Os contrastes do Gerês

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Se o inverno é o tempo do aconchego e das paisagens serranas chegarem a mostrar o seu manto branco, é pelo verão que o convite é feito a cada transeunte a penetrar no seu interior e a apreciar o que, de mais profundo, aí se pode descobrir. Cada percurso, com a sua beleza bem própria, nos pode levar ao encontro de pedaços de uma geografia que se nos vai revelando e mostrando uma disparidade que contrasta com a unidade de um mesmo território.

Gerês1É um pouco o que se pode ver ao longo daquela estrada que, de Braga, parte para o interior e que nos vai dando cambiantes diferentes de uma paisagem austera. À medida que vai subindo, vamos penetrando nessa panorama peculiar que se começa a afastar dessa região mais familiar da faixa do litoral. E, de repente, os contrafortes de serranias mais distantes começam a indicar que terras mais rudes e austeras se começam a aproximar. Mas a estrada segue o seu ritmo natural e nenhuma beleza especial parece quebrar o seu ritmo.

Gerês2Mas eis que, de repente, a sinalização faz-nos desviar daquela estrada que nos queria levar até terras de barroso. Era o Gerês que se fazia anunciar e que parecia chamar por cada um de nós. Acedemos àquele convite e começamos a descer por entre curvas que faziam questão de pôr à prova a nossa atenção. E mais uma indicação obriga a uma interrupção daquele percurso. A pousada de São Bento chamava-nos para admirar aquela paisagem tão deslumbrante. E, de facto, depois de a termos percorrido, fomos admirar o panorama que fazia questão em nos presentear. De lá de cima, a verdura, ao longo daquele vale profundo, era estonteante e um espelho de água, em que o sol se reflectia, prendia-nos ainda mais àquele quadro.

Gerês4Tudo nos fazia descer para, de perto, contactar com aquela visão panorâmica. Mas decidimos retroceder para melhor conhecer Vieira do Minho e aí saborear uma posta barrosã. Depois de percorrer a localidade e melhor ficarmos a conhecer uma terra como aquela, foi tempo para apreciar a sua gastronomia e ficarmos, de novo, com apetite de aí voltarmos um dia.

Parque Penada Gerês1Parque Penada Gerês2E com este conforto, em dia de São João ou não fosse 24 de Junho, foi tempo de descer para o Gerês e de percorrer a estrada que serpenteava aquele espelho de água. Como o calor se fazia sentir, eram muitos os que desfrutavam as praias improvisadas das águas do Cávado. Aquela superfície aquática ganhava extensão e tranquilidade devido às barragens que a emparedavam e lhe conferiam uma aparência de sonolência que ainda mais se agrava com a luz do sol. Assim, lá íamos deslizando quando, de repente, tínhamos pela frente a Vila do Gerês. As casas alinhavam-se ao longo da ruaque o verde parecia refrescar e a actividade turística nas muitas pensões, alguns hotéis e comércio local, a par da actividade termal, pareciam dinamizar. E num passeio a pé pela Vila, o Gerês ganhou maior proximidade e até a sua paisagem envolvente ganhou maior profundidade.

Gerês Corredores de águaEm contraste com o sossego das suas ruas ou do seu espelho de água, estavam as cascatas que o rio Gerês fazia precipitar e as escarpas rochosas que fazia questão em atravessar. As suas águas límpidas e agitadas fizeram-nos cair na tentação de ainda tentarmos subir em direcção à Portela do Homem. Mas o percurso, por falta de tempo, haveria de ficar pelo meio. Mas, mesmo assim, deu para percorrer um traçado excessivamente sinuoso que nos levava por entre uma frondosa vegetação que se perdia quando uma escarpa acentuada aparecia. À medida que o percurso subia, a vegetação cedia lugar aos cumes rochosos que se erguiam no ar. E, completamente desnudados, pareciam tocar nas nuvens alterosas que se faziam aproximar.

CascataE quando o cimo se aproximava, foi tempo de regressar e de, de novo, atravessar a Vila do Gerês e de toda a paisagem envolvente com tudo o que tem de cativante. Já em sentido inverso, decidiu-se regressar, mas por um novo trajecto que nos conseguisse mostrar uma realidade diversa. Foi o que fizemos ao atravessar Terras de Bouro. Ainda com o espelho de água do Cávado que nos conseguiu acompanhar até à Barragem da Caniçada, em Paradela do Rio, fomos percorrendo uma paisagem diferente até depararmos pela frente com a abadia de Santa Maria de Terras de Bouro. Aquele mosteiro secular que, nos dias de hoje, se haveria de transformar em mais uma pousada, prendeu-nos a atenção e serviu para uma visita ao seu interior e para admirar a sua antiguidade e a austeridade que brota das suas pedras e de tudo o que a rodeia.

Pousada de Santa Maria1Depois de percorrermos aquela abadia, começámos a descer e a deixar para trás mais um percurso do Minho interior. Ladeámos Amares e atravessámos Vila Verde. Tibães despertou-nos a atenção e o convite para visitar o seu mosteiro aguarda melhor ocasião. E com este desejo latente, atravessámos Braga que, rapidamente, ficou para trás. Mas, connosco, continuaram as imagens de um Gerês bem presente e feito de imagens contrastantes. A pacatez do seu lago, encaixilhado ao fundo de uma vegetação luxuriante, contrasta com a rebeldia do seu rio natural que, em cascatas ou por entre superfícies rochosas, acaba por demonstrar a força da natureza que o Gerês, à vista ou escondido, tem para oferecer.

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