Autárquicas

As estratégias das sete candidaturas aos órgãos autárquicos de Lagos

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Foto: Montagem Algarve Express

Depois das intensas movimentações que se fizeram sentir no interior das estruturas partidárias e em movimentos independentes que não quiseram ficar de fora, eis que alguma euforia se começou a apoderar das diversas forças políticas que se prepararam para entrar no pleito eleitoral que se avizinha. Foram muitas as horas gastas em preparação ou angariação de assinaturas para todos se poderem apresentar em tribunal a fim de se verificar se estariam em condições de figurar no boletim eleitoral que decidirá quem sairá vencedor e poderá gerir os destinos da autarquia.

E neste processo sempre conturbado, muitos foram os que não aceitaram a sua posição e ameaçaram com a sua transferência para as bandas da oposição. Nesta luta interna, que chegou a transbordar das sedes partidárias para fora, tudo se começou a recompor depois de algumas transferências terem mostrado insubmissão e manifestado a contestação de alguns em relação ao partido em que militaram e em que se apoiaram para manterem os seus lugares.

Com o alarido que estas refregas sempre comportam, os lugares começaram a ser preenchidos, a curiosidade a ser esvaziada e a burocracia a ser ultrapassada para tudo chegar a tribunal e não haver mais dúvidas em relação aos nomes que iriam disputar as próximas autárquicas. E, agora, já com tudo entregue, resta esperar para se comprovar se tudo está em condições e se não haverá surpresas, de última hora, que possam a alguém deixar de fora.

PS

PS_EquipaCom os que são conhecidos, começamos pelo PS que já se tinha apresentado e dado a conhecer aos seus potenciais eleitores. De então para cá, começamos a ver como o PS se iria posicionar depois de algumas saídas que foram faladas em praça pública. A de Joaquim Pedro Cruz, ainda Presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião, mostrou que não queria sair e não encarava com bons olhos regressar à instituição bancária que o continua a aguardar depois deste interregno autárquico. A de José Alberto Baptista, também badalada, mostrou que não se consegue conformar por não ter lugar no que fora o seu partido de sempre.

Com estas e outras saídas, o PS apostou em alguma renovação e, como estratégia, vai privilegiar o contacto pessoal com a população. O tempo dos grandes acontecimentos parece ter passado e, sem a pompa de outrora, quer-se ater á realidade que vivemos agora. Falta saber como irá lidar com a gestão dos últimos anos. Se a encarará como um trunfo a que deitará mão ou se como um fardo a pesar e que quer deitar ao chão.

Com estas e outras incógnitas no ar, a campanha já se começa a notar com a carta que os candidatos fizeram chegar a casa de todos os munícipes. E, dos nomes que lá figuravam, para lá de Joaquina Matos, candidata à presidência da Câmara, aparecia o de Paulo Morgado à Assembleia Municipal. O de Carlos Saúde à união das juntas de freguesia de Santa Maria e São Sebastião, o de Carlos Fonseca à junta de freguesia de Odeáxere, o de Duarte Rio à união da juntas de freguesia de Bensafrim e Barão de São João e Vitor Mata à junta de freguesia da Luz. Com esta equipa e a que a acompanha, a estratégia vai-se delinear para abarcar todo o concelho

PSD

O PSD é outro dos partidos tradicionais de Lagos. Já foi detentor, durante vários mandatos, da Câmara Municipal e de outros órgãos autárquicos. Mas as vicissitudes políticas que estamos a viver obrigam-no a alguma contenção e àquele trabalho de bastidores, que já foi sua característica, junto do cidadão eleitor. Obrigado a algum recato, peca pela escassa actividade e ainda mais com a política nacional a roubar-lhe algum à vontade de aparecer em praça pública. E, assim, como estratégia, vai-se refugiando em algum silêncio calculado para não afugentar ainda mais o seu próprio eleitorado. Por isso, sentimo-lo distante e quase sem aparecer ou vontade de se dar a conhecer. PSD_EquipaMas também os seus nomes já entraram em tribunal, embora haja uma espécie de pudor em os revelar e os divulgar em praça pública. Mas mesmo com este recato em demasia, a dupla em que fazem questão em apostar alia a juventude, com Nuno Serafim, à experiência de José Valentim. O primeiro, para a Câmara Municipal e, o segundo, para a Assembleia Municipal. Para as juntas de freguesia temos Rui Pedro Alves na união das juntas de freguesia de São Sebastião e Santa Maria, José Eduardo Gonçalves em Odeáxere, Carlos Miguel Vieira na união das juntas de freguesia de Bensafrim e Barão de São João e Nuno Miguel Luz na junta de freguesia da Luz. Mas esta estratégia de contenção terá forçosamente de dar lugar á da divulgação. Resta saber quando é que se passará à segunda fase.

