O verão lá vai andando e começando a preparar-se para entrar na sua recta final. Mas, entretanto, ainda temos Agosto que faz questão de nos presentear com óptimos dias de férias e com uma avalanche de turistas que nos continuam a procurar e a eleger como um dos melhores destinos turísticos. E, de facto, as praias são de eleição, a cidade é apetecível e toda a ambiência é propícia a escolher este destino para por aqui se passar qualquer época balnear.
Todos estes requisitos naturais são bem suficientes para esta multiplicidade de gentes e de povos que fazem questão de
aqui se encontrarem e de saborearem uma atmosfera de verão como a que Lagos oferece. Mas, para além das suas condições naturais, já esta cidade soube oferecer serviços e animação que funcionavam como factor de persuasão. E, então, cada turista ou simples visitante que por aqui passava funcionava como mais um agente divulgador e um autêntico embaixador destas terras de Lagos. E se cada um trazia mais um, estava montado um verdadeiro circuito de divulgação que fazia com que esta terra começasse a andar de boca em boca e a sua procura continuasse a subir e, cada vez mais, aqui, turistas e visitantes começassem a fluir.
Mas o que está a acontecer com o verão lacobrigense? Poder-se-ia dizer que continua empolgante com as suas praias deslumbrantes, com o seu calor tão atractivo, com as suas gentes tão acolhedoras, com a sua cidade tão convidativa e com tudo o que o rodeia e tem para oferecer a todos os que o elegem para descansar e gozar as delícias desta época balnear. Mas, em verões não muito distantes, a cidade era limpa e asseada, os espaços públicos eram lavados, o lixo não se encontrava tão amontoado, as calçadas eram reparadas, os jardins eram mais tratados, a venda ambulante mais regulada, as esplanadas não invadiam o espaço que as pessoas percorriam e tudo não se encontrava em auto-gestão como deparamos no decurso deste verão.
No que à animação diz respeito, esta era mais rica e diversificada, obedecia a uma programação e até a mais espontânea parecia que se submetia a algum ordenamento. Hoje em dia, até aquela de sexta-feira, com um carácter popularucho, parece estar a decair com interpretações desafinadas que não abonam nada em favor dos seus promotores. E, neste particular, também um certo abandono não parece favorecer quem deveria ter outra intervenção e ser responsável por toda a animação, mesmo informal, do espaço público de Lagos. Longe vão os tempos dos concertos no auditório municipal do Largo das Freiras que tem vindo a decair e
que, ano após ano, se vai degradando só porque não é utilizado e, sem manutenção, entra cada vez mais em pior estado. O próprio Centro Cultural deixou de acolher um conjunto de actividades que o faziam entrar no roteiro cultural do Algarve em cada época estival. Até as actividades espontâneas de rua deixaram de ter uma supervisão que fosse capaz de as coordenar. E com tudo entregue à sua sorte, a animação começou a perder a importância que vinha a ter como se fosse suplementar ou um simples adorno que se pudesse retirar da actividade turística.
Mas se a falta de animação é um problema do nosso verão, outros se lhe podem juntar e que estão a agravar a imagem que Lagos dá de si mesma. Uma de grande repercussão tem a ver com a falta de limpeza da cidade em particular e do município em geral. É confrangedor passar junto a qualquer contentor. As chamadas ilhas ecológicas exalam um cheiro nauseabundo capaz de incomodar quem de si se aproximar. E quando há descargas para os camiões de recolha, um líquido viscoso, por norma, vê-se escorrer sem que ninguém o impeça ou evite que fique a cheirar pela rua fora. E se estes cheiros já são motivo de conversação pela cidade adiante, porque é que
os responsáveis não vêem o que se está a passar e não ouvem, a este respeito, o que se anda a dizer? Mas a estes muitos outros problemas se poderiam juntar. Ousamos mencionar o capim ressequido da rotunda da estação onde, desde pelo menos Abril, ninguém lhe pôs a mão. E lá se encontra aquele triste espectáculo de capim ressequido, abandonado e transformado em espaço de um desleixo incompreensível. A este, outros se poderiam juntar; mas são muitos para mencionar. As calçadas sujas e levantadas completam este ramalhete. E perante tudo o que temos vindo a encontrar ao longo deste verão, é caso para perguntar se os actuais detentores do poder se estivessem a candidatar seria este o panorama que teríamos pela frente.
Resta ainda uma interrogação e que tem a ver com a ponte de D. Maria. Trata-se de uma via prioritária de ligação à Meia Praia. E Lagos sem a Meia Praia não seria uma estância balnear com a qualidade e a grandiosidade que tem. Mas, incompreensivelmente, tudo continua a adiar e a hipotecar o verão por estas paragens enquanto a Ponte de D. Maria não for restaurada e a ligação à Meia Praia não for restabelecida. É caso para se perguntar se, em termos de prioridade, a ponte de D. Maria não se deveria privilegiar em comparação com os arranjos da cobertura do parque de estacionamento da Avenida. O mesmo se poderá dizer em relação a propostas de restauração que o Município não ousou considerar nem se propôs analisar. E, por esta falta de vontade política ou inércia em resolver um problema prioritário para o verão lacobrigense, as filas ali se continuam a amontoar e é um quebra cabeças para, à hora de maior movimento, sair ou entrar naquele espaço privilegiado de Lagos.
Estes são apenas alguns dos problemas mais prementes que vamos tropeçando, no dia a dia, deste verão de 2013. É verdade que já se vinham notando em edições anteriores. Mas, este ano, o que mais chama a atenção é a sua dimensão. Até o estacionamento na Meia Praia não sofreu qualquer tipo de melhoramento. E espaços há, como junto ao bar Linda ou de acesso ao Baía, que necessitavam de alguma gravilha para os carros não se enterrarem nem aí ficarem submersos na areia ou atolados em algum buraco. E que imagem levam os que aí se vêem soterrados e até com os carros estragados? Isto tem-se visto por aquelas paragens. Ainda é tempo de muito se melhorar e de, mesmo neste final de verão e de mandato, de não se deixar degradar mais a imagem de Lagos. A natureza dotou-a de tudo o que há de bom. A mão humana terá de acrescentar e de potencializar essas qualidades naturais para que muitos mais escolham este destino turístico e levem a melhor impressão do verão lacobrigense.







