Sociedade

Procissão de Corpo de Deus por entre as esplanadas de Lagos

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Numa sociedade dominada pelo laicismo, as manifestações públicas de religiosidade começam a escassear e quando acontecem nem sempre encontram condições apesar da adesão de determinadas camadas da população. Foi o que aconteceu, em parte, com a procissão do Corpo de Deus, em Lagos. Apesar do feriado que todos fazem questão de usufruir, nem todos lhe dão o significado que se lhe deveria atribuir. É sinal de que a fé é um dom que pertence à esfera individual de cada um. Mas quando é celebrada em comunidade, merece o respeito de toda a sociedade, independentemente da laicidade que a domina. Nisto consiste a diversidade de uma sociedade plural, democrática e aberta à diferença.

Esta diversidade passa também pela adesão a uma realidade indispensável à nossa história como povo e como nação. Não poderemos menosprezar essa raiz cultural iminentemente judaico cristã. E a de um cristianismo que nos cimentou e nos formatou ao longo de uma história milenar. Não admira, por isso, que, embora o laicismo faça questão de ser dominante, haja feriados religiosos que continuam a estar presentes na nossa vida em sociedade. E o do Corpo é mais um que se recuperou e que se continua a celebrar e a marcar a vida de muitas comunidades. E se algumas celebrações são mais recatadas ou confinadas a templos sagrados ou aos seios familiares, outras há que saem às ruas para celebrar e manifestar a sua fé.

Foi o que aconteceu pelas ruas da cidade de Lagos. Depois de uma celebração na Igreja de São Sebastião, a procissão do Corpo de Deus sairia à rua a caminho da Igreja de Santa Maria. O cortejo alargado, percorreu várias artérias da cidade entre as quais as do seu centro histórico. Apesar de todos os fiéis que se lhe quiseram juntar e das instituições que a vieram abrilhantar, a procissão teve que se andar a desviar das várias esplanadas plantadas ao longo das diversas ruas de Lagos. E foi confrangedor ver o pálio com o Santíssimo, ora entrar pela direita, ora sair para a esquerda das mesas e cadeiras que se encontravam no seu encalço.

Não perturbaria por aí além o comércio da restauração se, por pouco mais de meia hora, se acondicionassem esplanadas e se se desse outra dignidade àquela solenidade. É por isso que, em ocasiões como esta, autoridades religiosas e locais previamente se deveriam juntar para se dar mais dignidade a uma solenidade como esta. Com este senão a registar, é de realçar a procissão do Corpo de Deus, saída de São Sebastião e, por entre as ruas de Lagos, a caminho de Santa Maria.

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