O Desenquadramento das estruturas do Parque de Estacionamento da Avenida

Tamanho da Letra: A-A+

Durante a fase de apresentação do estudo que iria servir de base à construção do mercado da avenida, dava-se especial realce à frente ribeirinha que se iria potencializar e ao pano da muralha que, para baixo e para cima do solo, ainda mais se poderia visualizar. Segundo o discurso oficial, secundado pelos técnicos que o acompanhavam, esta obra viria valorizar esta parte da cidade e reforçar a sua relação com o mar. Tudo dava a entender que a rua da Barroca, com o casario que lhe dá distinção, seria uma espécie de janela que se estendia ao longo de toda a baía.

Com todos estes condimentos na sua apresentação, estavam criadas as condições para, num espaço de excepção, se estreitar os laços com um passado relevante e onde o mar sempre teve um papel preponderante. Mas com as estruturas subterrâneas do parque concluídas, começa-se a verificar que a cobertura do piso superior apresentava uma configuração que destoava de toda a área envolvente e nada tinha a ver com tudo o que se anunciara e, com algum realce, abundantemente se propagandeara. Havia, no entanto, uma desculpabilização que tinha a ver com a fase de construção. Na verdade, aquele piso superior estava por acabar e é natural, de acordo com o discurso oficial, que apresentasse uma imagem que não conseguia cativar por nada ter a ver com a sua imagem final.

E porque era objectivo da Câmara que fosse um particular a agarrar uma obra como aquela, os meses foram passando e aquela imagem de obras inacabadas foi-se protelando no tempo. Como as condições eram irrealistas para que alguém lhes deitasse a mão, acabou por não haver mesmo ninguém que mostrasse algum interesse em concluir aquela construção.

E de indefinição em indefinição, a Câmara Municipal ver-se-ia compelida, por via indirecta, a deitar-lhe a mão através da empresa municipal Futurlagos. As obras estão já a decorrer, deixando outras para trás como a ponte de D. Maria, e começam-se já a ver. Vêem-se também as consequências que começam a ter na estrutura do próprio parque. Com efeito, devido à estrutura ter sido momentaneamente abalada e as águas da chuva terem começado a entrar foi preciso encerrar o primeiro piso de estacionamento. E como o segundo, para estar operacional, tem que estar constantemente a ser bombeado para não ser inundado, há quem não se sinta seguro e não ouse lá deixar o carro para estacionar. Mas estes serão, ao que se espera, tempos excepção por se cingirem ao período em que decorrem as obras de construção da cobertura da parte superior do parque de estacionamento da avenida.

​O que já não é de excepção são aquelas estruturas metálicas enormes e pesadas que lá andam a colocar e que conseguem desfigurar uma zona com o significada, a sensibilidade e o passado como aquela. São estruturas que acabarão por ferir e agredir uma das frentes ribeirinhas que o passado nos legou e o urbanismo, até hoje, enriqueceu. E com o que aí se está a erguer no ar, a relação da Barroca com o mar começa-se a esbater, a muralha a esconder e aquela parcela da cidade a perder parte da sua dignidade. É verdade que aquela cobertura não podia ficar por acabar. Mas teria que se integrar e valorizar uma zona tão nobre como aquela e não o contrário. E o que se publicitou e divulgou foi uma estrutura leve que se integrava e valorizava a Barroca e toda a sua área adjacente. Mas o que constatamos e que vemos erguer no ar são essas estruturas metálicas e pesadas que nada têm a ver com um património urbano que começam a esconder. Trata-se de uma opção que nada tem a ver com valorização; bem pelo contrário.

Lá diz o ditado popular que o que nasce torto tarde ou nunca se endireita. E o parque de estacionamento da avenida nasceu de um projecto que o coloca muito abaixo do nível do mar com as consequências que daí poderão resultar. Uma delas é a do segundo piso ter de estar constantemente a ser bombeado para não ser inundado. E para além dos problemas que começam a aparecer no subsolo, temos agora à superfície umas estruturas metálicas desenquadradas que vêm ferir e agredir um espaço de eleição; e este merecia mais atenção.

Etiquetas: , , ,

Comentar

Todos os direitos reservados.

Diário Online Algarve Express©2013

Director: António Guedes de Oliveira

Design & Desenvolvimento por: Webgami