Opinião

A rua como pano de fundo das comemorações de Abril em Lagos

ANTÓNIO GUEDES DE OLIVEIRA
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Numa altura da nossa história democrática em que o fosso entre eleitos e eleitores mais se acentua, todos os esforços para suavizar essa realidade começam a puxar pela imaginação e a tentar demonstrar que a política é um serviço público para tornar grande uma nação como a deste cantinho à beira mar plantado.

É que, apesar da sua dimensão e da sua localização demasiado periférica, Portugal, um dia, haveria de pôr o mundo a pensar e de funcionar como ponto de observação de uma revolução onde o cravo colorido foi a sua imagem de marca. E sobre essa imagem tão cândida de uma criança a colocar um cravo vermelho na ponta de uma espingarda, já se passaram 43 longos anos.

Muitas águas passaram por debaixo das pontes e muitas outras alimentaram as fontes. Entretanto, uma classe política se instalou e um corrupio de interesses passou a dominar grande parte de quem tem, ao longo de todo este tempo, dominado a vida de todos nós. Não é por isso de estranhar que o fosso entre políticos e cidadãos se tenha vindo a acentuar.

Para o atenuar, ou então, para o disfarçar, os políticos de Lagos decidiram sair à rua e dar à comemoração deste 25 de Abril de 2017, um cariz mais popular. Ou, talvez, para não se correr o risco de se deparar com uma sala demasiado vazia. Independentemente das motivações, a sessão solene das comemorações do 25 de Abril, em Lagos, teve lugar em plena rua, na Praça Gil Eanes, defronte do edifício da antiga Câmara Municipal de Lagos.

Todas as forças políticas discursaram para exaltar os valores de Abril e começarem a acenar à campanha que, entretanto, se começa a fazer sentir nesta recta final a caminho das autárquicas. Presidente da Câmara, da Assembleia Municipal e demais forças políticas cumpriram a sua missão sem esquecer a eleição que se avizinha.

Para não serem só os políticos a fazer a festa, muitas colectividades com os seus estandartes fizeram-se representar e fizeram questão de, com o seu colorido, abrilhantar uma sessão como aquela. Alguma população, mais para ver o folclore da sessão e poder seguir uma liturgia como aquela, por lá esteve até tudo se desmobilizar e partir rumo à casa de cada um.

Pôde ainda visualizar-se uma exposição fotográfica das primeiras cerimónias que, em Lagos, quiseram celebrar e dar um ar de festa a essa primeira comemoração. Outros eventos como exposições, almoço e as mais diversas manifestações quiseram assinalar esta passagem dos 43 anos das comemorações de Abril em Lagos.

Mas para que estas celebrações ganhem outra expressão, em Lagos e pelo país adiante, a política dos interesses ter-se-á de esbater ou mesmo de anular. Só assim os cidadãos, em maior número, se começarão a aproximar e o fosso entre eleitos e eleitores se começara a aplanar. E então Abril ganhará outra expressão e o seu significado motivará a população para a sua comemoração. Quem sabe se já em 2018!

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