CDU

CDUA CDU há muito que está no terreno. Perde-se já no tempo essa primeira sessão destinada a dar a conhecer o seu cabeça de lista e os que, de mais perto, o acompanham. E, desde então, o que a CDU deu a conhecer foi uma estratégia que vai buscar nomes que consigam criar algum impacto político. Assim foi, há uns anos atrás, com Maria Luísa Teixeira. Mas, agora, foi um pouco diferente por a CDU ter consciência que Luís Reis, o seu candidato à Câmara, não ser assim tão abrangente. Para suprir esta lacuna, colocou em segundo lugar Luísa Teixeira para o poder, mais facilmente, levar junto do cidadão eleitor. E, depois desta estratégia de tentar surpreender, a CDU retoma o seu figurino de sempre com sessões de esclarecimento que acabam por funcionar em ondas de circuito fechado que não vão muito mais longe de que o seu eleitorado mais fidelizado. Mas quando a campanha se iniciar, a CDU, como partido institucionalista que é, fará aparecer os seus cartazes em entroncamentos, encruzilhadas e em outros espaços públicos relevantes para difundir a mensagem que nos quer transmitir. Além de Luís Reis e Maria Luísa Teixeira para a Câmara Municipal, José Manuel Freire é um nome sempre presente na Assembleia Municipal devido ao conhecimento abrangente que tem da vida autárquica de Lagos.

BLOCO DE ESQUERDA

Bloco de EsquerdaEmbora não fizesse parte dos eleitos autárquicos até há um mandato atrás, o Bloco de Esquerda passou a figurar na Assembleia Municipal com a eleição de Manuela Góis. Mas, apesar desta eleição, esta força política não alargou muito a sua implantação em terras de Lagos. E, por isso, vai tentar que o nome do Bloco, a nível nacional, ainda consiga arrastar alguns adeptos a nível local. E bem se terá de esforçar para isso. Mas para além dos placards de rua que ainda hão de aparecer, também as sessões, com reduzido número de adeptos, irão continuar. Mas a estratégia do Bloco de Esquerda de Lagos, com os poucos frutos que se conhecem, consistirá em fazer de Manuela Góis uma espécie de pivot como primeira à Câmara Municipal e como segunda à Assembleia Municipal. Se não entrar onde ocupa o primeiro lugar, certamente José Manuel Maia cede a sua posição se os votos forem suficientes para eleger ao menos um. Esta estratégia de concentração numa personalidade seria bem sucedida se, ao longo do último mandato, fosse capaz de se impor pela cidade e pelo município adiante. Resta esperar para ver se consegue resultar.

CDS-PP

Alberto_BaptistaArtur Rego2O CDS-PP, em Lagos, sem tradição, por norma não entra nos diversos órgãos autárquicos sem coligação; e quando esta é com o PSD. Mas, desta vez, o CDS quis ser demasiado glutão e não mediu as consequências da coligação que propôs e que poderia ir por diante se não houvesse quem chamasse à razão e dissesse que estava a haver uma inversão de papéis. E com o CDS-PP posto no lugar, não restou a Artur Rego senão recorrer a outras alternativas para mostrar serviço e dizer que era capaz de surpreender. A surpresa primeira, de ser cabeça de lista pela coligação com o PSD, acabaria por sucumbir e por morrer ainda antes de nascer. Restou recorrer a uma outra coligação, embora sem qualquer expressão em Lagos. Mas como o resultado e o impacto seriam os mesmos se concorresse sozinho, Artur Rego decidiu ir pescar em águas que criassem ebulição e que provocassem alguma agitação junto dos “mentideros” políticos de Lagos. Estica o anzol e quem haveria de pescar? Nada menos que José Alberto Baptista à espera de poder voltar à ribalta política. Enlaçado pela estratégia de Artur Rego, lá decidiu aceitar hipotecando todo o seu passado político. E com esta surpresa no ar, será o CDS-PP capaz de entrar sequer na Assembleia Municipal? Só o futuro será capaz de responder a uma estratégia que, em termos públicos, parece não estar a ter qualquer impacto político.

