Opinião

Com oferta de um lugar no Parlamento Nacional

Joaquina Matos abandona presidência da Câmara Municipal

ANTÓNIO GUEDES DE OLIVEIRA
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Era já um tema que preenchia as conversas informais e que até se debatia, com descrição, em alguns órgãos institucionais. Mas, pese embora o que informalmente corria e o que nos corredores do poder já se dizia, estava-se longe de imaginar que Joaquina Matos pudesse abandonar a Câmara Municipal de Lagos ainda antes deste segundo mandato chegar ao fim.

Mas havia uma estratégia planeada e que, mesmo nos corredores da cidade, já era sobejamente comentada por quem faz opinião ou segue os circuitos informais de divulgação inscritos nas redes sociais ou em outros canais cheios de informalidade e que percorrem os diversos circuitos desta cidade cheia de história.

Por isso, quando a notícia rebentou não apanhou ninguém desprevenido. Só os que, mais atreitos às questões da fidelidade, julgavam que a palavra dada se deveria manter e que o mandato pedido aos eleitores seria para cumprir e ir até ao fim dos seus dias. Mas não foi. E tudo porque uma saída dourada daria lugar a que Hugo Henriques, segundo da lista, pudesse chegar à Presidência da Câmara mesmo antes de qualquer votação ou de pronunciamento da população.

Em termos políticos, poder-se-á dizer que uma jogada bem planeada surtiu bom efeito. A Presidente, Joaquina Matos, vai experimentar, durante um mandato, um lugar de significado político no Parlamento Nacional em troca da sua Presidência da Câmara Municipal. Hugo Henriques, sem se sujeitar a qualquer eleição, vai, durante dois anos, preparar um lugar que, se não houver convulsões, vai poder legitimar e prolongar em futuras eleições.

Seguramente, Hugo Henriques não necessitaria deste expediente. E muito mais com uma oposição ausente e a dar a impressão que se alheou dos reais problemas da população. Basta olhar para o panorama da cidade e com consequências e repercussões no nosso verão e em toda a vida da população. Mas, em boa verdade e ainda mais sem oposição, a sua vida política e à frente da Câmara Municipal de Lagos fica facilitada e a sua futura eleição fica praticamente salvaguardada.

Para trás ficaram alguns autarcas que não se conformam com esta solução e com alguns jogos de poder que, por mais avançados no tempo, fazem questão em se manter. É o caso, segundo desabafaram, de grupos familiares serem privilegiados, de zonas geográficas manterem alguma usurpação e de muitas outras situações desembocarem em arranjos que visam disputar o poder e de arquitetar fórmulas de o manter.

Para além de todas as questões que se possam levantar, o certo é que temos Joaquina Matos a caminho do Parlamento. Mesmo sem muito se esforçar, terá de enfrentar uma dócil campanha eleitoral para, ao menos, justificar o seu lugar no Parlamento Nacional. E Hugo Henriques, já como novo Presidente da Câmara Municipal de Lagos, fará dois anos com tranquilidade à frente dos destinos da edilidade de Lagos. O desafio maior será quando tiver pela frente uma campanha eleitoral que, verdadeiramente, o legitime à frente dos destinos da Câmara

Municipal. Mas com uma oposição alheada e sem nada ter para dizer, não terá dificuldade de maior se se souber rodear e apresentar uma equipa capaz de responder aos desafios dos dias de hoje e de amanhã.

Apesar desta grande transformação e desta profunda alteração nos destinos da cidade de Lagos, tudo rapidamente se vai esquecer com este tempo constantemente a aquecer e com a força do verão a encher as ruas, os caminhos e as praias de Lagos. E, entretanto, Joaquina Matos vai-se preparando e mentalizando para subir as escadarias do Parlamento Nacional e Hugo Henriques, mesmo sem eleição, para assumir a Presidência da Câmara Municipal de Lagos.

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