Opinião

Arte Doce na XXXI edição a perder fulgor e imaginação

ANTÓNIO GUEDES DE OLIVEIRA
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A Feira Concurso Arte Doce, além de acontecimento de monta a nível local, preenchia a agenda dos principais eventos a nível regional e entrava nos circuitos da informação mesmo a nível nacional. Com o verão no seu pico mais elevado, a cidade, no último fim de semana de julho, preparava-se para esta amostra invulgar em que o doce a movimentava e subia a primeiro lugar. E as edições foram subindo de tom com anos em que foram mais conseguidas e outras, não tanto, mas sempre cheias de vida. As condições do Mercado de Levante, embora deficientes e sempre a exigir nova sede para um certame como este se realizar, mesmo assim puxavam pela imaginação e, de ano para ano, conseguiam juntar à sua volta um monte de atrações que chamavam até si actividades tradicionais que celebravam épocas mais próximas ou mesmo tempos imemoriais.

Com toda essa diversificação que a Arte Doce, de edição para edição, conseguia atrair ao interior ou em redor do Mercado do Levante, a cidade ali se costumava juntar e fazia seu este acontecimento que, apesar do calor, era um momento de grande movimentação e mesmo um factor de animação do verão lacobrigense. Ainda se chegou a experimentar o Parque da Freiras quando este parecia estar a transformar-se num polo de animação e de concentração dos principais eventos de Lagos. Essa passagem, apesar da ousadia que conseguiu demonstrar, da forte movimentação e da ligação à cidade que veio a revelar, não conseguiu perdurar. E essa concentração de eventos em torno do Parque das Freiras rapidamente desapareceu e toda a vida em seu redor se esvaneceu.

Trabalhos a concurso

Trabalhos a concurso

Mas no que à Arte Doce diz respeito, uma casa nova foi encontrada e aí definitivamente parece ficar instalada. Referimo-nos ao Complexo Desportivo de Lagos, situado à entrada da cidade, no sítio de S. João, onde, há anos, esta Feira Concurso foi implantada e aí parece estar acomodada sem qualquer evolução, sem uma estratégia de ligação e de movimentação do tecido social, económico e cultural da cidade e sem revelar qualquer originalidade de edição para edição. É o que se tem vindo a verificar desde que, há anos, no Complexo Desportivo, a Arte Doce se começou a instalar e a acomodar ao novo espaço.

20180727_183627 (1)E este ano é mais uma edição. Nada mais que a XXXI. Uma história que a tem engrandecido mas, nos últimos anos, entregue á sua rotina, não tem evoluído. É verdade que, em termos de espaço, tem outras condições e que, para quem a visita, o recinto do pavilhão oferece um espaço confortável à população e aos visitantes que aí começam a acorrer em número bem menor. É caso para se dizer que o que não consegue evoluir tem tendência a retroceder. E a Arte Doce, quem diria, parece não fugir a esta sabedoria. Com stands uniformizados e sem qualquer inovação, lá se vai encontrando, sem se renovar, o mesmo figurino do ano anterior. O pouco investimento, em termos de empenho e de imaginação, viu-se até na cerimónia de abertura e de inauguração. Com a Presidente da Câmara atrasada, a Feira, de uma forma muito pobrezinha, acabou por ser inaugurada pela vereadora da cultura ali a funcionar com alguma prontidão em termos de pronto socorro de ocasião.

Mas para que a Arte Doce não se limite aos meros passantes pelo pavilhão, aposta-se, fundamentalmente, no recinto ao lado, no programa de animação. Mas também este demostra alguma pobreza e ausência de imaginação em torno de um programa que deveria funcionar como ponto de atração e chamariz de visitantes e, prioritariamente, da população. Na ausência desses motivos galvanizadores, faz-se fortes investimentos em concertos que sempre conseguem chamar grandes multidões para essas actuações. É o caso de Diogo Piçarra, de Gisela João ou de Nelson de Freitas nesta edição. Com estes ajuntamentos e aglomerações em torno destas actuações, para trás vai ficando uma programação que implique a cidade na sua globalidade. A Arte Doce não se pode acantonar a um mero espaço da entrada da cidade. É fundamental considera-la na sua totalidade. E já que à gastronomia diz respeito, a restauração deveria ser chamada e implicada numa manifestação como esta. Também a animação do centro da cidade para chamar a atenção desta celebração se deveria considerar e se deveria incentivar. E, para isso, nada melhor do que implicar as colectividades culturais e, através delas, outras mais de diferentes proveniências.

É fundamental puxar pela imaginação e fazer da Arte Doce um acontecimento global e que não fique acantonado a um mero local como o do Pavilhão Desportivo situado à entrada de Lagos. E se a estratégia não for de o colocar no calendário dos eventos a nível regional e com repercussões na informação nacional, ao menos que se transforme num acontecimento digno de nos engrandecer e de implicar a totalidade da cidade de Lagos como já aconteceu em tempos não muito distantes.

Veja em baixo a lista de todos os vencedores.

Lista de Premiados do Concurso Arte Doce 2018 – “Qualidade na Tradição”

“Melhor Doce de Figo” – Cantinho Doce da Fernanda
“Melhor Doce Fino” – Gracinda Batista
“Melhor Morgado” – Bolos da Ana
“Melhor D. Rodrigo” – Os Docinhos da Gena

Lista de Premiados do Concurso Arte Doce 2018 – “Tema Livre”

3.º Prémio – As Passinhas do Algarve
2.º Prémio – Bolodoce Doçaria Regional
1.º Prémio – Lucília Norte Baptista

Lista de Premiados do Concurso Arte Doce 2018 – “Tema Obrigatório”

3.º Prémio – Os Docinhos da Gena
2.º Prémio – Cantinho Doce da Fernanda
1.º Prémio – Filipa Militão

Grande Prémio Concurso Arte Doce 2018

Bolodoce Doçaria Regional

Escolha do Público Concurso Arte Doce 2018

Tema Livre: Os Doces da Fátima
Tema Obrigatório: Os Doces da Fátima

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