COLIGAÇÃO DOS JOVENS INDEPENDENTES

Grupo cidadaniaE neste rol de preparações, encenam-se outras coligações. A dos jovens que se intitulam de independentes. Mas, na verdade, embora concorram como independentes, suportam-se numa coligação formada por três partidos; o Partido Popular Monárquico, o Partido da Nova Democracia e o Partido Pro-Vida. Estes e outros que se lhe poderiam juntar pouca valia política vêm acrescentar, em termos eleitorais, ao panorama político de Lagos. Não admira, por isso, que a estratégia esteja em se afirmar como independentes e em alardear a juventude que domina as suas listas. A novidade que vêm trazer é poder concorrer fora dos partidos tradicionais que fazem parte do espectro político de Lagos. Resta saber se dão peso político à coligação ou se não passam da votação que esses partidos têm tido em Lagos. É o que se vai ver com Paulo Jorge Rosário Dias a encabeçar a lista para a Câmara Municipal e com José Borba Martins, um jovem já cinquentão, a encabeçar esta coligação para a Assembleia Municipal

OS INDEPENDENTES

Lagos com Futuro4A novidade maior estará nos chamados independentes que, a seu favor, têm o mérito de já terem recolhido as assinaturas suficientes para poderem concorrer sem a sigla de um partido. E se o exercício de cidadania é sempre de louvar, já começa a deixar a desejar quando se verifica que aí estão reunidos interesses desencontrados e políticos excessivamente agarrados aos lugares que ocupam. E se a isto juntarmos algumas que outras deserções só porque, no seu partido, não encontraram o lugar ou a posição que ambicionavam, então poderemos dizer que estamos perante dissidentes e naturais descontentes para com as forças políticas em que militavam. Mas, para além das deserções de quem mantinha outras ambições, os interesses desencontrados, os pensamentos diferentes e até mentalidades de antigamente fazem destes independentes uma amálgama com dificuldade de gerir os conflitos internos que, mais cedo ou mais tarde, começarão a eclodir no seu interior. Mas, ainda em lua de mel, estão a gozar o feito, e é relevante, de se poderem candidatar. Resta aguardar a sua evolução que, naturalmente, será sempre uma incógnita em relação à caminhada a efectuar e à votação que poderão vir a alcançar. É que sem uma estrutura partidária que os pudesse suportar, é difícil fazer uma previsão já que não dispomos de histórico em Lagos numas eleições como estas. E a incógnita acentua-se com nomes que pouco dizem ao eleitorado como é o caso de Luís Barroso, cabeça de lista à Câmara Municipal ou mesmo Jorge Ferreira à Assembleia Municipal. Resta, por isso, aguardar para ver como tudo se vai desenvolver.

E com as candidaturas já entregues e sem possibilidade de outras se virem a posicionar ou alterar os nomes que cada formação política vai apresentar ao eleitorado, deixou de haver interrogações ou indefinições em relação ao nomes que vamos ter numa campanha que timidamente começa a invadir os espaços públicos do município de Lagos. E, desta vez, é mais difícil fazer qualquer previsão devido à alteração das candidaturas que, desta vez, preenchem o panorama autárquico de Lagos. É que, para além das forças políticas tradicionais, deparamos com outras que poderão baralhar as contas e alterar o que sempre foi previsível e que ainda mais o poderia ser dado o panorama político, a nível nacional, que estamos a viver. Com os dados já lançados, resta aguardar como é que a campanha se vai desenvolver e quais os resultados que, destas sete candidaturas, cada uma poderá vir a obter.

Texto publicado originalmente a 11 de Agosto de 2013 às 0:30

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