber e mostrar as potencialidades que tem para oferecer. Pelo caminho, novamente a paisagem desse Minho verdejante exercia o seu fascínio e emoldurava uma tela como aquela. E com esse 12 de Junho a passar, o sol no horizonte fazia questão em nos acompanhar. E consigo a cair, aquele verde adquiria tonalidades que ainda mais nos conseguiam fascinar e funcionavam como um convite a explorar outros itinerários do seu interior.

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