Esta não foi mais uma tomada de posse. Quando, à sua frente, apresenta uma mudança de presidente, o simbolismo é bem maior por pressupor uma ruptura com o passado e por anunciar um ciclo novo que começa a ser inaugurado. É, em parte, o que está prestes a acontecer com a tomada de posse dos novos órgãos autárquicos de Lagos. Ao fim de doze anos de uma gestão demasiado unipessoal, tudo indica que um novo rumo e outros caminhos se vão apoderar dos destinos da Câmara Municipal.
Embora Joaquina Matos fizesse parte da equipa de Júlio Barroso, a sua personalidade, a sua mundividência e até a sua forma de estar conseguem-na, e muito, distanciar. É por isso que, ao fim destes longos anos de um consulado dominado pelos ventos da concentração, se vai, seguramente, assistir agora a uma maior participação. Para trás fica um estilo em que a ânsia de domínio era constante, em que a autarquia tudo dominava e em que a sociedade civil definhava. Agora, o paradigma é diferente embora levante muitas interrogações sobre o modelo de gestão e sobre a linha de rumo a traçar para este ciclo que se acaba de inaugurar.
Mas, para além de todas as interrogações que pairam no ar, está a tomada de posse que nos aconselha a esperar para melhor se avaliar o desempenho dos novos inquilinos da Câmara Municipal e demais órgãos autárquicos. E no que à Câmara municipal diz respeito, Joaquina Matos foi a primeira a assinar por ser a Presidente que vai inaugurar este novo mandato. E consigo mora a novidade de ter sido a primeira mulher a subir à presidência de uma Câmara Municipal em terras de Lagos. A contrastar com esta novidade, mora alguma indecisão que poderá atrapalhar a sua capacidade de gestão. Ter-se-á de esperar para ver como vai ser o desempenho dos novos intérpretes da Câmara.
É que, para além de Joaquina Matos, temos Hugo Henrique que é um jovem por conhecer, embora haja indicações que lhe dão boas referências em questões que tenham a ver com economia. E bem necessárias são para se fazer face aos problemas que aí vêm e
que têm a ver com a difícil situação financeira que a Câmara está a atravessar. Outra figura a destacar é Fernanda Afonso que irá supervisionar as questões ligadas à educação, à cultura, aos problemas sociais e a outros mais. E já a vimos desempenhar estas funções, embora em situação bem diferente. E, por fim, temos Paulo Jorge dos Reis a fazer uma ligação com as freguesias, a coordenar as obras que se têm de realizar e a percorrer o terreno para avaliar o que se terá de fazer. E embora a sua passagem pela junta de freguesia de Santa Maria lhe tenha dado algum traquejo, não foi suficiente para uma missão que agora é bem mais abrangente. Com este quadro que temos pela frente, ter-se-á de aguardar para avaliar o seu desempenho e para se saber até que ponto se será capaz de inaugurar o novo ciclo autárquico e de enfrentar com segurança a pesada herança que se está a herdar e que vai condicionar o futuro de Lagos.
Mas se em relação ao executivo da Câmara tudo estava clarificado com o PS a alcançar maioria e com as restantes forças políticas a ficar, cada uma, apenas com um vereador, panorama diferente invadia a Assembleia Municipal onde a indefinição permanecia até ao último dia. Com o PS a dispor de doze mandatos e com toda a oposição, em conjunto, a obter mais um, era necessário proceder a negociações para ver quem iria presidir à mesa deste importante órgão autárquico. E foi o que aconteceu com uma negociação que resultou numa situação de compromisso. Esta viria a ditar a continuação de Paulo Morgado na Presidência da Assembleia Municipal, pelo PS, o partido mais votado, que foi secundado por Fernando Bernardo como Primeiro Secretário, pelo PSD, o segundo partido em votação, e por Margarida Martins, como Segundo Secretário, pelos Independentes que acabaram por ser a força política que veio a seguir. E com este arranjo, acabou-se por obter uma mesa da Assembleia Municipal multicolor, em termos políticos, que espelha a composição desta instituição. É verdade que, para além do PS, do PSD e dos Independentes, a Assembleia Municipal de Lagos é formada por três membros da CDU e por um do Bloco de Esquerda e outro do CDS-PP. Mas como a mesa é composta só por três, foi-se buscar os mais votados para presidir aos trabalhos que este novo ciclo autárquico vai iniciar. Ainda começou a circular que Alberto Baptista se estava a preparar para fazer mais uma das dele. Oferecia-se para integrar a bancada PS e em compensação, com mais algumas benesses, viabilizaria qualquer votação. Mas, ou porque o boato não tivesse pernas para andar, ou porque o PS não o quisesse acolher, tudo acabou por morrer ainda mesmo antes de ver a luz do dia.
E já com tudo constituído, o novo ciclo está no ar e um novo capítulo se começa a escrever. E como as condições políticas são muito diferentes e como os seus intérpretes também querem imprimir o seu próprio estilo e o seu cunho pessoal, o dia 14 de Outubro de 2013, com esta tomada de posse, marca uma nova era na Câmara Municipal de Lagos. E cá estamos para a acompanhar e para ver como se vai desenrolar.
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