Economia

O adeus ao velho Hotel Golfinho

ANTÓNIO GUEDES DE OLIVEIRA
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O Hotel Golfinho era uma espécie de ícone da velha hotelaria de Lagos. Juntamente com o Hotel de Lagos e o da Meia Praia, aos quais se associava o de São Cristovão, dominava o parque hoteleiro de Lagos e desta faixa que se estende para oeste e que se designa por Costa Vicentina.

E, se cada um tinha a sua especificidade, o Golfinho, com a sua imponência e a sua localização, impunha-se pela sua dimensão e pela sua grandiosidade. Situado ao cimo da Dona Ana, dominava esse pedaço de costa e de mar que, com os seus rendilhados e a toda a sua preciosidade, se estende até à Ponta da Piedade.

E foi este exemplar da hotelaria do século passado de Lagos que, apesar de fazer história e de perdurar na memória de gerações, começou a entrar em decadência, a perder a áurea que detinha e a soçobrar perante o desinvestimento que o invadiu e o deixou entregue ao seu próprio destino.

Para trás ficaram os tempos de enchentes de hóspedes que o caracterizaram, de eventos que aí se realizaram e das mais diversas manifestações que passaram pelo seu interior. Quando, na cidade, os espaços para eventos de consideráveis dimensões escasseavam, era o Golfinho que, com as suas salas de consideráveis dimensões, oferecia condições que, noutros espaços, nesses tempos, não havia. E, por isso, aí a vida acontecia.

E quando o desinvestimento já era uma realidade, o velho Hotel Golfinho começa a ser transacionado com o anúncio de grandes investimentos e de uma nova era para esta cidade que se começa a apelidar como a Lagos dos Descobrimentos.

Mas, apesar de todo o investimento anunciado, o velho Golfinho é encerrado e, cada dia que passa, o seu estado de ruína começa-se a agravar e a definhar em ritmo acelerado. Com os anos a passar, esse estado de ruína ainda mais se continua a acentuar. E, nos últimos anos, essa carcaça erguida no ar causa um dó de alma a todos os que o viram fervilhar e, cheio de vida, mostrar toda a sua pujança.

Já entregue a esse estado de ruína que o tem caracterizado nos últimos anos, eis que, mais uma vez, se começa a ouvir que o Golfinho estará prestes a ressurgir. Com a desconfiança que estes novos anúncios provocam por tanto se anunciar o que, com a passagem do tempo, acaba por não se realizar, eis que algumas movimentações se começam a notar e todo um programa de marketing, em torno do velho Hotel Golfinho, se está a levantar.

Por enquanto, apenas se veem outdoors com as imagens do futuro que o estão a rodear e escritórios de venda para comercializar o novo conceito desta velha unidade turística. Mas, no que ao edifício diz respeito, a velha carcaça continuar no ar e a enfrentar mais um verão enquanto espera pela anunciada remodelação.

    O conceito que promete dar nova vida ao edifício

Mas no que ao novo conceito de hotel diz respeito, este parece querer afastar-se do velho Golfinho para obter maior rentabilização apoiado num novo conceito de gestão. Reduzindo ao mínimo o investimento, o novo conceito procura designar os quartos por apartamentos para os comercializar.

Assim, os 269 quartos, designados no marketing de comercialização por apartamentos, serão vendidos ao público que, individualmente, os poderá adquirir como um investimento do qual poderá auferir, por ano, uma mais valia de 7%. Poderá ainda usufruir, do seu apartamento, 14 dias por ano. Certamente na época mais baixa. E, ao fim de cinco anos, se assim o entender, quem comprou pode vender; mas pelo preço da compra.

E assim, o novo Golfinho, agora designado por LAGOS Beach Resort & Spa, poderá ter para cima de mais de duas centenas e meia de proprietários debaixo de uma mesma gestão que os detentores do conceito asseguram que, de preferência, vai ser uma gestão de excelência.

Para isso, a IR Group, à frente desta comercialização, afirma estar em negociações com algumas das mais experientes empresas de gestão hoteleira com o intuito de selecionar uma que se encontre entre as 10 melhores empresas de gestão hoteleira mundial.

Para além dos 269 quartos, agora designados por apartamentos para serem sujeitos a processo de comercialização, o novo LAGOS Beach Resort & Spa dispõe de restaurante e piscina, health club, circuito spa, piscina interior, jardim zen, sala de eventos, kid`s club e parque de estacionamento. As obras de remodelação começarão ainda no decorrer de 2018, estender-se-ão por 2019 e prevê-se que estejam concluídas antes do verão de 2020 para ainda se aproveitar essa época balnear.

Apesar do velho Hotel Golfinho, agora designado por LAGOS Beach Resort & Spa, ser já um projecto de monta, é apenas o segundo a que a IR Group deita mãos. O primeiro, com abertura prevista ainda para este ano de 2018, situa-se em Sesimbra com a designação de Mercure Ocean Sesimbra. Espera-se, por isso, que esta pouca experiência num ramo hoteleiro com estas características não seja obstáculo para que o LAGOS Beach Resort & Spa não possa vir a encarar o futuro na tradição do que já foi esta velha unidade hoteleira da Praia de Dona Ana.

Para já, além de se dizer adeus a esta velha carcaça em constante degradação e a manchar a paisagem urbana do cimo da Dona Ana, diz-se também adeus ao velho Hotel Golfinho na sua configuração e na senda do que foi a tradição da hotelaria secular e que conseguiu atravessar largas décadas da cidade de Lagos. Em sua substituição, dá-se as boas vindas à nova concepção do LAGOS Beach Resort & Spa desde que seja para continuar e dignificar as melhores tradições do que tem sido a velha hotelaria de Lagos.

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