Opinião

Campanha convida a fugir do Algarve

e, por entre uma tímida reação, não há quem se levante em defesa da região
ANTÓNIO GUEDES DE OLIVEIRA
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Por entre fogos, golas de proteção, concursos oficiais e outros negócios envolvendo familiares de membros governamentais, assim vai decorrendo o nosso verão rumo à próxima eleição que se avizinha. E, enquanto as sondagens fazem sorrir quem está no poder, a realidade do dia a dia teima em remar em sentido contrário e em dizer que o poder se vai desgastando e enredando em sucessivos casos diários. Enquanto isso, o verão vai continuando com os políticos a elegerem o Algarve para se banhar e usufruir deste sol meridional tão convidativo e retemperador. Assim o dava a entender António Costa quando, neste domingo de 28 de julho, se banhava e passeava pela Meia Praia de Lagos.

Mas, enquanto usufruía destas belezas, de todo este areal e das suas águas límpidas e transparentes, outros agentes convidavam a fugir e a deixar a toda a pressa este Algarve de “confusão” e onde seria praticamente impossível passar o verão. Foi o que sucedeu com o aeroporto de Faro, a principal entrada de toda a região algarvia. É caso para se dizer que, enquanto o principal responsável governamental usufruía deste mar tão límpido, transparente e sedutor, o aeroporto de Faro convidava a sair e fugir para outras paragens. Por mais surpreendente que possa acontecer e por mais impensável que se possa imaginar, isto aconteceu no nosso verão e com a mão dos responsáveis pela principal porta de entrada do Algarve; o aeroporto de Faro. E ainda mais com verbas de entidades regionais, da Região de Turismo do Algarve, e mesmo entidades governamentais.

A somar aos fogos de verão e às suas peripécias associadas, esta é uma situação a exigir tomada de posição enérgica de todos os nossos responsáveis políticos regionais, das suas entidades e até de organismos nacionais. Mas, a este propósito, praticamente nada se viu e pouco se sentiu. Se excetuarmos uma posição tímida do Presidente da Região de Turismo e da AEHTA, tudo passou desapercebido e sem vontade de mexer numa situação a exigir responsabilidades independentemente das personalidades associadas a uma situação como esta.

Mas este silêncio comprometido e toda a demissão associada a esta situação, não é alheia ao facto de se estar em face de um grupo económico perante o qual se tem capitulado e reverenciado; os franceses da VINCI, donos da ANA, aeroportos de Portugal. Começa pelo polémico projecto do aeroporto de Montijo, continua com as constantes taxas aeroportuárias sempre a subir sem que ninguém ouse levantar a mão e dizer-lhes não e prossegue, agora, com esta campanha invulgar que, apesar de ténues protestos, acabaram por retirar. Mas é esclarecedor, vindo de uma empresa francesa, falar-se em confusão da região algarvia e, como alternativa, apresentar-se a acalmia de toda a paisagem francesa. E Marselha seria o paraíso refrescante e, segundo a publicidade, com uma paisagem tranquilizante. Ora nem mais. Uma campanha isenta e profissional a convidar a sair do espaço em que está a operar e a receber proveitos para a financiar.

É caso para se dizer que perante tão tímida reacção, os nossos políticos e responsáveis regionais estão todos a banhos ou a recuperar energias para enfrentar a campanha que se avizinha. E temas e problemas com esta importância acabam por passar ao lado por não terem, em termos imediatos, um grande impacto junto da população e por não se querer afrontar uma entidade que continua a ter uma atitude de domínio a nível nacional e, pelos vistos, com capacidade de tutela a nível regional. As consequências, com esta campanha ofensiva e de abuso de poder, acabam por se esvair e por não ter quem as possa exigir. E, mais uma vez, o Algarve foi ofendido e ignorado por quem o deveria defender e, neste caso, ter uma palavra a dizer; no mínimo, para exigir consequências por esta ofensa gratuita, desajustada e completamente despropositada.

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