Cultura

Festa do Banho 29 com uma programação que não abona a seu favor

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A festa do Banho 29, em Lagos, conseguiu-se implantar, ganhar dimensão e transformar-se num grande acontecimento que anuncia o declínio do verão. Quando se decidiu retomar para celebrar essa tradição já distante dos camponeses que, em cada 29 de Agosto, ousavam descer até à praia, ao fim da tarde, para um banho regenerador, a programação era múltipla e variada e até alargada a mais do que um dia. À medida que o tempo foi passando, foi-se concentrando no dia 29. E, cada vez mais, começou a incidir nessa noite que vinha relembrar tempos de outrora.

Com tudo centrado na noite de 29, o programa, sempre com o concurso de fatos de banho de outras eras a dominar, conseguia-se alargar e galvanizar o público que ali acorria. E, cada vez mais, começou a acorrer até se transformar na maior concentração do verão lacobrigense. Com efeito, são milhares de pessoas que ali se acabam por concentrar apesar de, em termos de condições, as melhoras não se tenham vindo a registar. Mas, apesar dos condicionalismos, a praia do Cais da Solaria acaba por se transformar num grande local de concentração e, mesmo sem publicidade, por ser um momento marcante do nosso verão.

Necessitaria, por isso, o banho 29 de ser encarado com bem maior atenção e que lhe fosse dada a dimensão que já tem. Mas não. O banho 29 pareceu ser mais uma organização das sextas-feiras do que vêm acontecendo, na praça de Luís de Camões, no centro da cidade de Lagos. Com algum desprimor, a Câmara desresponsabilizou-se da sua organização e entregou-a a algumas colectividades que, sem capacidade, fizeram o melhor que puderam e souberam.

Mas se é louvável que as instituições participem em organizações como estas, quem tem a responsabilidade de as organizar deverá zelar pela sua qualidade, pela sua dimensão e por responder à adesão que têm vindo a registar ao longo dos últimos anos. E não foi o que se viu este ano. A moldura humana continuou a encher todo aquele recinto. Milhares de pessoas puderam desfrutar de uma noite que parecia tinha sido encomendada para este dia. E com todos os ingredientes para uma grande noite, a programação viria a desiludir e a defraudar grande parte dos que ali fizeram questão em se deslocar. Mesmo que todos os intervenientes também pudessem fazer parte da programação, deveria sempre haver um nome sonante que funcionasse como ponto de atracção. E não houve. Tudo se limitou a uma programação demasiado paroquial que acabou por retirar a dimensão que se deveria dar ao banho 29. É de compreender que, em tempos de crise, o fogo de artifício seja sacrificado. Mas não se pode pôr tudo de lado. E, este ano, o banho 29 foi encarado com a displicência de um acontecimento de menor dimensão sem se considerar como o ponto auge de um verão que começa a entrar na recta descendente.

Para lá destas considerações, ficaram algumas actuações, o desfile dos trajes de banho tradicionais e, como não podia deixar de ser, o banho, pela meia noite, ali em pleno mar. E, assim, a tradição cumpriu-se sem se dar ao banho 29 a dimensão que requeria e que uma afluência como aquela exigiria. Faz-se votos para que a próxima edição, depois de vivermos mais um verão, possa retomar parte do que nos habituou e que conquistou uma grande adesão.

O Algarve Express vez uma reportagem fotográfica para que os seus leitores possam perceber o verdadeiro ambiente do Banho 29 2013 de Lagos. Clique nas imagens para ampliar.

Veja ou reveja aqui alguns momentos da Festa do Banho 29.

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