Opinião

Eduardo Andrade com oposição na eleição para a Misericórdia de Lagos

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A Misericórdia de Lagos é uma das maiores instituições da cidade e do concelho. Com dois lares na cidade, o José Filipe Fialho e o Rainha D. Leonor, e muitos mais pelo concelho adiante como o de Odeáxere, Bensafrim, Barão de São João e Espiche, emprega 350 pessoas e dá assistência a 900 utentes. Possui ainda centros de dia e dispõe de uma vasta rede de apoio ao domicílio. Para fazer face a todo este movimento assistencial, conta com um orçamento anual que atinge o montante de seis milhões de euros. E, embora requeira já uma gestão empresarial, não pode nunca perder o seu carácter vincadamente social.

Devido à sua dimensão e a uma certa grandeza, as movimentações políticas começam-se a sentir sempre que algum acto eleitoral chama os seus irmãos a este dever quadrienal. Mas mais do que a sua gestão, está o seu domínio e a sua utilização. Não admira, por isso, que, sempre que há eleições, as movimentações políticas subam de tom e se posicionem para mais uma confrontação.

Assim tem sido ao longo do tempo. E ganhou mais expressão quando Júlio Barroso se quis manter e aliar as suas funções de provedor com as de presidente da câmara. Continuaria quando lá quis colocar quem, em seu nome, ocuparia aquele lugar. Foi o que nos veio mostrar a sua indigitação e a sua continuação com Eduardo Andrade. Não admira, por isso, que, dentro da lógica instalada, outras formações políticas se aliassem e impugnassem esta eleição que cheirava a continuação do presidente da câmara por interposta pessoa.

E esta correria o risco de cair se o seu rigor e a sua dedicação não fossem garantes da sua continuação. Com efeito, embora Eduardo Andrade chegasse à Misericórdia envolto nos vícios de um passado não muito distante, soube-se impor pela sua discrição, por um trabalho metódico, pela sua seriedade, pela sua dedicação e por saber recuperar o espírito da Misericórdia. E esta seria, na verdade, a melhor garantia da sua continuidade. Rapidamente os seus opositores, de outras formações políticas ou não, renderam-se ao seu trabalho e dedicação. O mesmo se poderá dizer da sua sabedoria em recuperar a história e o espírito da instituição ao restabelecer a sua ligação ancestral à Igreja e a ter em conta a autoridade episcopal.

Com tudo apaziguado e com a Misericórdia de Lagos com uma gestão empresarial em fidelidade ao seu espírito e à sua missão, eis que as eleições se começam a aproximar e que os vícios do passado se voltam a recuperar. O partido, ao qual Eduardo Andrade, directa ou indirectamente, tem estado ligado e pelo qual, na Misericórdia, foi colocado, parece mostrar algum descontentamento pela forma isenta e imparcial como o Provedor vem trabalhando e desempenhando a sua missão. E quando o reconhecimento é geral, os primeiros arrufos, dentro de portas, começam a aparecer e algumas lebres dão a cara para ver o que pode acontecer.

Foi dentro desta estratégia que alguns reparos começaram a subir de tom, que alguns nomes alternativos começaram a surgir e que, por fim, uma lista oriunda dos meandros partidários decidiu aparecer. Ninguém, por maior que seja o seu rigor e a sua dedicação, é insubstituível. Qualquer alternativa que surja é sempre de incentivar. De uma forma geral, outras propostas que possam aparecer valorizam e enriquecem qualquer acto eleitoral. E, nesta eleição, a Misericórdia de Lagos não é excepção. Mas uma coisa são outras propostas ou novas alternativas que se queiram apresentar e outra, bem diferente, são as intromissões, veladas ou não, de quem quer reintroduzir os vícios da política numa instituição que lhe tem vindo a resistir.

A lista, em forma de alternativa, de Fernando Graça, mais conhecido por Nani, secundado por Joaquim Rocha e Fernando Marreiros e na assembleia geral por Pedro Cruz, mais não é do que uma oposição ao rigor, à competência e á isenção de Eduardo Andrade. E consigo transporta o perigo de se vir a restabelecer os vícios que os meandros da política costuma transportar. E, neste sentido, pensamos que, se esta equipa opositora sair vencedora, representará, na Misericórdia, um retrocesso ou um passo de marcha atrás. Mas também, Eduardo Andrade, aquando da sua primeira eleição, trazia consigo este estigma e esta catalogação. Também a nova equipa que se está a apresentar a sufrágio tem o poder de, num golpe de asa, vir a surpreender.

Independentemente dos resultados que se venham a verificar, é de realçar o trabalho que Eduardo Andrade veio a desenvolver, a estabilidade e paz social que conseguiu transmitir, o prestígio que lhe conseguiu restituir, os laços históricos que teve a coragem de recuperar e o retomar da ligação à Igreja que sempre fez parte do seu espírito original.

Para além deste reconhecimento que é devido, resta aguardar este acto eleitoral. E nele Eduardo Andrade vai ter uma oposição que, apesar de todo o quadro que a rodeia, vem prestigiar a instituição.

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